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    Novo dinossauro com penas pode mudar o que sabemos sobre a origem do voo

    Batizado de Norellraptor barsboldi, o animal media cerca de 57 centímetros e viveu entre 120 milhões e 125 milhões de anos atrás, durante o Cretáceo Inferior O post Novo dinossauro com penas pode mudar o que sabemos sobre a origem do voo apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    29 de setembro de 2026 às 17:51
    Novo dinossauro com penas pode mudar o que sabemos sobre a origem do voo
    Foto: Olhar Digital

    Um novo dinossauro com penas encontrado no nordeste da China está ajudando cientistas a entender melhor como surgiram algumas das características associadas ao voo entre os parentes mais próximos das aves.

    Batizado de Norellraptor barsboldi , o animal media cerca de 57 centímetros e viveu entre 120 milhões e 125 milhões de anos atrás , durante o Cretáceo Inferior. O fóssil está quase completo e preserva partes da plumagem, algo raro e valioso para reconstruir a anatomia desses pequenos dinossauros.

    O estudo, publicado nesta terça-feira (29) na revista Nature Communications , indica que os microraptoríneos , grupo ao qual o novo dinossauro pertence, e as aves desenvolveram diversas características semelhantes. A diferença é que essas mudanças surgiram em ordens distintas ao longo da evolução.

    Fóssil de Norellraptor barsboldi – Imagem: Andrea Cau et al./Nature Communications (2026)
    Fóssil de Norellraptor barsboldi – Imagem: Andrea Cau et al./Nature Communications (2026) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para os autores, isso enfraquece a ideia de que os dois grupos herdaram de um ancestral comum um mesmo conjunto de estruturas relacionadas ao voo.

    “Os resultados descartam um padrão de desenvolvimento compartilhado por trás da evolução dos dinossauros voadores e apoiam múltiplos processos seletivos independentes na origem dos grupos alados”, afirmam os autores no estudo.

    Os microraptoríneos eram pequenos dinossauros predadores com penas que viveram principalmente no atual nordeste da China. Alguns deles tinham penas longas nos braços e também nas pernas, característica que há anos alimenta o debate sobre como diferentes formas de locomoção aérea surgiram entre esses animais.

    Bandeira da China
    Bandeira da China — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Durante muito tempo, os paleontólogos discutiram se a capacidade de voar ou planar teria surgido uma única vez no ancestral comum de aves e microraptoríneos ou se características necessárias para esse tipo de locomoção poderiam ter evoluído de maneira independente.

    Para os pesquisadores, a diferença na sequência sugere que os dois grupos podem ter chegado a soluções anatômicas semelhantes por trajetórias evolutivas independentes , em processo conhecido como evolução convergente.

    A comparação identificou 57 características morfológicas relacionadas ao voo compartilhadas entre os microraptoríneos e as aves primitivas, correspondentes a aproximadamente 30% dos traços físicos analisados.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O resultado não significa, porém, que a questão esteja definitivamente encerrada. A interpretação de que essas estruturas surgiram de maneira independente continua sendo debatida entre especialistas. O paleontólogo Jesús Marugán, da Universidade Autônoma de Madri, por exemplo, considerou que algumas das inferências sobre a origem dos mecanismos de voo são difíceis de comprovar.

    O exemplar foi encontrado perto de Lamadong, na província chinesa de Liaoning, por um agricultor local. Em 2023, o fóssil foi doado ao Museu da Universidade GEO de Hebei.

    O material veio da Formação Jiufotang , uma das regiões chinesas conhecidas pela excepcional preservação de fósseis. O espécime de Norellraptor barsboldi preservou partes da plumagem e apresenta aproximadamente 57 centímetros de comprimento , dos quais cerca de 32 centímetros correspondem à cauda.

    Fóssil de Norellraptor barsboldi – Imagem: Andrea Cau et al./Nature Communications (2026)
    Fóssil de Norellraptor barsboldi – Imagem: Andrea Cau et al./Nature Communications (2026) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A análise microscópica de um osso do antebraço também permitiu estimar a idade do animal. O padrão de crescimento indica que o Norellraptor tinha pelo menos três anos quando morreu .

    O estudo da estrutura microscópica dos ossos ainda revelou um padrão de crescimento diferente daquele observado nas aves voadoras atuais, outro elemento utilizado pelos pesquisadores para argumentar que as estruturas relacionadas ao voo dos microraptoríneos se desenvolveram por uma dinâmica própria.

    O nome da nova espécie também é uma homenagem. Norellraptor faz referência ao paleontólogo norte-americano Mark Norell , enquanto barsboldi homenageia o paleontólogo mongol Rinchen Barsbold . Os dois morreram em 2025 e tiveram papel importante nas pesquisas que ajudaram a estabelecer as relações evolutivas entre dinossauros terópodes e aves.

    Apesar do bom estado de preservação do fóssil, os autores afirmam que ainda são necessários novos exemplares e mais análises de crescimento ósseo para determinar se o padrão identificado no Norellraptor barsboldi também ocorreu em outros grupos de dinossauros próximos das aves.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/29/ciencia-e-espaco/novo-dinossauro-com-penas-pode-mudar-o-que-sabemos-sobre-a-origem-do-voo/.

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    Fóssil de Norellraptor barsboldi – Imagem: Andrea Cau et al./Nature Communications (2026) — Foto: Olhar Digital

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