Nova rota turística permite observar até 15 espécies de primatas em quatro cidades de MT
Bugio-de-mãos-ruivas é uma das espécies que podem ser observadas no Cristalino Lodge Lucas Eduardo Já imaginou viajar com o objetivo específico de observar primatas no Brasil? Com a proposta de promover a biodiversidade e impulsionar a conservação da natureza, foi criada a Rota dos Primatas de Mato Grosso. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A iniciativa tem diferentes espécies de macacos como protagonistas e é pioneira ao unir ciência, turismo, cultura e educação. A atividade também busca despertar novos olhares para uma região que historicamente sofre com a destruição ambiental
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Bugio-de-mãos-ruivas é uma das espécies que podem ser observadas no Cristalino Lodge — Foto: Lucas Eduardo
Já imaginou viajar com o objetivo específico de observar primatas no Brasil? Com a proposta de promover a biodiversidade e impulsionar a conservação da natureza, foi criada a Rota dos Primatas de Mato Grosso .
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A iniciativa tem diferentes espécies de macacos como protagonistas e é pioneira ao unir ciência, turismo, cultura e educação . A atividade também busca despertar novos olhares para uma região que historicamente sofre com a destruição ambiental.
Christine Steiner, bióloga e diretora-executiva do Instituto Ecótono, uma das instituições responsáveis pela criação da iniciativa, conta que projeto surgiu da urgência em criar alternativas econômicas que mantenham florestas em pé no Mato Grosso. Ela diz que, em pleno século XXI, o estado ainda lidera o desmatamento no país, numa região de imensa biodiversidade e diversidade cultural, ambas ameaçadas.
"Nesse contexto, a Rota dos Primatas ganha importância. A ideia é transformar territórios estratégicos do estado em destinos de referência para o turismo de observação de primatas, impulsionando a conservação das espécies e de seus habitats, fortalecendo a geração de renda local e oferecendo experiências educativas e responsáveis aos visitantes”, comenta Christine.
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Parauacu-de-Mittermeier foi descrito em 2014 pela ciência. Espécie é estudada no Jardim da Amazônia no MT — Foto: Cibele Manfredini
Mato Grosso abriga 29 espécies diferentes de primatas . O roteiro turístico possibilita a observação de pelo menos 15 delas em quatro municípios: Alta Floresta, Cláudia, São José do Rio Claro e Sinop.
Dessa diversidade de macacos que podem ser contemplados, mais da metade está ameaçada de extinção . Com a experiência proporcionada pela rota, a troca de conhecimento e a conscientização podem contribuir para amenizar a vulnerabilidade enfrentada por esses animais.
Macaquear: prática de observação de primatas tem potencial de crescimento no Brasil
“Se o Mato Grosso fosse um país, ele estaria entre os 10 com maior número de primatas do mundo. Valorizar esses animais é uma forma de propagar que os macacos não são bichos genéricos, existem espécies distintas, cada um com a suas características únicas e papéis ecológicos fundamentais. Com esse turismo de observação é possível fazer com que o turista sinta na pele quão valiosa e insubstituível é aquela região, e que a visita é na realidade um ato de conservação da natureza”, acrescenta Christine.
Veja as 15 espécies que podem ser observadas na rota:
Guariba-de-mãos-ruivas ( Alouatta belzebul) Bugio-preto ( Alouatta caraya ) Guariba-vermelha ( Alouatta puruensis ) Macaco-da-noite/quatro-olhos ( Aotus azarae infulatus ) Macaco-aranha-de-cara-preta ( Ateles chamek ) Macaco-aranha-de-cara-branca ( Ateles marginatus ) Cuxiú-de-nariz-vermelho ( Chiropotes albinasus ) Souim, sagui-de-emília, mico-de-emília ( Mico emiliae ) Mico-de-rabo-preto ( Mico melanurus ) Sagui-de-mato-grosso, sagui-de-schneider ( Mico schneideri ) Parauacu-de-gray/macaco-velho ( Pithecia irrorata ) Zogue-zogue-de-Mato-Grosso/de-groves/de-alta-floresta ( Plecturocebus grovesi ) Zogue-zogue-de-Vieira ( Plecturocebus vieirai ) Macaco-prego ( Sapajus apella apella ) Macaco-prego ( Sapajus cay )
Mico-emiliae é sagui amazônico considerado possível de observar no roteiro turístico — Foto: Bruno Rodriguez Möller
Entre Amazônia, Cerrado e Pantanal, sete locais fazem parte da Rota dos Primatas de Mato Grosso:
Cristalino Lodge, em Alta Floresta Fazenda Anacã, em Alta Floresta; Pousada Jardim da Amazônia, em São José do Rio Claro; Parque Natural Municipal Florestal, em Sinop; Sítio Água Boa, em Cláudia; Sítio Paso Kaú, em Cláudia; Sítio Recanto dos Buritis, em Cláudia.
De acordo com Christine, a escolha dos locais que compõem a rota foi feita a partir de uma base científica, estruturada pelo Instituto Ecótono e pelo Grupo de Ecologia Aplicada de Sinop, da Universidade Federal de Mato Grosso.
Entre os critérios considerados estão a presença de espécies-alvo, o perfil dos empreendedores na adoção de boas práticas para o turismo de observação de vida silvestre e o potencial para pesquisas de longo prazo, que ajudam a qualificar a experiência do visitante com base em dados ecológicos.
No Jardim da Amazônia, em São José do Rio Claro, o conhecimento científico surgiu como grande aliado do turismo e da proteção das espécies.
Macaco-aranha-de-cara-branca é espécie endêmica do Brasil que faz parte da Rota dos Primatas — Foto: Lucas Eduardo
Sete primatas diferentes ocorrem na região da pousada, entre eles espécies emblemáticas como o macaco-aranha-de-cara-preta ( Ateles chamek ), o zogue-zogue-do-Mato-Grosso ( Plecturocebus grovesi ) e o parauacu-de-Mittermeier ( Pithecia mittermeieri ).
“Nós tínhamos uma trajetória consolidada na observação da vida silvestre, mas pouco conhecimento específico sobre os primatas que habitavam nossas florestas. A aproximação com pesquisadores trouxe esse conhecimento e nos permitiu compreender melhor as espécies, seus comportamentos e sua importância para a conservação. A ciência nos ajudou a compreender ainda mais a biodiversidade que nossa família vem protegendo há décadas”, comenta Raquel Zanchet, cofundadora do Jardim da Amazônia.
Em Alta Floresta, na Fazenda Anacã, seis espécies de primatas podem ser contempladas de perto. Entre elas está uma exclusiva da região: o zogue-zogue-de-alta-floresta ( Plecturocebus grovesi ).
O desafio e o bônus dos avistamentos ficam por conta do macaco-da-noite ( Aotus infulatus ), espécie mais arisca e que se diferencia da maioria por ter hábitos crepusculares.
No município, os macacos estão ganhando cada vez mais visibilidade e aliados. Outra iniciativa que busca proteger esses animais é o Programa Alta Floresta Não Atropela, que instala pontes de dossel para possibilitar a travessia dos animais com segurança.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/09/29/nova-rota-turistica-permite-observar-ate-15-especies-de-primatas-em-quatro-cidades-de-mt.ghtml.

Agora no g1 — Foto: G1
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