Política

    Novo recorre ao STF para tirar Andrei do comando da PF

    Partido afirma que presidente do STF interferiu em julgamento já iniciado pela 2ª Turma e pede retomada da análise da cautelar

    Poder360
    14 de setembro de 2026 às 21:13
    Novo recorre ao STF para tirar Andrei do comando da PF
    Foto: Poder360

    Partido afirma que presidente do STF interferiu em julgamento já iniciado pela 2ª Turma e pede retomada da análise da cautelar

    O Partido Novo pediu ao Supremo Tribunal Federal que revogue a decisão do presidente da Corte, Edson Fachin, que suspendeu uma determinação do ministro André Mendonça para afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa . Eis o documento na íntegra (PDF – 4,3Mb).

    O principal argumento do Novo é que Fachin não poderia ter suspendido a decisão de Mendonça porque a medida já estava sob análise da 2ª Turma do STF.

    O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) durante coletiva ao lado de parlamentares do partido, nesta 2ª feira (9.mar.2026) para anunciar e protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexa
    O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) durante coletiva ao lado de parlamentares do partido, nesta 2ª feira (9.mar.2026) para anunciar e protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexa — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O julgamento da cautelar começou em sessão virtual extraordinária em 8 de setembro. Os ministros Nunes Marques e Luiz Fux já haviam apresentado seus votos quando Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a análise.

    Para o Novo, a decisão da Presidência do STF acabou interferindo em um julgamento que já havia sido iniciado pelo colegiado. A legenda afirma que a suspensão de liminar é uma medida excepcional e não deve substituir a atuação da Turma.

    A decisão de Mendonça foi tomada em 8 de setembro, na Petição 16.662/DF, apresentada pelo Novo no contexto das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero e ao Banco Master.

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    O partido havia pedido medidas para preservar a independência e a efetividade das investigações e solicitou a prisão preventiva de Andrei. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF e de Leandro Almada.

    O ministro também determinou que a Corregedoria da PF abrisse investigações criminal e administrativo-disciplinar e suspendeu a produção, elaboração e compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados no exercício de funções judiciais, de advocacia pública e de polícia judiciária.

    No dia seguinte, Flávio Dino determinou o retorno de Andrei e Leandro aos cargos. A decisão foi tomada em outro processo, depois de um pedido apresentado por Andrei.

    Fachin considerou que a decisão de Dino havia criado um conflito entre posições judiciais e suspendeu a determinação do ministro. Na mesma decisão, porém, também invalidou a cautelar de Mendonça .

    O Novo sustenta que, depois que Fachin suspendeu a decisão de Dino, deixou de existir a razão apontada para suspender também a decisão de Mendonça.

    No recurso, o partido pede que Fachin reconsidere a decisão de 9 de setembro e restabeleça a cautelar de Mendonça.

    Caso isso não aconteça, pede que o agravo seja levado ao colegiado e que a 2ª Turma retome e conclua a análise da Petição 16.662.

    A legenda também pede que o STF reconheça sua condição de terceiro diretamente prejudicado e de assistente da acusação no processo.

    De forma subsidiária, caso a Corte mantenha parte da suspensão, o Novo pede que ela fique limitada ao afastamento de Andrei e Leandro até que a 2ª Turma conclua o referendo.

    Nesse cenário, o partido quer preservar duas outras determinações de Mendonça: a investigação da Corregedoria da PF e a suspensão da produção e do compartilhamento dos relatórios de inteligência.

    O Novo afirma que a Petição 16.662 não surgiu a partir dos 6 relatórios de inteligência que passaram a integrar o conflito entre os ministros.

    Segundo a legenda, a petição apresentada em 2 de setembro já tratava de fatos relacionados a Andrei e à Operação Compliance Zero. Por isso, sustenta que a cautelar de Mendonça tem objeto mais amplo do que a discussão sobre os relatórios.

    No agravo, o partido afirma que os documentos de inteligência envolvem possível coleta direcionada de informações sobre ministros do STF e integrantes da AGU (Advocacia-Geral da União).

    A legenda diz ainda que os relatórios analisavam atividades relacionadas às funções judicial, de advocacia pública e de polícia judiciária.

    O Novo menciona informações sobre representações policiais e medidas investigativas e cautelares que deveriam permanecer sob sigilo. Entre os casos citados estão os de Antonio Rueda e ACM Neto . Segundo o partido, a divulgação dessas informações poderia ter alertado potenciais alvos e comprometido investigações.

    O partido sustenta que a permanência de Andrei e Leandro nos cargos pode representar risco para as próprias investigações.

    Segundo o documento, os 2 voltariam a comandar estruturas da PF enquanto são alvo de medidas determinadas por Mendonça. A legenda afirma que isso permitiria acesso a sistemas, servidores e documentos relacionados às apurações.

    O Novo também argumenta que o afastamento não provocaria paralisação da Polícia Federal, porque haveria substitutos para exercer as funções.

    Outro ponto central do recurso do Novo é a alegação de que a Suspensão de Liminar (SL) não pode funcionar como substituto de recurso contra decisão de outro ministro do STF.

    O Novo cita precedentes nos quais a Presidência da Corte utilizou a suspensão para preservar a competência de um colegiado que ainda não havia começado a analisar determinada questão.

    Para a legenda, o caso de Mendonça é diferente porque a 2ª Turma já havia iniciado o julgamento quando Fachin suspendeu a decisão.

    O partido afirma ainda que o pedido de vista de Gilmar Mendes é um procedimento regular e não significa que o julgamento tenha sido encerrado. Por isso, defende que a Turma deve retomar a análise e decidir sobre a manutenção ou não da cautelar.

    No pedido final, o Novo requer que o STF restabeleça a decisão de Mendonça ou, caso isso não ocorra, que a 2ª Turma conclua o referendo da medida.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/novo-recorre-ao-stf-para-tirar-andrei-do-comando-da-pf/.

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    O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) durante coletiva ao lado de parlamentares do partido, nesta 2ª feira (9.mar.2026) para anunciar e protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexa — Foto: Poder360

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