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    Nova York avança contra terceirização de entregadores da Amazon

    A disputa reúne sindicatos que defendem melhores condições de trabalho e empresas que temem efeitos sobre preços, empregos e operações O post Nova York avança contra terceirização de entregadores da Amazon apareceu primeiro em Olhar Digital .

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    11 de agosto de 2026 às 12:27
    Nova York avança contra terceirização de entregadores da Amazon
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    Nova York se tornou palco de uma disputa entre o prefeito Zohran Mamdani e grandes empresas de distribuição após o democrata declarar apoio ao Delivery Protection Act , projeto que pretende exigir a contratação direta de trabalhadores responsáveis pelas entregas.

    A proposta, que tramita no Conselho Municipal e já reúne mais de 30 patrocinadores, atinge principalmente o modelo usado por Amazon, FedEx e outras companhias, que terceirizam a entrega dos pacotes a empresas responsáveis por contratar e administrar os motoristas e entregadores.

    O embate envolve, de um lado, sindicatos e defensores da medida, que associam a terceirização a condições precárias e dificuldades de organização trabalhista. Do outro, Amazon e representantes de empresas parceiras alertam para aumento dos custos, possível redução da velocidade das entregas e risco de deslocamento de operações para fora da cidade.

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    Imagem: No-Mad/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A manifestação de Mamdani ocorreu na segunda-feira (10) e representa um dos primeiros grandes testes de sua disposição para confrontar interesses empresariais em defesa de trabalhadores de baixa remuneração. O prefeito chegou ao cargo com apoio dos Socialistas Democráticos da América e já havia participado de atos de trabalhadores sindicalizados e de manifestações de categorias em greve.

    O projeto foi apresentado pela vereadora Tiffany Cabán, de Queens, e recebeu apoio do defensor público Jumaane Williams durante uma audiência do Comitê de Proteção ao Consumidor e ao Trabalhador, realizada em abril. Para os defensores da proposta, a mudança dificultaria que grandes companhias se afastassem de responsabilidades trabalhistas por meio de subcontratadas.

    A questão ganha peso em uma cidade onde os serviços de entrega movimentam quase 1 bilhão de encomendas por ano. A utilização de empresas terceirizadas permite às grandes distribuidoras reduzir despesas com mão de obra e evitar parte das regras de remuneração mínima e benefícios que seriam aplicáveis aos empregados diretos, segundo os apoiadores da legislação.

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    Entregador Amazon via Super Straho/Unsplash — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A Amazon, porém, construiu uma frente empresarial para barrar a medida. A companhia reuniu entidades como câmaras de comércio e o Real Estate Board of New York, enquanto sindicatos estimam que a empresa tenha destinado mais de US$ 5 milhões à campanha contrária ao projeto, incluindo anúncios televisivos.

    Um estudo encomendado por uma organização financiada pela Amazon calculou que a legislação poderia acrescentar até US$ 5,20 ao custo de cada pacote. O mesmo levantamento projetou um impacto anual de até US$ 664 por residência e classificou a proposta como uma ameaça à estrutura atual de distribuição da cidade.

    A empresa também sustenta que a mudança poderia colocar em risco mais de 5 mil postos de trabalho ligados às empresas que fazem suas entregas. Em declaração citada pelo New York Times, a porta-voz Kelly A. Nantel afirmou que a companhia considera a legislação incompatível com seus compromissos com trabalhadores e pequenos parceiros locais e disse que a Amazon poderia avaliar a transferência das operações para fora de Nova York.

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    Os defensores da proposta contestam essa avaliação. O presidente do Joint Council 16 dos Teamsters, Thomas Gesualdi, considera que o momento representa uma mudança na relação entre governo municipal, trabalhadores e empresas. O sindicato pretende levar a campanha para outras cidades caso Nova York aprove a legislação, enquanto uma proposta semelhante já havia sido apresentada em Chicago.

    A remuneração dos entregadores também aparece no debate. Segundo os dados apresentados no artigo, esses trabalhadores começam recebendo cerca de US$ 20 por hora em Nova York e têm remuneração média próxima de US$ 24. Um acordo firmado pelos Teamsters com uma contratada da Amazon na Califórnia estabeleceu aproximadamente US$ 30 por hora.

    Relatos de trabalhadores ajudam a explicar a preocupação dos sindicatos. Luc Rene, motorista de vans da Amazon há quase quatro anos, afirmou que chega a transportar 400 encomendas em um dia e que já recebeu negativas ao pedir cargas menores durante períodos de calor intenso ou após tempestades de neve. A empresa não comentou especificamente as alegações, mas informou que costuma adaptar as rotas às condições climáticas.

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    Empresários que atuam como contratados da Amazon apresentam outra perspectiva. Rudy Cazares, proprietário de companhias que realizam entregas para Amazon e FedEx, argumenta que essas empresas parceiras continuam sendo responsáveis por decisões como contratação, demissão e promoção dos funcionários. Na avaliação dele, a discussão não deveria ser reduzida a uma disputa entre trabalhadores e uma grande corporação, pois pequenas empresas também dependem do atual sistema de distribuição.

    O estudo produzido pela consultoria AKRF, financiado por uma organização ligada à Amazon, sustenta que a proposta poderia desestabilizar a rede de distribuição da cidade. O levantamento apontou ainda que 83% dos trabalhadores das instalações de última milha moram fora de Manhattan e que cerca de 80% são minoritários, argumento usado pelos opositores para questionar possíveis efeitos sobre comunidades de menor renda.

    Caso o Conselho Municipal aprove a medida e Mamdani a sancione, Nova York poderá se tornar a primeira cidade americana a estabelecer regras específicas para essas operações de última milha, segundo os Teamsters. A decisão, portanto, ultrapassa a disputa entre prefeitura e Amazon e pode servir de referência para outras cidades e estados interessados em restringir o uso de trabalhadores terceirizados no setor de entregas.

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    Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/11/pro/nova-york-avanca-contra-terceirizacao-de-entregadores-da-amazon/.

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