Política

    Novo Congresso dificulta reeleição de Alcolumbre e Motta

    Presidentes da Câmara e do Senado chegam à eleição de 2027 com menos força política e mais rejeição; terão de negociar com bancadas mais à direita

    Poder360
    5 de outubro de 2026 às 04:13
    Novo Congresso dificulta reeleição de Alcolumbre e Motta
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    Presidentes da Câmara e do Senado chegam à eleição de 2027 com menos força política e mais rejeição; terão de negociar com bancadas mais à direita

    A eleição de 2026 deixou Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) diante de um Congresso diferente daquele que os levou às presidências da Câmara e do Senado em 2024.

    Os 2 já se movem para continuar no comando das Casas em 2027. Mas chegam à disputa com uma dificuldade adicional: a nova composição do Congresso será mais à direita, justamente depois de os 2 terem se aproximado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do pleito.

    Pres. Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre e da Câmara, deputado Hugo Motta, após almoço no Palácio da Alvorada, onde definiram a pauta de votação do Congresso Nacional antes do processo eleitoral
    Pres. Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre e da Câmara, deputado Hugo Motta, após almoço no Palácio da Alvorada, onde definiram a pauta de votação do Congresso Nacional antes do processo eleitoral — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Para Motta, a eleição trouxe ainda uma derrota familiar e uma queda expressiva na própria votação. Para Alcolumbre, o revés foi territorial: seu grupo perdeu o governo do Amapá e não conseguiu eleger nenhum dos 2 nomes que disputavam vagas no Senado .

    A partir de 2027, ambos terão de reconstruir pontes. E, para isso, terão de negociar com uma bancada de direita maior e mais desconfiada de suas relações com o governo.

    Motta foi reeleito deputado pela Paraíba, mas perdeu votos. Passou de 158.171, em 2022, para 124.334 –queda de 21,4%.

    Lula, Motta e Alcolumbre
    Lula, Motta e Alcolumbre — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O resultado ganha peso diante da aposta que fez na eleição do pai, Nabor Wanderley, para o Senado. Motta se aproximou de Lula e declarou apoio à reeleição do presidente. A expectativa era contar com o petista para fortalecer Nabor na disputa.

    Não aconteceu. Nabor terminou em 3º lugar, com 20,91% dos votos, atrás de João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB) –esse último apoiado por Lula.

    Agora, terá de negociar para tentar permanecer no comando da Casa. Mas a equação ficou mais difícil: Motta perdeu votos, não elegeu o pai para o Senado e terá de convencer uma Câmara mais à direita de que ainda pode representar seus interesses.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Alcolumbre também chega enfraquecido à disputa pela reeleição no Senado. No Amapá, seu aliado, o governador Clécio Luís (União Brasil), foi derrotado por Dr. Furlan (PSD). O grupo do novo governador ainda elegeu Rayssa Furlan, sua mulher, para o Senado. A outra vaga ficou com Lucas Barreto –ambos são adversários de Alcolumbre.

    Ele perdeu peso político. Chega à mesa de negociação menor do que há alguns meses.

    A isso se soma que, no Senado, Alcolumbre já tem um adversário: Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.

    A eleição ampliou a bancada de direita, justamente o campo que passou a criticar Alcolumbre por sua aproximação com Lula e pelo apoio a pautas como o fim da escala 6 X 1 e o fim da chamada taxa das blusinhas. Houve ainda a hesitação em dar início a processos contra ministros do STF.

    Com menos força no Amapá, Alcolumbre encontrará uma oposição maior e um adversário declarado. Terá de negociar com a direita sem romper a relação que manteve com o governo Lula.

    Motta e Alcolumbre chegam a 2027 com problemas diferentes, mas diante do mesmo desafio: um Congresso mais à direita e o ônus de terem se aproximado demais de Lula e, no caso de Alcolumbre, do STF.

    Os 2 ainda têm uma vantagem: ocupam as presidências das Casas e conhecem os caminhos da articulação política. Mas haverá menos margem de manobra. A relação com o Planalto, que ajudou a construir o poder de ambos, agora pode ser justamente uma das contas a pagar.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-congresso/novo-congresso-dificulta-reeleicao-de-alcolumbre-e-motta/.

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    Pres. Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre e da Câmara, deputado Hugo Motta, após almoço no Palácio da Alvorada, onde definiram a pauta de votação do Congresso Nacional antes do processo eleitoral — Foto: Poder360

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