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    O acessório e o principal no caso Master

    O escândalo do Banco Master chegou ao Supremo Tribunal Federal. Seu controlador, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , foi preso em novembro de 2025 ao tentar fugir do país, acusado de comandar uma fraude que deixou um rombo estimado em R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. Leia mais (09/19/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de setembro de 2026 às 01:00
    O acessório e o principal no caso Master
    Cinco ministros do Supremo Tribunal Federal sentados em bancada durante sessão. Ao fundo, bandeira do Brasil. Documentos e microfones estão sobre a mesa. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Ministros do STF durante a sessão histórica de terça-feira (15) - Gustavo Moreno/STF · Gustavo Moreno/STF
    Ministros do STF durante a sessão histórica de terça-feira (15) - Gustavo Moreno/STF · Gustavo Moreno/STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Professor do Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e editor da revista Insight Inteligência

    O escândalo do Banco Master chegou ao Supremo Tribunal Federal. Seu controlador, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , foi preso em novembro de 2025 ao tentar fugir do país, acusado de comandar uma fraude que deixou um rombo estimado em R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito.

    Na última terça-feira (15), o plenário do STF começou a discutir se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes com base em relatório da Polícia Federal sobre suas mensagens com Vorcaro — ao mesmo tempo em que Flávio Dino pedia a apuração das ligações do ex-relator do caso, André Mendonça , com o banqueiro. A sessão terminou em bate-boca e pedido de vista por parte de Dino, sem uma decisão.

    Flávio Bolsonaro fez ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista
    Flávio Bolsonaro fez ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A barulheira em torno da apuração, ou não, desses malfeitos está ocultando a verdadeira questão, que é o destino de todas essas investigações depois das eleições de outubro. Os bolsonaristas exploram as suspeitas contra Moraes para confirmar a tese de que o tribunal que condenou Jair Bolsonaro seria parcial e corrompido, ao passo que os defensores do ministro enxergam na conduta de Mendonça o uso político-eleitoral da investigação, de modo que cada lado só discute os ministros do outro.

    Ocorre que Flávio Bolsonaro , candidato do PL à Presidência, aparece empatado tecnicamente com Lula nas simulações de segundo turno . Se ele for eleito, Moraes provavelmente será limado por impeachment num Senado renovado em dois terços pela mesma eleição, e o restante da sujeira voltará para debaixo do tapete.

    A razão é que Flávio é o principal político envolvido no escândalo. Em maio, o site Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios em que o senador negociava com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões para financiar " Dark Horse ", filme sobre a vida de seu pai, e documentos do Coaf obtidos pela revista Piauí indicam que ao menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente pagos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Flávio, que meses antes negara conhecer o banqueiro, admitiu o pedido e refuta qualquer irregularidade. Em março, já se sabia que o cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel , doara R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. O deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor executivo do filme, é alvo de outra investigação da Polícia Federal, que apura o possível desvio de emendas parlamentares para a produção.

    O próprio candidato já anunciou o que fará ao assumir. No Jornal Nacional, prometeu trabalhar pela anistia dos condenados pela trama golpista ainda na transição —e, se o Congresso não a aprovar, conceder indulto, que alcançaria o pai, preso para cumprir pena de 27 anos e 3 meses. É de se esperar que decrete também o estado de defesa, previsto no artigo 136 da Constituição , que autoriza o presidente a restringir por até 60 dias direitos como os de reunião e de sigilo das comunicações. Assim já o fizeram Nayib Bukele em El Salvador, Daniel Noboa no Equador e Dina Boluarte no Peru, sempre com as bênçãos de Marco Rubio .

    Pretexto não faltaria a quem já qualificou de "grande farsa" o julgamento que condenou o pai por tentativa de golpe de Estado, aliás travestido justamente de declaração de estado de defesa. Com um apaniguado nomeado para dirigir a Polícia Federal, Flávio blindará o sistema político e judicial inteiro. E tudo acabará em pizza.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A pizza interessa a muita gente, a começar pelo próprio Flávio, que é de longe o mais encalacrado. Interessa também a ministros do STF expostos ao caso, como Dias Toffoli , que deixou a relatoria sob a pressão de reportagens sobre negócios de familiares com fundos ligados ao Master; Kassio Nunes Marques , cujo filho teria recebido pagamentos do banco, segundo mensagens vazadas à imprensa; e o próprio Mendonça, alvo do pedido de Dino. Ao que parece, interessa ainda a Luiz Fux , que na sessão de terça-feira se alinhou a Mendonça, sem falar nos comparsas de "Dark Horse", como Mario Frias. A maioria dos ministros do tribunal terminará se acomodando com o novo governo.

    No fim das contas, a questão da "justiça" se resume a quem vencerá a eleição presidencial. Estamos deixando a barulheira em torno do acessório ocultar o principal: o verdadeiro xis da questão.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/o-acessorio-e-o-principal-no-caso-master.shtml.

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    Ministros do STF durante a sessão histórica de terça-feira (15) - Gustavo Moreno/STF · Gustavo Moreno/STF — Foto: Folha de S.Paulo

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