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    O acordo de US$ 17 bilhões da Meta é só o começo

    Em 26 de agosto, a Meta concordou em pagar até US$ 17 bilhões, ao longo de dez anos, para encerrar as ações de uma coalizão suprapartidária de procuradores estaduais americanos que a acusavam de projetar o Facebook e o Instagram para viciar crianças, enganar o público sobre os danos e coletar dados de menores de 13 anos sem consentimento.

    UOL
    26 de agosto de 2026 às 19:00
    O acordo de US$ 17 bilhões da Meta é só o começo
    Homem de cabelos cacheados castanhos ajusta óculos grandes e escuros com as duas mãos. Ele veste camiseta preta e usa relógio prateado no pulso esquerdo e pulseira cinza no direito. Fundo é claro e desfocado. — Foto: UOL

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    CEO da Meta, Mark Zuckerberg, durante apresentação de óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban - Carlos Barria - 17.set.25/Reuters · Carlos Barria - 17.set.25/Reuters
    CEO da Meta, Mark Zuckerberg, durante apresentação de óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban - Carlos Barria - 17.set.25/Reuters · Carlos Barria - 17.set.25/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Especialista em políticas públicas de tecnologia e direito digital, é professora e diretora de Programas de Tecnologia de Interesse Público na Universidade de Massachusetts Amherst e professora de direito na Boston University School of Law

    Em 26 de agosto, a Meta concordou em pagar até US$ 17 bilhões, ao longo de dez anos , para encerrar as ações de uma coalizão suprapartidária de procuradores estaduais americanos que a acusavam de projetar o Facebook e o Instagram para viciar crianças, enganar o público sobre os danos e coletar dados de menores de 13 anos sem consentimento.

    O acordo, anunciado pela Meta , encerra um julgamento federal que mal havia começado em Oakland, na Califórnia. Na abertura, a advogada da Califórnia resumiu a tese em quatro palavras : o modelo de negócios da Meta seria "fisgar" os usuários, "retê-los", "colher" seus dados e "esconder" os danos. Os estados não processaram a empresa pelo que os usuários publicam —terreno protegido pela Seção 230—, mas pelo design do próprio produto. A pergunta jurídica deixou de ser o que os usuários fizeram na plataforma e passou a ser o que a plataforma fez com eles.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O leitor não deve avaliar o acordo pelo número da manchete. Os US$ 17 bilhões equivalem a cerca de 1% da receita esperada da Meta na década e são pequenos diante do Acordo do Tabaco de 1998 , no qual as fabricantes de cigarros pagaram mais de US$ 206 bilhões em 25 anos, com pagamentos enquanto os cigarros existiam. A obrigação da Meta é um décimo disso e acaba.

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    O núcleo do acordo é composto por mudanças de design: limite padrão de 2 horas diárias para menores de 18 anos, que só os pais podem suspender; bloqueio entre meia-noite e 6h; notificações silenciadas no horário escolar; feed não algorítmico opcional; curtidas ocultas; e detecção reforçada de idade. Medidas que mudam a experiência padrão e não apenas criam mais um botão escondido nas configurações.

    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe
    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A estrutura financeira é inédita: 30% do valor só será liberado se YouTube e TikTok adotarem proteções equivalentes —a Meta transformou parte da própria pena em um instrumento para arrastar os concorrentes.

    Mas redesenho sem prestação de contas vira marketing. A auditoria independente prevista dura cinco anos, num acordo de dez; os termos mais fortes expiram em cinco, salvo adesão dos rivais. Quem escolhe o auditor? Com que dados? O que acontece quando a empresa falha? A governança de tecnologia falha cada vez menos nas regras e, cada vez mais, na verificação. E, como todo acordo, este interrompe a produção de provas: parte do registro público sobre o que a Meta sabia se perde.

    O Brasil não está fora dessa conversa. Um dia antes, a ANPD multou o TikTok em quase R$ 154 milhões por tratar dados de milhões de adolescentes sem base legal —prova de que verificação de idade é fácil de regular e difícil de implementar. Com o ECA Digital em vigor, o país tem a chance de exigir o que o acordo americano apenas promete: padrões de design verificáveis, auditáveis e com consequências.

    A responsabilização não termina quando a empresa aceita redesenhar o produto; começa aí. Teremos uma década para descobrir se as mudanças são reais. A questão é se alguém independente terá autoridade, acesso e incentivos para nos dizer quando não forem.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/08/o-acordo-de-us-17-bilhoes-da-meta-e-so-o-comeco.shtml.

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    CEO da Meta, Mark Zuckerberg, durante apresentação de óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban - Carlos Barria - 17.set.25/Reuters · Carlos Barria - 17.set.25/Reuters — Foto: UOL

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