Número de pessoas tratando esclerose múltipla no SUS cresce 26% em 4 anos
A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central. O sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, estrutura que envolve e protege os neurônios, prejudicando a transmissão dos impulsos nervosos. Como consequência, surgem inflamações e lesões no cérebro e na medula espinhal, que podem causar alterações na visão, fraqueza muscular, dificuldade para caminhar, fadiga, entre outros sintomas. Leia mais (09/10/2026 - 20h00)

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A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central. O sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, estrutura que envolve e protege os neurônios, prejudicando a transmissão dos impulsos nervosos. Como consequência, surgem inflamações e lesões no cérebro e na medula espinhal, que podem causar alterações na visão, fraqueza muscular, dificuldade para caminhar, fadiga, entre outros sintomas.

O acesso a diagnóstico e tratamento no Brasil vem mudando nos últimos anos. É o que mostra um estudo liderado por médicos do Einstein Hospital Israelita e pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), também do Einstein, publicado na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders , com dados de 27 mil pacientes atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) entre 2019 e 2023.
Nesse período, o número de pessoas em tratamento cresceu 25,9%. "Observamos que a prescrição de medicações de alta eficácia aumentou em todas as regiões do Brasil, mas de forma desigual e heterogênea", relata a neurologista Lívia Almeida Dutra, líder do estudo e coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein.
O tratamento da esclerose múltipla é feito com moduladores do sistema imunológico, que reduzem a capacidade do corpo de atacar a bainha de mielina.

Até a atualização do protocolo clínico nacional do SUS, em 2021, esses remédios não podiam ser dados no início do tratamento e era preciso passar primeiro por medicações de baixa eficácia. Com a mudança do protocolo, foi possível indicar drogas de alta eficácia mais precocemente, estratégia que ajuda a preservar a qualidade de vida dos pacientes.
Tal realidade, entretanto, é menos presente conforme se analisam diferentes regiões do país, com menor prescrição de medicações de alta eficácia em alguns estados.
"Os motivos para a heterogeneidade da prescrição ainda precisam ser explorados, e podem envolver dificuldade na rede de atendimento para execução de exames mais detalhados, centros para infusão de medicações e problemas na dispensação do medicamento", diz Dutra. Segundo ela, estrutura e treinamento são essenciais para avançar ainda mais.

Conseguir detectar a esclerose múltipla precocemente é outro desafio. "A demora no diagnóstico ocorre pela demora na realização de exames complementares, como a ressonância magnética de crânio, que é o principal exame que comprova a presença das lesões cerebrais e medulares", analisa a neurologista Claudia Vasconcelos, da ABN (Academia Brasileira de Neurologia).
Os sintomas dependem de onde a inflamação ocorre, ou seja, em que área os neurônios estão sendo atacados. As manifestações podem ser de ordem motora, neurológica ou funcional, como perda de força nos membros, equilíbrio, visão e controle do esfíncter.
"Alguns sintomas ainda são interpretados erroneamente na atenção básica como ansiedade ou associados a causas ortopédicas, e os pacientes não são direcionados ao neurologista", pontua Vasconcelos, que é professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Para ela, seria importante ampliar o acesso a exames de ressonância magnética e à análise do líquor, fundamentais para confirmar o diagnóstico, além de medicações e exames de biomarcadores, que ajudam a avaliar a progressão da doença e a resposta ao medicamento.
"Também é fundamental que médicos da atenção básica tenham maior conhecimento sobre a esclerose múltipla e possam agir para o diagnóstico ser feito antes dos sucessivos surtos da doença", diz Vasconcelos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/numero-de-pessoas-tratando-esclerose-multipla-no-sus-cresce-26-em-4-anos.shtml.

UBS Vila Santana, no bairro de Itaquera, na zona leste de São Paulo - Adriano Vizoni - 4.abr.24/Folhapress · Adriano Vizoni - 4.abr.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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