Nunes Marques e Motta falam em “transparência”, mas evitam imprensa
Presidente do TSE e da Câmara se negaram a falar com jornalistas sobre a crise do STF após defenderem o “fortalecimento da democracia”

Presidente do TSE e da Câmara se negaram a falar com jornalistas sobre a crise do STF após defenderem o “fortalecimento da democracia”
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques , e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se negaram a falar com a imprensa nesta 3ª (8.set.2026) diante da crise institucional do STF.
Os 2 participaram da abertura da exposição “O Caminho do Voto” , na Câmara, e discursaram sobre a importância da transparência e da confiança dos eleitores no sistema eleitoral brasileiro. Porém, evitaram responder aos jornalistas antes e depois da solenidade.

Nunes Marques afirmou que a urna eletrônica é resultado de uma construção conjunta entre o Congresso Nacional, a Justiça Eleitoral e outras instituições.
Para Nunes Marques, a segurança das eleições não depende de um único mecanismo. “A confiabilidade das eleições brasileiras não repousa em um momento singular ou em um único mecanismo de segurança” , afirmou.
Nunes Marques afirmou ainda que o sistema eleitoral deve ser visto como resultado de um esforço conjunto das instituições. “A busca pela integridade das eleições não é uma tarefa concluída, mas um compromisso permanente da República” , disse.
Motta, por sua vez, destacou os 30 anos de utilização das urnas eletrônicas no Brasil e afirmou que a exposição permite ao cidadão conhecer as diferentes etapas do processo eleitoral, desde a preparação dos equipamentos até a totalização dos votos.
O presidente da Câmara ressaltou a participação do Congresso na construção do sistema. “Foi o Congresso Nacional que estabeleceu as bases jurídicas que permitiram a modernização do processo eleitoral brasileiro” , afirmou.
Motta também chamou atenção para os desafios impostos pelas novas tecnologias . Segundo ele, a inteligência artificial generativa permite atualmente a criação e a manipulação de “fotos, áudios e vídeos com um grau de realismo que seria impensável poucos anos atrás” .
Para o deputado, preservar a confiança dos eleitores diante desse cenário será um dos principais desafios das instituições democráticas. “Precisamos ser vigilantes no combate à desinformação e continuar aprimorando a legislação para garantir eleições limpas” , declarou.
Motta defendeu ainda que o combate à desinformação passe pela ampliação do acesso à informação. “A melhor resposta começa pela informação”, afirmou . Segundo ele, “quanto mais o cidadão conhece o processo eleitoral, menor é o espaço para dúvidas e desinformação” .
A crise no Supremo Tribunal Federal foi aprofundada depois do ministro André Mendonça, do STF, levantar o sigilo das investigações sobre a relação de Daniel Vorcaro com Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues. As mensagens tornadas públicas mostram uma relação de proximidade entre Vorcaro e Moraes e aumentaram a pressão sobre o ministro.
A Polícia Federal encontrou contratos que somam até R$ 158 milhões ligados a Vorcaro e à mulher de Moraes. O empresário também teria feito pagamentos ao escritório da advogada por meio de aeronaves . Moraes também teria participado da elaboração de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua mulher e Vorcaro.
O episódio mais recente da crise foi o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa do cargo de diretor de inteligência da corporação. Kassio Nunes Marques antecipou o voto e acompanhou o entendimento de Mendonça .
A decisão foi tomada por Mendonça que declarou que a medida é necessária para que o STF, a Advocacia Geral da União e a PF “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.
A medida foi tomada na Petição 16.662, relatada por Mendonça, e está relacionada à produção de relatório de inteligência da PF sobre a atuação do ministro. Segundo ele, a PF teria monitorado sua atuação no Supremo e feito avaliações sobre decisões judiciais, integrantes da AGU e policiais federais.
Apesar de os discursos desta 3ª destacarem a importância da transparência e da confiança da sociedade nas instituições, Nunes Marques e Motta não comentaram com jornalistas os episódios que ampliaram a crise envolvendo o STF.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/nunes-marques-e-motta-falam-em-transparencia-mas-evitam-imprensa/.

Presidente do TSE, Nunes Marques (à dir.), e presidente da Câmara, Hugo Motta, durante abertura da exposição “O Caminho do Voto”, na Câmara dos Deputados — Foto: Poder360
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