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    Nova Zelândia corre para vacinar papagaio mais gordo do mundo e outras espécies raras contra gripe aviária

    Não é fácil vacinar as aves raras da Nova Zelândia . Às vezes, o trabalho envolve uma viagem a uma ilha remota ou ao coração de uma floresta. Depois, os pesquisadores precisam localizar a ave, que pode estar camuflada no chão ou no alto de uma árvore. Em seguida, precisam capturá-la e aplicar a vacina. E, alguns meses mais tarde, fazem tudo de novo, quando a ave precisa receber a dose de reforço. Leia mais (08/28/2026 - 05h00)

    Folha de S.Paulo
    28 de agosto de 2026 às 08:00
    Nova Zelândia corre para vacinar papagaio mais gordo do mundo e outras espécies raras contra gripe aviária
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Não é fácil vacinar as aves raras da Nova Zelândia . Às vezes, o trabalho envolve uma viagem a uma ilha remota ou ao coração de uma floresta. Depois, os pesquisadores precisam localizar a ave, que pode estar camuflada no chão ou no alto de uma árvore. Em seguida, precisam capturá-la e aplicar a vacina. E, alguns meses mais tarde, fazem tudo de novo, quando a ave precisa receber a dose de reforço.

    Gulliver, um kākāpō, recebendo uma vacina em Whenua Hou; restam apenas 235 indivíduos da espécie conhecida como o 'papagaio mais gordo do mundo' - Theo Thompson/New Zealand Department of Conservation /The New York Times · Theo Thompson/New
    Gulliver, um kākāpō, recebendo uma vacina em Whenua Hou; restam apenas 235 indivíduos da espécie conhecida como o 'papagaio mais gordo do mundo' - Theo Thompson/New Zealand Department of Conservation /The New York Times · Theo Thompson/New — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas, para os funcionários do Departamento de Conservação da Nova Zelândia, trata-se de proteger a fauna endêmica ameaçada do país contra a letal gripe aviária H5N1.

    As autoridades neozelandesas sabiam que era apenas uma questão de tempo até que a doença chegasse ao país . Assim que o primeiro caso foi detectado na Austrália , em junho, funcionários do departamento começaram a vacinar preventivamente até 300 das aves mais raras e vulneráveis do país —entre elas o kākāpō, o papagaio mais pesado do mundo , do qual restam apenas 235 exemplares.

    Poucas semanas depois, em julho, a Nova Zelândia confirmou dois casos de H5N1 em aves silvestres em Wellington, a capital.

    Funcionários do Departamento de Conservação da Nova Zelândia vacinando um takahē em Willowbank, em julho - New Zealand Department of Conservation /The New York Times · New Zealand Department of Conservation /The New York Times
    Funcionários do Departamento de Conservação da Nova Zelândia vacinando um takahē em Willowbank, em julho - New Zealand Department of Conservation /The New York Times · New Zealand Department of Conservation /The New York Times — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ash Murphy, gerente de biossegurança do departamento, explica que algumas espécies endêmicas (encontradas naturalmente em apenas um lugar da Terra) já tinham populações reduzidas. "Qualquer nova ameaça, como a gripe aviária, pode ter um impacto bastante devastador", diz.

    Cinco espécies prioritárias estão sendo vacinadas primeiro. Restam apenas alguns indivíduos de cada uma dessas espécies em programas de reprodução em cativeiro ou na natureza. O governo espera concluir essa fase o mais rápido possível antes de passar a outras espécies.

    O trabalho de vacinação pode ser difícil. O kākāpō é encontrado em ilhas no extremo sul do país. Guardas florestais, com o auxílio de rastreadores, precisam localizar a ave —que não voa, mas consegue subir até o alto das árvores usando suas garras fortes— e capturá-la. Eles também podem aproveitar a oportunidade para realizar exames de saúde , afirma Murphy.

    Gripe aviária matou milhares animais marinhos no Chile em 2023
    Gripe aviária matou milhares animais marinhos no Chile em 2023 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Até agora, as autoridades vacinaram cerca de 196 aves. Quando essa fase for concluída, outras 23 espécies serão vacinadas —incluindo kiwis raros e o kea, uma ave brincalhona e inteligente que é o único papagaio alpino do mundo.

