Novo vaso, nova vida
De repente, a surpresa. Em meio ao noticiário envolvendo as trumpices do presidente Donald Trump, a primeira página do site do jornal The New York Times do dia 3 último oferecia uma reportagem intitulada "Mude a tampa de sua privada e mude seu estilo de vida". E, para atenuar o estupor do leitor, completava: "É sério". Secular leitor do jornal americano, nunca tinha visto título mais ousado desde o famoso " HOMENS CAMINHAM NA LUA ", de 21 de julho de 1969, enorme e em maiúsculas. Leia mais (08/23/2026 - 08h00)

Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras
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De repente, a surpresa. Em meio ao noticiário envolvendo as trumpices do presidente Donald Trump, a primeira página do site do jornal The New York Times do dia 3 último oferecia uma reportagem intitulada "Mude a tampa de sua privada e mude seu estilo de vida". E, para atenuar o estupor do leitor, completava: "É sério". Secular leitor do jornal americano, nunca tinha visto título mais ousado desde o famoso " HOMENS CAMINHAM NA LUA ", de 21 de julho de 1969, enorme e em maiúsculas.
Os americanos têm uma relação complicada com banheiros, inclusive por não saberem muito bem para que servem certos apetrechos. Em 1924, os chiques Zelda e Scott Fitzgerald hospedaram-se no Ritz, em Paris, com sua filha Scottie, de dois anos. Ao ver um bidê, acharam que era uma banheira infantil e o usaram para dar banho em Scottie.
Muito depois, em 1959, ao filmar "Psicose", Hitchcock queria mostrar Anthony Perkins espremendo no vaso o pano sujo do sangue de Janet Leigh, que ele acabara de matar, e dando a descarga. Os censores acharam normal Janet ser esfaqueada no box, mas implicaram com a água rodopiando no vaso e descendo. Só a custo permitiram —e, pela primeira vez no cinema americano, viu-se uma privada na tela.

Nesse sentido, a reportagem do NYT, assinada por Ivy Elrod, especialista em assuntos domésticos, é um avanço espetacular. Ivy sugere que, ao nos mudarmos para um novo apartamento ou casa, é tão importante trocar o vaso sanitário deixado pelo ex-morador quanto as chaves. E dá dicas sobre o formato do vaso a ser colocado, ensinando que tanto faz que seja redondo ou oval, já que o mais importante é o seu próprio formato. Ou seja, se você se sente bem sentado nele. Quanto ao material da tampa —plástico ou madeira?—, ela é francamente favorável a esta última, de preferência, sólida, de lei, e regulada para exigir certa pressão ao ser fechada.
Já por que o novo vaso mudará sua vida, Ivy não explica bem. Mas subentende-se que, ao se sentar nele com frequência, você terá muito tempo para descobrir.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/novo-vaso-nova-vida.shtml.

De Maurizio Cattelan, a obra 'America', um vaso sanitário funcional feito de ouro 18 quilates - Eduardo Munoz - 7.nov.25/Reuters · Eduardo Munoz - 7.nov.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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