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    Nova proposta de reforma da Previdência é racista e misógina?

    Uma nova proposta de reforma da Previdência foi apresentada aos candidatos à Presidência , segundo esta Folha ("Nova proposta de reforma da Previdência busca estabilizar gasto com idade mínima de 67 anos e capitalização", 27/8). Leia mais (09/19/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de setembro de 2026 às 01:00
    Nova proposta de reforma da Previdência é racista e misógina?
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Proposta de reforma da Previdência muda regras do INSS e altera sistema atual - Rubens Cavallari - 04.out.23/Folhapress
    Proposta de reforma da Previdência muda regras do INSS e altera sistema atual - Rubens Cavallari - 04.out.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Professor da pós-graduação em gerontologia da USP, é pesquisador Fapesp de pós-doutorado no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em Paris; autor de 'A (difícil) decisão de envelhecer' (ed. da Unicamp)

    Uma nova proposta de reforma da Previdência foi apresentada aos candidatos à Presidência , segundo esta Folha ("Nova proposta de reforma da Previdência busca estabilizar gasto com idade mínima de 67 anos e capitalização", 27/8).

    A justificativa, como sempre, recai sobre o envelhecimento da população e sobre projeções de que as "despesas" previdenciárias alcançariam 17% do PIB em 2100. Trata-se de uma reforma "ampla", cujos pontos principais são idade mínima de 67 anos para homens e mulheres até 2031 e um sistema misto: metade da contribuição pelo modelo de repartição ( INSS ) e a outra em contas individuais de capitalização.

    Benefícios da Previdência Social
    Benefícios da Previdência Social — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A pressão para o próximo governo patrocinar uma nova reforma é crescente . Vale lembrar que os constituintes cravaram a seguridade social no capítulo da Ordem Social da Constituição —o capítulo da paz, não no da Ordem Econômica e Financeira.

    A sociedade deveria resgatar esse sentido e analisá-lo para além das lentes fiscalistas e dos interesses do setor privado. A justificativa do envelhecimento deve ser confrontada com a informalidade, com as consequências da reforma trabalhista de 2017 e, sobretudo, com as desonerações da folha de pagamento, que a nova proposta defende ampliar ainda mais. A constatação empírica deslegitima a defesa, pois a desoneração significou sempre mais demissões, rotatividade (vide o governo Dilma Rousseff ) e poupou o retorno aos acionistas.

    Devido à escravidão , a desigualdade é uma cicatriz na construção da Previdência desde a Lei Eloy Chaves (1923). Qualquer reforma deveria ter como objetivo principal a sua redução.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As mulheres negras serão as maiores vítimas. Tanto da desvinculação do salário mínimo do Benefício de Prestação Continuada (BPC) —pois a maioria das beneficiárias é de empregadas domésticas e cuidadoras negras que trabalharam a vida toda sem carteira assinada, ludibriadas por patrões brancos e ricos— quanto da idade mínima igual à dos homens brancos. A reforma "ampla" lhes negaria a aposentadoria . Moradores de bairros ricos vivem mais de 80 anos; nos bairros onde moram essas mulheres, a média é de 62.

    Para os militares , a idade mínima seria de 55 anos. Coronéis da Aeronáutica, em sua maioria brancos, têm a expectativa de vida de um sueco: 84 anos. Um brasileiro de 55 anos tem sobrevida de 24,6 anos, enquanto os oficiais mais de 30, segundo pesquisa da UFMG. Ou seja, a reforma ofereceria a esses militares um padrão semelhante ao da Suécia, com décadas embolsando 20 salários mínimos; já pobres e negros vão receber menos de um salário mínimo —mais próximos de Gana, Togo, Benin e Nigéria.

    É legítimo questionar se o sistema misto seria o primeiro passo para a privatização. Poderia surgir a ideia de delegar à livre escolha de poupança pelo INSS ou por um banco, como ocorreu no Chile. Por fim, a proposta prevê um prêmio para mulheres com filhos, no limite de cinco. Quantas o receberiam com fecundidade de 1,8 filho por mulher?

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foi-se o tempo em que se podia elaborar políticas públicas sem levar em conta as questões raciais e de gênero. Elas se impõem ainda mais em uma sociedade superenvelhecida. A insistência alheia ao nosso tempo só elevará o risco à coesão social.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/nova-proposta-de-reforma-da-previdencia-e-racista-e-misogina.shtml.

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    Proposta de reforma da Previdência muda regras do INSS e altera sistema atual - Rubens Cavallari - 04.out.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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