Nova Bolsa de Valores do Rio troca de CEO e prevê iniciar operação em 2027
A Bolsa de Valores em desenvolvimento no Rio de Janeiro , a Base Exchange, trocou de CEO e segue em fase de aprovação regulatória no BC (Banco Central) e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) . Leia mais (08/30/2026 - 23h00)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A Bolsa de Valores em desenvolvimento no Rio de Janeiro , a Base Exchange, trocou de CEO e segue em fase de aprovação regulatória no BC (Banco Central) e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) .

Como o projeto ainda depende dessas licenças, o início da operação deve ficar para o segundo semestre de 2027, prevê o novo CEO da Base, Francisco Gurgel.
"Em termos tecnológicos, a companhia está pronta. Os sistemas já foram desenvolvidos e testados internamente", afirma o executivo em entrevista à Folha .
"Sempre tem coisa para fazer, mas, se [o projeto] tivesse que ir para o ar amanhã, já teríamos todos os sistemas prontos para inaugurar a Bolsa."

Gurgel já estava envolvido com a iniciativa antes de assumir o posto de CEO. Ele é fundador da Base e da Flowa Technologies (ex-ATG), a empresa provedora de tecnologia da nova Bolsa.
A Base e a Flowa são controladas pelo Mubadala, o fundo soberano de Abu Dhabi, e somam cerca de 190 empregados.
A Bolsa em desenvolvimento no Rio anunciou a troca de CEO no fim de junho. O cargo era ocupado por Claudio Pracownik.

Ele deixou o comando da empresa e passou a integrar o conselho de administração da Base após receber uma proposta de trabalho nos Emirados Árabes Unidos, diz Gurgel.
O projeto da Bolsa carioca ganhou repercussão após anúncio feito pelo então prefeito Eduardo Paes (PSD) no segundo semestre de 2024.
À época, havia expectativa de que a operação pudesse começar já em 2025, mas a iniciativa ainda aguarda as aprovações regulatórias.

Em nota, a CVM afirma que o pedido de autorização da Base está em análise pela autarquia. Segundo o órgão, os prazos estão sendo cumpridos, mas não é possível antecipar uma data para a liberação da operação.
"Há uma fase de análise documental e da conformidade regulatória e uma fase de testes funcionais, realizados em conjunto com o Banco Central do Brasil, quando possível, em razão da interface entre os sistemas de negociação e de pós-negociação."
A Folha também questionou o BC sobre o assunto, mas a instituição não retornou ao contato por email.
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
Bolsas de Valores ganham dinheiro com a cobrança de taxas sobre operações e serviços que realizam.
O argumento da Base é que a concorrência com a B3 poderá trazer ganhos para os participantes do mercado de capitais no Brasil, inclusive para os investidores. A B3 é a Bolsa em operação no país, com sede em São Paulo .
O projeto carioca fala em oferecer tarifas mais competitivas e diz que isso tende a chegar ao investidor em um mercado com competição. A nova Bolsa também aposta no desenvolvimento de tecnologia própria para atender a demandas de investidores e corretoras.
A Flowa, empresa irmã da Base, presta serviços de negociação eletrônica de ações e derivativos para corretoras e gestoras de recursos.
"A gente fala muito mais de Base e menos de Flowa, mas a Flowa é o motor de tudo", diz Gurgel. "Nosso futuros clientes na Base são atuais clientes na Flowa. Isso é poderoso."
Em nota, a B3 afirma que a concorrência é algo natural e uma realidade com a qual já lida.
"No mercado de Bolsa, vale ressaltar que já há concorrência com Bolsas internacionais, dado que investidores estrangeiros, que representam cerca de 50% do volume, também podem acessar ativos relacionados ao Brasil em outros mercados", diz.
"No segmento de balcão, por exemplo, a B3 tem concorrentes no registro e depósito de ativos financeiros e na negociação de títulos públicos e privados, entre outros", acrescenta.
A Bolsa sediada na capital paulista afirma seguir focada no desenvolvimento de produtos e inovações que viabilizem o dia a dia do mercado e diz manter parceria com clientes.
"Também são constantes os investimentos em tecnologia e modernização de plataformas, para oferecer uma infraestrutura segura e resiliente para o desenvolvimento do mercado brasileiro."
A Base prevê incluir em seu cardápio ações já listadas na B3. Francisco cita como exemplos papéis de companhias como Petrobras, Vale, Gerdau, Itaú e Bradesco.
Segundo a Base, um investidor poderá comprar a ação de uma empresa em uma das Bolsas e vendê-la na outra normalmente.
O projeto carioca afirma que o papel será o mesmo e que a guarda do ativo será feita na mesma depositária central que o mercado brasileiro já usa hoje. "Não existe uma ação da Base e outra da outra Bolsa: existe a ação, na conta de custódia do investidor", diz.
Para o economista-chefe da Way Investimentos, Alexandre Espirito Santo, a ampliação da concorrência em tese pode beneficiar o setor e se traduzir em novos produtos financeiros.
Atrair o interesse de investidores, porém, não será uma tarefa simples para a Bolsa carioca no início do projeto, avalia o economista. A observação leva em conta o fato de a B3 já estar arraigada no mercado.
"Esse é o grande desafio", diz Espirito Santo, que também é professor da ESPM e do Ibmec-RJ.
"Acho que a nova Bolsa vai ter de fazer coisas diferentes para atrair um público novo. O que seriam coisas diferentes? Pegar, por exemplo, empresas menores, médias, e facilitar a entrada no mercado. O mercado de capitais no Brasil é muito pouco explorado."
O Rio já abrigou a antiga BVRJ (Bolsa de Valores do Rio de Janeiro) , que chegou a ser protagonista no país.
A BVRJ ficou inativa no começo dos anos 2000 , após o esvaziamento das operações e a concentração financeira em São Paulo.
O empreendimento acabou incorporado à estrutura da Bolsa paulista, a atual B3. Para líderes empresariais cariocas, o fim da BVRJ intensificou a saída do Rio de empresas e profissionais do setor financeiro.
Ter mais de uma Bolsa de Valores é uma realidade em outros países. Nos Estados Unidos , há destaque para a NYSE, a Bolsa de Valores de Nova York, considerada a maior do mundo, e a Nasdaq.
A Nasdaq é conhecida por reunir "ações da moda", diz Espirito Santo, em uma referência à negociação de papéis de gigantes da área de tecnologia.
Na China , as Bolsas de Xangai e Shenzhen apresentam diferenças quanto ao porte e aos setores das empresas listadas.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/nova-bolsa-de-valores-do-rio-troca-de-ceo-e-preve-iniciar-operacao-em-2027.shtml.

Francisco Gurgel, novo CEO da Base Exchange, a Bolsa de Valores em desenvolvimento no Rio - Divulgação Base Exchange · Divulgação Base Exchange — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

