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    'Novo PIB' somente em 2028: um adiamento que deve ser bem aproveitado

    a semana passada, escrevi aqui que a nova série do Sistema de Contas Nacionais, com ano-base 2021, deveria ser publicada entre o fim deste ano e o início de 2027. Poucos dias depois, o IBGE publicou ...

    UOL
    17 de setembro de 2026 às 22:00
    'Novo PIB' somente em 2028: um adiamento que deve ser bem aproveitado
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    Doutorando em economia da FGV EESP, mestre em economia na FEA-USP, é diretor da LCA Consultores e pesquisador-associado do FGV Ibre

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    IBGE completa 90 anos
    IBGE completa 90 anos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na semana passada, escrevi aqui que a nova série do Sistema de Contas Nacionais, com ano-base 2021, deveria ser publicada entre o fim deste ano e o início de 2027. Poucos dias depois, o IBGE publicou uma segunda versão da Nota Metodológica nº 1, que passa a prever o lançamento "para 2028", e a Nota Metodológica nº 2, sobre o consumo das famílias —a primeira, em quase um ano, a tratar de um tema específico do novo sistema.

    Pode soar estranho, mas o adiamento é, em certa medida, bem-vindo. Até aqui, o projeto do novo Sistema de Contas Nacionais contava com uma única nota de seis páginas, sem detalhamento ou quantificação das mudanças —e nenhum seminário foi realizado junto aos usuários.

    Divulgar em poucos meses uma série que, como estimei, deve elevar o nível do PIB nominal em ao menos 4% a 5% —com efeitos sobre dívida/PIB, carga tributária e PIB per capita— sem que mercado, academia, Banco Central e Tesouro pudessem compreender as mudanças seria uma receita para interpretações equivocadas.

    Editoria de Arte/Folhapress · Editoria de Arte/Folhapress
    Editoria de Arte/Folhapress · Editoria de Arte/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A nova nota promete seminários técnicos e notas adicionais "ao longo dos próximos meses", e ambos os documentos saíram como "versão para informação e comentários", com e-mail para sugestões. É um passo na direção certa, ainda que tardio.

    O adiamento também abre uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada.

    A nota nº 2 confirma que o consumo das famílias em 2021, o ano-base, será estimado a partir da estrutura de consumo/produtos da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-18, projetada por um modelo que combina os pesos da pesquisa com a renda das famílias apurada na PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). Para os anos seguintes, repete-se o procedimento, produto a produto, deflacionando pelos itens do IPCA .

    Gráfico de barras horizontais mostra a variação percentual do PIB no segundo trimestre de 2026 em relação ao ano anterior. Irlanda lidera com crescimento de 3,9%, seguida por Israel com 3,6%. Brasil apresenta o menor crescimento listado, co
    Gráfico de barras horizontais mostra a variação percentual do PIB no segundo trimestre de 2026 em relação ao ano anterior. Irlanda lidera com crescimento de 3,9%, seguida por Israel com 3,6%. Brasil apresenta o menor crescimento listado, co — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ou seja, o vetor de consumo do novo ano-base, 2021, não é observado, mas modelado a partir de uma cesta de bens e serviços de quase uma década atrás –anterior à pandemia e à explosão do ecommerce, do streaming, dos aplicativos de entrega e das bets, que praticamente inexistiam em 2017-18 e sobre os quais a nota nada diz. Um modelo que projeta pesos antigos pela evolução da renda não "enxerga" produtos que não estavam na cesta original. Vale lembrar que o consumo das famílias responde por mais de 60% do PIB, sob a ótica da demanda.

    A POF 2024-25 já foi coletada e deverá ser divulgada nos próximos meses. Com o lançamento do "novo PIB" adiado para 2028, há tempo hábil para incorporá-la. Insistir na utilização da POF 2017-18 significaria lançar, em 2028, uma série já nascida defasada e que, em tese, só seria atualizada na próxima mudança de base, na década de 2030.

    De todo modo, adiar tem custos, e eles precisam ser explicitados. A divulgação das Tabelas de Recursos e Usos (TRUs) e das Contas Econômicas Integradas (CEIs) completas está suspensa desde novembro de 2024, e a última leitura definitiva do PIB refere-se a 2021. Se nada mudar, chegaremos a 2028 sem nenhuma conta definitiva posterior a 2021 –e, quanto mais anos preliminares se acumulam, maior tende a ser o acréscimo do PIB nominal quando a nova série chegar.

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    O IBGE deveria esclarecer se as estimativas de 2022 em diante sob o marco atual seguirão preliminares até lá ou se as contas definitivas de 2022 a 2024, cujas pesquisas estruturais já estão disponíveis, serão publicadas ainda na Referência 2010. E deveria, no mínimo, divulgar um cronograma das notas metodológicas e dos seminários, a exemplo do que fez entre 2013 e 2015, quando promoveu encontros com usuários e publicou cerca de duas dezenas de notas antes da Referência 2010.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/braulio-borges/2026/09/novo-pib-somente-em-2028-um-adiamento-que-deve-ser-bem-aproveitado.shtml.

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