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    Novos livros obrigatórios da Fuvest elevam exigência interpretativa de candidatos

    Vestibular deste ano traz Clarice Lispector e nova obra de Sophia de Mello Breyner Andresen

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    10 de agosto de 2026 às 10:00
    Novos livros obrigatórios da Fuvest elevam exigência interpretativa de candidatos
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    A Fuvest priorizou a produção literária feminina em sua seleção dos livros exigidos para as provas de 2026 a 2028. Após a estreia da proposta no ano passado, os candidatos que pretendem prestar o vestibular da USP neste ano devem se atentar para as mudanças.

    Movimentação e chegada dos candidatos para a primeira fase da Fuvest, vestibular da USP - Felipe Iruatã - 23.nov.25/Folhapress · Felipe Iruatã - 23.nov.25/Folhapress
    Movimentação e chegada dos candidatos para a primeira fase da Fuvest, vestibular da USP - Felipe Iruatã - 23.nov.25/Folhapress · Felipe Iruatã - 23.nov.25/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Com escritoras do Brasil, de Portugal e de Moçambique, ao todo são nove obras de língua portuguesa de diferentes épocas e gêneros, como romance, conto e poesia . A diversidade demonstra uma intenção de ampliar o repertório de leitura dos estudantes e estimular a análise de diferentes recursos narrativos, linguísticos e estéticos e de compreensão do uso da língua portuguesa em sociedades distintas, cobrados no exame. Isso se reforça com a substituição de duas obras por outras que exigem dos estudantes uma preparação bem estruturada.

    "São dois livros de leitura desafiadora, experimentais, vanguardistas", diz Danislau, professor de literatura e língua portuguesa do curso pré-vestibular CPV Educacional.

    Presente na seleção anterior, a poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen permanece na lista , mas com outra obra. "O Cristo Cigano", marcado pelo rigor formal, sob a influência da poesia de João Cabral de Melo Neto, dá lugar a "Geografia", uma produção aberta à experiência do mundo.

    Especialistas explicam como conciliar leituras obrigatórias do vestibular
    Especialistas explicam como conciliar leituras obrigatórias do vestibular — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "De um livro mais curto e que apresenta uma espécie de narrativa, seguimos para um livro mais sofisticado do ponto de vista de leitura, de interpretação", analisa Tatiana Mascarenhas, professora de literatura do Curso Anglo.

    "É um livro muito rico, com uma parte dedicada ao universo da mitologia grega, à ditadura de Salazar em Portugal e ao Brasil, inclusive ao Manuel Bandeira, que é uma influência para a Sofia também. Ela é uma autora importante para discutir política, sociedade e a própria literatura brasileira", completa.

    Na segunda mudança, "As Meninas", de Lygia Fagundes Telles , dá espaço para "A Paixão Segundo G.H.", de Clarice Lispector .

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    Sesi — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Não é um livro de fruição imediata, mas de leitura lenta. É uma obra que demanda tempo. Um romance sobre uma descoberta que a personagem G.H. faz a respeito do seu self, do seu ser, do si", aponta Danislau. Para o professor, Clarice abre um campo para reflexões que permitem relações intertextuais e interdiscursivas com textos do universo da filosofia. Segundo Mascarenhas, a personagem "G.H. vai passar por um longo processo, em que descobre que ela estava coberta de camadas de humanidade".

    Os dois livros continuam na lista de obras obrigatórias do vestibular 2028, o último com autoras exclusivamente mulheres. "Geografia" ainda aparece na seleção para 2029.

    Entre permanência de autoras e renovação de leituras, as novas obras reforçam a conexão da literatura com outras áreas do conhecimento. Por isso, tanto a seleção de obras quanto a maneira como os conteúdos são abordados nas provas revelam uma banca criteriosa da Fuvest , que privilegia um nível de leitura próprio do universo acadêmico.

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    FB Online — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "No ano passado, a Fuvest trouxe um grau de sofisticação muito maior do que o esperado para uma prova de literatura de primeira fase, articulando com filosofia, com sociologia... Não foi uma prova simples. A Fuvest quer, de fato, selecionar pensando no que o ensino superior vai exigir desses estudantes", alerta Mascarenhas.

    Ambos os livros são abertos a diferentes interpretações, que convidam o leitor a construir sentidos e que, por isso, não oferecem explicações definitivas. "Nem tudo a gente vai ter resposta. Podem significar muitas coisas. Como é, muitas vezes, nem toda literatura tem uma resposta fechada. Os vestibulandos terão que aceitar que precisarão pensar muitas vezes por si", analisa Mascarenhas.

    Para além de resumos, o ideal é o estudante adaptar a rotina de estudos para as leituras até a prova. "São leituras que irão exigir silêncio, celular distante. É rabiscar os livros, escrever, pensar e, mais do que isso, conversar sobre. São dois livros que, se a gente não dialoga sobre eles, empobrece bastante a leitura", orienta a professora do Anglo.

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    Uma maneira de tornar as leituras mais fluidas é recorrer também a textos de apoio, mesmo antes de encarar os dois livros. "Orientar-se, previamente, para que o estudante não fique com a sensação de que não está entendendo nada das duas obras", afirma Danislau.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/08/novos-livros-obrigatorios-da-fuvest-elevam-exigencia-interpretativa-de-candidatos.shtml.

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