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    Novas regras do Campo de Marte exigiram análise de mais de 1.000 projetos de prédios em SP

    Balanço divulgado pela Aeronáutica é o primeiro a indicar o aumento de projetos de prédios impactados pelas novas regras para construção em raio de até 20 quilômetros do Aeroporto Campo de Marte , em Santana, na zona norte de São Paulo . Leia mais (08/24/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 13:00
    Novas regras do Campo de Marte exigiram análise de mais de 1.000 projetos de prédios em SP
    Avião de pequeno porte com hélices decola sobre pista de aeroporto, com área verde e prédios residenciais ao fundo em dia claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Balanço divulgado pela Aeronáutica é o primeiro a indicar o aumento de projetos de prédios impactados pelas novas regras para construção em raio de até 20 quilômetros do Aeroporto Campo de Marte , em Santana, na zona norte de São Paulo .

    Decolagem de avião no Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo; aeródromo tem passado por obras de modernização após concessão à Pax Aeroportos - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress
    Decolagem de avião no Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo; aeródromo tem passado por obras de modernização após concessão à Pax Aeroportos - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A mudança nas regras para verticalização viabilizará a operação por instrumentos (IFR, na sigla em inglês) no aeródromo a partir de 15 de setembro.

    Ao todo, 1.081 projetos de empreendimentos precisaram passar por análise mais aprofundada de 16 de dezembro a 30 de junho, de acordo com o Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo). O montante representa 13% dos pedidos submetidos à avaliação na região.

    O total é 48,49% maior do que o registrado entre julho e 15 de dezembro de 2025 (728), quando as novas exigências não estavam em vigor. Esse crescimento é superior ao do total de pedidos, que subiu 27,9% e chegou a 8.187.

    Novo Campo de Marte: Veja como está aeroporto e entorno com obras de modernização
    Novo Campo de Marte: Veja como está aeroporto e entorno com obras de modernização — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As novas exigências envolvem especialmente a diferença de altura do Campo de Marte em relação ao restante da cidade. Como está localizado em área baixa, a 723 metros do nível do mar, projetos a até 20 quilômetros estão sujeitos à análise técnica se a soma da altitude do terreno e da altura do empreendimento superar 827,49 metros, número determinado a partir de regramento federal.

    Segundo comunicado da FAB (Força Aérea Brasileira), o balanço demonstra que a análise é criteriosa e que tem garantido a harmonia entre o crescimento urbano e a segurança operacional. Normativa do setor aponta prazo de 30 dias para avaliação básica, com adicional de 60 dias quando constatada necessidade de análise mais aprofundada e prolongamento maior em outras situações.

    Organizações do setor imobiliário, como o Secovi-SP (sindicato da habitação) e a Abrainc (associação das incorporadoras), têm criticado as alterações nas exigências, que abrangem diferentes regiões da capital paulista e municípios da região metropolitana, como revelou a Folha .

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Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena Prêmio da mega da virada não acumula Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Discute-se a possibilidade de judicialização, porém parte dos advogados identificou dificuldades diante da competência federal de legislar sobre aviação.

    O CEO e sócio-fundador da incorporadora AW Realty, Cláudio Carvalho, diz que a mudança trouxe surpresa. Ele tem histórico de empreendimentos em bairros impactados, como Santana e Jardim São Paulo, na zona norte, de modo que já identificou terrenos que hoje não mais compraria. "Ficaram inviáveis por causa de gabarito", conta.

    A implantação do IFR está entre as obrigações da concessão do Campo de Marte à iniciativa privada, assim como mudança na pavimentação, nova sinalização e outras intervenções de segurança.

    O leilão ocorreu em 2022, vencido por fundo do grupo XP Inc, que apontou ter investido R$ 120 milhões em obras por meio da Pax Aeroportos.

    A operação por instrumentos facilitará voos em condições meteorológicas adversas, como neblina e chuva, e permitirá o tráfego de mais modelos de aviões.

    A alteração dependia de novo Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromo, o qual resultou nos raios de restrição e gerou discussão sobre impactos de um aeroporto sem voos comerciais regulares em grande parte da cidade.

    Proporcionalmente, 13% dos casos submetidos precisaram de análise mais criteriosa, enquanto 4.656 empreendimentos tiveram aval imediato pela FAB. O total de indeferimentos e pedidos em tramitação não foi divulgado.

    Sócio-diretor da Opea Consult e especialista em Planos de Proteção de Aeródromo, Rafael Azevedo explica que os pedidos imediatamente autorizados são geralmente aqueles com altura abaixo dos padrões que precisam de análise caso a caso.

    Ele também aponta que a repercussão das novas regras levou a dúvidas e até à submissão de empreendimentos que não precisariam passar pela Aeronáutica.

    O diretor de operações da Flight Consultoria e Engenharia Aeronáutica, Diego Almeida, relata ter conseguido aval a projetos após o susto inicial dos clientes. Ele considera que as principais dificuldades são nas regiões mais próximas, onde há restrições maiores em raios de 3,5 e 4,7 quilômetros do aeroporto.

    Nesses casos, a aprovação tem funcionado basicamente quando o terreno permite projeção na "sombra" de prédio existente. "A resposta do Decea cada vez mais tem sido pedir o processo completo", relatou.

    No caso do raio mais restritivo (chamado "superfície horizontal interna"), novas construções a até 3,5 quilômetros precisam de aprovação para altitude acima de 767,49 metros. Isto é, pouco mais de 40 metros acima da altura do aeroporto.

    Como a Folha mostrou , a movimentação no aeroporto tem crescido e pode mais do que dobrar até 2052, de acordo com estudo de demanda contratado pela Pax. A estimativa é que a média diária de pousos e decolagens aumente de 161 para 375 até 2052, com até 1.104 movimentos em dias de pico.

    Em nota assinada por seu diretor-presidente, Rogério Prado, a Pax defendeu o papel estratégico do aeródromo para a aviação, escolas de formação, operações policiais e atividades militares. "O Campo de Marte tem uma característica particular: sua localização e vocação permitem uma conexão urbana e regional mais ampla e ágil, sendo complementar aos demais aeroportos comerciais", apontou.

    A transição para voos por instrumentos será paulatina, com avaliação após seis meses de testes. O início em setembro foi anunciado pelo presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Tiago Chagas Faierstein, durante conferência de aviação executiva neste mês, na qual destacou o aumento da autonomia do aeroporto e a possibilidade de pousos em horários expandidos e condições "mais desafiadoras".

    A concessão é de 30 anos, podendo ser prorrogada por mais cinco. Inclui ainda o aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

    Não há anúncios por ora de voos comerciais no Campo de Marte, cujo comprimento da pista e outras características limitam esse tipo de operação. Em Jacarepaguá, viagens regionais a São Paulo e Minas Gerais passaram a ser operadas pela Azul Conecta após a concessão, com aeronaves para até nove passageiros.

    Há, ainda, um acordo da concessionária com operadora privada para eventual funcionamento de vertiporto. Esse tipo de espaço seria voltado a aeronaves elétricas (popularmente chamadas de carros voadores), uma tendência de mobilidade que tem atraído atenção no setor.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/novas-regras-do-campo-de-marte-exigiram-analise-de-mais-de-1000-projetos-de-predios-em-sp.shtml.

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    Decolagem de avião no Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo; aeródromo tem passado por obras de modernização após concessão à Pax Aeroportos - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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