Brasil

    Número de eleitores idosos cresce 30% no DF, enquanto o de jovens cai 39%

    A diminuição do voto jovem no DF contrasta com candidaturas cada vez mais velhas. Apenas a corrida ao GDF foge da tendência

    Metrópoles
    29 de agosto de 2026 às 05:44
    Número de eleitores idosos cresce 30% no DF, enquanto o de jovens cai 39%
    Foto: Metrópoles

    O eleitorado jovem do Distrito Federal, na faixa de 16 e 17 anos, em que o voto não é obrigatório, caiu em relação às eleições de 2022. A retração foi de 38,7%, índice que deixa o DF em posição inferior à média nacional no voto facultativo. No país, a adesão desses jovens ao sistema eleitoral também diminuiu, mas em um patamar menor, de 14,5%.

    Em contrapartida, os idosos com título de eleitor regularizado mantêm uma tendência de crescimento. De 2022 para 2026 foi registrada uma alta de 30%. Os dois públicos retratados nesses dados possuem uma coisa em comum: o voto facultativo.

    No Distrito Federal, a idade média dos candidatos aumentou em comparação a 2022. Nas últimas eleições, a média de idade dos candidatos ao senado, por exemplo, era de 53,5 anos. Já em 2026, a média é de 59,3 anos. Segundo Henrique Hellas, cientista político, o aumento da idade média dos candidatos e a falta de engajamento eleitoral dos jovens são fenômenos que possuem causas diferentes, mas que não são independentes um do outro.

    Otávio Brito/METRÓPOLES
    Otávio Brito/METRÓPOLES — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “O envelhecimento dos candidatos, ele vem da lógica interna dos partidos, então eu sempre avalio tempo de filiação, capacidade de recurso, campanha, capacidade de arrecadação e estrutura de poder já consolidada. Quando a gente olha para a queda do eleitorado jovem, ela vem de uma outra raiz, e está mais ligada ao comportamento e a demografia. Também existe uma descrença muito grande nas instituições como um todo, e como o voto nessa faixa etária é facultativo, quem não se sente motivado simplesmente não vai tirar o título para participar”, explicou.

    Mas esse comportamento de aumento de idade não é uniforme entre os cargos. Se por um lado o eleitorado jovem caiu e os candidatos a vários cargos envelheceram em quatro anos, a disputa mais visível do Distrito Federal, a de governador, foi na contramão: f icou 4% mais jovem . Em 2022, a média de idade era de 53,3 anos, já em 2026 a média de idade é de 51,1 anos.

    Hellas explica que esse dado precisa ser lido com cautela, já que diferente de outros cargos, que contam com um grande número de candidatos e diluem a média de idade, a disputa para o Governo do Distrito Federal (GDF) tem apenas 11 candidatos, o que torna esse dado uma peculiaridade, e não necessariamente uma tendência.

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em novembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em parceria com os TRE’s lançou a campanha “Votar é a nossa cara”, visando estimular os jovens a partir dos 15 anos de idade a emitir o título de eleitor. A iniciativa buscou movimentar as redes sociais do TSE, e trouxe figuras públicas para gerar identificação com os eleitores jovens: O DJ Alok e os podcasters Mítico e Igão, do Podpah, eram os rostos da campanha.

    Segundo Henrique Hellas, embora as campanhas pontuais do TSE tenham gerado resultados reais e positivos na atração de jovens eleitores em anos de eleições presidenciais polarizadas, esse modelo de engajamento não se sustenta a longo prazo.

    “Em 2024, na semana do jovem eleitor, ele triplicou o número de adolescentes tirando o título: foram mais 64 mil títulos novos em relação a 2020. E, em 2022, com campanhas que envolviam artistas como Anitta, influenciadores e afins, o país ganhou mais de 2 milhões de novos eleitores jovens. Quando a gente pega um ano de eleição municipal, você tem uma queda enorme desse engajamento, e justamente porque os temas nacionais perdem força”, afirmou. O cenário para 2030 pode ser diferente Para Guilherme Augusto Mota, especialista em direito eleitoral, esse cenário pode, a partir de 2030, deixar a política menos conectada com a realidade dos jovens, e tirar da pauta temas importantes para as novas gerações. “Existe um efeito de longo prazo e o voto é um hábito político. Quanto mais tarde ocorre o primeiro contato com a eleição, mais frágil pode ser esse vínculo futuro com a democracia representativa. E não se trata aqui de apenas perder votos de jovens em uma eleição, mas de enfraquecer a formação dessa nova geração de eleitores e lideranças”, afirmou.

    Número de eleitores idosos cresce 30% no DF, enquanto o de jovens cai 39%
    Número de eleitores idosos cresce 30% no DF, enquanto o de jovens cai 39% — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para o especialista, o engajamento politico não pode ser construído apenas em ano eleitoral.

    Imagem da matéria
    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Imagem da matéria
    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/numero-de-eleitores-idosos-cresce-30-no-df-enquanto-o-de-jovens-cai-39.

    Imagem 1
    1 / 5

    Otávio Brito/METRÓPOLES — Foto: Metrópoles

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)