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    Muitas aves da Nova Zelândia não voam , uma característica que desenvolveram porque o país permaneceu isolado por milhões de anos e não tinha predadores terrestres até que eles fossem introduzidos pelos seres humanos. Como resultado, essas aves evoluíram para ocupar nichos deixados pelos mamíferos. As aves têm um lugar especial no coração dos neozelandeses, que chamam a si próprios de "kiwis".

    Duas mulheres agachadas em área de vegetação densa, uma segura um pássaro grande com penas amarelas enquanto a outra toca cuidadosamente o animal.
    Duas mulheres agachadas em área de vegetação densa, uma segura um pássaro grande com penas amarelas enquanto a outra toca cuidadosamente o animal. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A gripe aviária varreu a Europa, a África e a Ásia em 2020. No fim de 2021, apareceu na América do Norte, avançando rapidamente pelo Canadá e pelos Estados Unidos. No segundo semestre de 2022, o vírus surgiu na América do Sul e, em poucos meses, espalhou-se até o extremo do continente.

    Milhares de aves silvestres e mamíferos, entre eles raposas, gatos, leões-marinhos e golfinhos, morreram após contrair a doença. Também houve casos raros em seres humanos depois de contato próximo com aves.

    É difícil conter a gripe aviária, sobretudo quando aves migratórias silvestres ou outros animais levam o vírus consigo ao viajar pelo mundo.

    Pessoa segura ave nativa com penas azul-esverdeadas e bico vermelho enquanto outra pessoa aplica injeção na asa da ave. Ambiente externo com árvores ao fundo.
    Pessoa segura ave nativa com penas azul-esverdeadas e bico vermelho enquanto outra pessoa aplica injeção na asa da ave. Ambiente externo com árvores ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Não é possível bloquear rotas migratórias da mesma forma que se pode interromper o comércio de animais ou produtos de origem animal, ou ainda o deslocamento de pessoas", diz Nigel French, renomado professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Universidade Massey, na Nova Zelândia. "Portanto, isso representa algo muito diferente de tudo o que já vimos."

    Mas os cientistas aprenderam com outros surtos de doenças, incluindo a pandemia de coronavírus, acrescenta o pesquisador.

    Como resultado, as práticas básicas de controle de doenças melhoraram, incluindo barreiras de biossegurança, restrições de deslocamento e sequenciamento genômico para rastrear a origem e a disseminação dos patógenos. As vacinas também se tornaram mais eficazes.

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    Na Reserva de Vida Selvagem Willowbank, em Christchurch, os funcionários vêm se preparando para a gripe aviária há vários anos, afirma em comunicado a gerente de operações de fauna silvestre da instituição, Laura Ashton.

    As medidas incluem a instalação de telas de sombreamento sobre determinados habitats para afastar aves silvestres; a adaptação de comedouros e bebedouros para reduzir o acesso de animais invasores; e protocolos de biossegurança mais rigorosos para os tratadores.

    Até agora, quatro takahēs —aves que não voam e das quais restam apenas 500 exemplares— foram vacinados na reserva.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As autoridades afirmaram que conseguiriam erradicar a gripe aviária, mas que seria preciso aprender a conviver com ela.

    Na semana passada, a Austrália confirmou as primeiras mortes em massa de animais silvestres causadas pela doença: garajau-de-bico-amarelo encontrados em uma ilha ao largo da costa da Austrália Meridional. As autoridades alertaram que mais animais silvestres serão afetados.

    Murphy afirma estar "bastante confiante" no plano da Nova Zelândia, mas acrescenta que ainda havia incerteza sobre como a doença afetaria espécies valiosas e endêmicas. "Agora é preciso esperar para ver o que acontece", diz.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/08/nova-zelandia-corre-para-vacinar-papagaio-mais-gordo-do-mundo-e-outras-especies-raras-contra-gripe-aviaria.shtml.

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