Novo mapa mostra a África maior e questiona uma visão do mundo usada há mais de quatro séculos
ONU aprova a substituição do mapa de Mercator pelo Equal Earth para revelar o tamanho real do continente africano O post Novo mapa mostra a África maior e questiona uma visão do mundo usada há mais de quatro séculos apareceu primeiro em Olhar Digital .

Um novo mapa-múndi está colocando em dúvida uma representação do planeta usada há séculos. A projeção Equal Earth mostra a África em proporções mais próximas de sua área real e reduz distorções presentes no tradicional mapa de Mercator .
A discussão ganhou força após uma resolução apresentada pelo Togo na ONU para eliminar gradualmente o uso da projeção tradicional e adotar uma representação que mostre melhor a escala dos territórios. A decisão não é obrigatória e envolve também a maneira como percebemos tamanho, poder e território.
A projeção de Mercator aumenta visualmente as regiões próximas aos polos e reduz proporcionalmente aquelas próximas ao Equador . Por isso, a África aparece menor, enquanto América do Norte e Eurásia ocupam mais espaço em relação à área real.

Na comparação com o mapa tradicional, o Equal Earth mostra a África ocupando quase o dobro da proporção de área terrestre. Para quem cresceu vendo a mesma representação, a diferença pode causar estranhamento.
Eromo Egbejule, correspondente do The Guardian na África Ocidental, considera que a questão é científica, e não uma imposição ideológica. “Esta é uma discussão científica. Não é uma imposição.”
A distorção também aparece na representação da Groenlândia. No mapa de Mercator, a ilha parece ter tamanho semelhante ao da África, embora seja 14 vezes menor.

O texto relata que o interesse de Donald Trump pela Groenlândia teria sido influenciado pelo tamanho exagerado da ilha na projeção tradicional. Trump chegou a descrevê-la como “massiva”.
Entre os principais pontos do debate estão:
Para Egbejule, a importância da iniciativa está no precedente que ela pode criar. Ele cita dois provérbios em pidgin: “toda dança começa com uma palma” e “são os grãos de arroz que enchem a panela”.

O debate se soma a outras iniciativas que questionam interpretações históricas e culturais estabelecidas. O texto menciona uma resolução da ONU sobre o tráfico transatlântico de escravizados, também apresentada por um país africano.
A representação dos territórios, nesse debate, também ganha significado simbólico. Segundo a análise apresentada, a maneira como os países aparecem nos mapas pode reforçar associações entre tamanho territorial, importância econômica e poder político.
A questão aparece ainda em meio às preocupações com redes sociais e inteligência artificial, que influenciam a maneira como informações e acontecimentos são percebidos.

A Africa No Filter, organização participante da campanha pela mudança dos mapas, resumiu a questão: “Se erramos algo tão básico quanto o tamanho da África durante tanto tempo, o que mais sobre a África simplesmente aceitamos sem questionar?”
O território não muda quando a projeção muda. O que muda é a forma de representá-lo — e, com ela, uma referência visual que ajudou a formar a imagem do mundo para várias gerações.
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Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/16/ciencia-e-espaco/novo-mapa-mostra-a-africa-maior-e-questiona-uma-visao-do-mundo-usada-ha-mais-de-quatro-seculos/.

África no mapa-múndi tradicional baseado na projeção de Mercator (à esquerda) e no mapa Equal Earth de 2018 (à direita) – Imagem: equal-earth.com — Foto: Olhar Digital
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