Novo 'Halo' leva símbolo do Xbox ao PlayStation em momento de crise
Uma nave espacial sob cerco cai em um planeta mecânico em formato de anel, e um supersoldado precisa descobrir o que há por lá. Master Chief, o personagem-símbolo dos tempos áureos do Xbox, acorda, segue em frente e, milhares de alienígenas depois, só para nos créditos. Leia mais (08/25/2026 - 13h00)

Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos
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Uma nave espacial sob cerco cai em um planeta mecânico em formato de anel, e um supersoldado precisa descobrir o que há por lá. Master Chief, o personagem-símbolo dos tempos áureos do Xbox, acorda, segue em frente e, milhares de alienígenas depois, só para nos créditos.
"Halo: Campaign Evolved", lançado em julho deste ano, é mais o segundo remake de "Halo: Combat Evolved", que estreou em 2001 junto do primeiro Xbox e ainda hoje é uma referência nos jogos de tiro em primeira pessoa.
É também o início de uma franquia que, por quase 25 anos, foi associada aos consoles da marca e agora chega pela primeira vez ao PlayStation.

Agora em gráficos 4K e com ray tracing, Master Chief repete sua exaustiva missão de combater alienígenas e desvendar os segredos por trás da estrutura. Além da atualização visual e das melhorias mecânicas, o que mais impressiona aqui é a capacidade que o jogo original já tinha de fazer muito com pouco.
Agilidade sempre foi sinônimo de "Halo", mas aqui o ritmo de ação também se beneficia do dinamismo trazido por "Doom" (2016) e suas sequências, hoje igualmente sob o guarda-chuva dos estúdios Xbox. O combate vai além do teste de pontaria, exigindo também equilibrar posicionamento, precisão e estratégia.
Avançar indiscriminadamente sobre as hordas alienígenas é tentador, mas nem sempre a melhor opção. Há um pequeno medidor de vida e outro, maior, de escudo, ambos sujeitos a recarga. Por isso, há uma tensão na necessidade de saber quando atacar e quando recuar.

A mesma contenção aparece na estrutura. São poucas missões, curtas e lineares, sem árvores de habilidades, sistemas de personalização nem dezenas de equipamentos. A campanha dura menos de dez horas e não precisa encher o mapa de tarefas para se justificar.
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A variedade está nos próprios espaços. Pântanos, montanhas congelantes, praias, naves e estruturas futuristas se sucedem, cada um com identidade própria.

O remake potencializa esses tons individuais com novos efeitos de iluminação, texturas e animações, favorecidos após a mudança do motor de jogo para a Unreal Engine, da Epic Games . Trata-se de um avanço gráfico significativo quando comparado aos visuais lavados e cartunescos da segunda versão do jogo, o "Halo: Combat Evolved Anniversary" (2011), de Xbox 360.
Há missões claustrofóbicas, outras marcadas pela vastidão dos mapas e momentos de batalha aberta que remetem a "Tropas Estelares" (1997), mas distantes da ironia do filme de Paul Verhoeven.
Isso porque nem tudo envelheceu tão bem. Os personagens ainda carregam a ingenuidade de um blockbuster de videogame que ajudava a estabelecer as convenções dos videogames. A narrativa é simples e Master Chief ainda está longe de algum desenvolvimento que teria nas sequências —e sua importância para o imaginário do Xbox só se explica pelo que a franquia faria depois.

Mas essa ingenuidade garante algum charme ao combinar ficção científica militar, uma certa grandiloquência americana e o entusiasmo de uma indústria que ainda descobria as possibilidades das experiências tridimensionais mais cinematográficas.
A chegada do Flood, enxame alienígena que transforma a campanha em uma espécie de horror espacial, é um dos melhores momentos. Corredores infestados de parasitas e criaturas grotescas dão uma chacoalhada no jogo, aproximando-o de "Aliens: O Resgate" (1986) sem perder o tom mais aventuresco da primeira metade.
É significativo que um jogo de 2001 pareça renovador por dispensar boa parte das extravagâncias que se tornaram padrão nos grandes lançamentos, mostrando que profundidade mecânica não depende necessariamente de quantidade.

A ironia é que essa lembrança do que o Xbox tinha de melhor chega quando a marca atravessa um de seus períodos mais conturbados, marcado por levas de demissões em massa. O próprio Halo Studios é resultado de uma reorganização recente da Microsoft , que tem optado no último ano por reduzir a exclusividade de suas principais franquias.
Master Chief, que por anos foi símbolo de uma época em que comprar um Xbox significava ter acesso a jogos específicos, chega ao console da Sony em uma versão definitiva. Quer dizer, ao menos até decidirem refazer o jogo mais uma vez.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/novo-halo-leva-simbolo-do-xbox-ao-playstation-em-momento-de-crise.shtml.

Cena do game 'Halo: Campaign Evolved', remake do primeiro jogo da franquia, de 2001 - Divulgação Xbox · Divulgação Xbox — Foto: Folha de S.Paulo
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