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    Notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida viraliza nas redes com críticas a Flávio Bolsonaro

    Segundo Palver, 37% das mensagens consideraram boato como verdadeiro e foram acompanhadas da indignação de católicos

    UOL
    25 de setembro de 2026 às 22:00
    Notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida viraliza nas redes com críticas a Flávio Bolsonaro
    Homem de terno cinza e camisa branca com a mão no rosto, olhando para frente em ambiente com outras pessoas ao fundo. — Foto: UOL

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    A notícia falsa de que o presidenciável Flávio Bolsonaro ( PL ) iria retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida viralizou nas redes sociais com impacto negativo para o presidenciável, segundo a Palver , empresa de tecnologia e inteligência que acompanhou a repercussão do tema depois de um card que fazia referência à GloboNews viralizar com o boato.

    Flávio Bolsonaro em cerimônia da PM nesta sexta (25) - Mauro Pimentel/AFP · Mauro Pimentel/AFP
    Flávio Bolsonaro em cerimônia da PM nesta sexta (25) - Mauro Pimentel/AFP · Mauro Pimentel/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Cerca de 37% das mensagens, segundo a Palver, consideraram a narrativa como verdadeira, "mobilizando a indignação entre católicos e pedidos de voto contra Flávio".

    A notícia falsa foi intensificada depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, associou o presidenciável a uma mobilização para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. A declaração foi dada nesta quinta (24).

    Horas depois, a GloboNews fez uma retratação e elucidou que a informação se baseava em um projeto de lei de 2007, do então deputado Victório Galli, à época no PMDB, que propunha substituir a "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos". O projeto foi arquivado em 2008.

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Flávio Bolsonaro se manifestou desmentindo a informação, que atribuiu ter sido divulgada pela "máfia do PT ". Ele, que disputa a preferência nas eleições de 2026 para o cargo de presidente com Lula (PT), também afirmou sempre ter respeitado "todas as religiões".

    A Palver analisou o tema de 18 de setembro, antes da informação dada na GloboNews, a 25 de setembro. A pesquisa considerou as redes sociais Instagram , X, TikTok e Kwai no geral, além de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e 5.000 grupos públicos no Telegram.

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    Segundo a empresa, o pico de menções ao tema ocorreu em 25 de setembro, com 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes sociais e 15 menções a cada 100 mil nos serviços de mensageria (WhatsApp e Telegram).

    O tema teve tração na noite do dia 24, após a menção na GloboNews, "com viralização massiva de cards e prints nas redes, especialmente no Instagram e no X". Nelas, o X foi a plataforma com maior intensidade relativa, com salto de cerca de 50 menções por 100 mil mensagens, em 23 de setembro, para 379 menções a cada 100 mil, no dia 25.

    Nos serviços de mensagem, o crescimento foi mais moderado, com pico de 15 para cada 100 mil no dia 25, "indicando que a explosão inicial do debate foi impulsionada por veículos de imprensa e perfis das redes, com repercussão parcial nos grupos de mensagens".

    TSE faz demonstração de como votar na urna eletrônica na Rodoviária de Brasília
    TSE faz demonstração de como votar na urna eletrônica na Rodoviária de Brasília — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo a empresa, 28% da amostra nas redes sociais foram classificadas como conteúdo neutro. O restante teve, em sua maior parte, críticas a Flávio Bolsonaro (73%). Já 27% das mensagens não neutras apoiaram o político nas redes sociais. Nos serviços de mensagem, 60% do conteúdo com posicionamento foi crítico a Flávio Bolsonaro, contra 40% com posição favorável.

    No total, a empresa identificou três principais narrativas veiculadas. Na primeira, em 37% do total de mensagens relevantes identificadas, a notícia falsa foi vista como verdade e acompanhada de "indignação, alerta e mobilização religiosa entre católicos".

    "Essa narrativa é a mais prejudicial à candidatura de Flávio Bolsonaro", afirma a Palver. "Ela ativou um instinto de autodefesa religiosa entre católicos que pode ter consequências eleitorais duradouras, especialmente se não for eficazmente neutralizada antes da eleição."

    A segunda narrativa, que circulou em 16% do total de mensagens, reproduziu o desmentido de Flávio Bolsonaro, com defesa do candidato. Esse desmentido, porém, teve maior penetração em grupo de mensagens bolsonaristas, sem tanto alcance nas redes, segundo a empresa.

    A terceira narrativa, identificável em 15% das mensagens relevantes da amostra, somou checagens jornalísticas que explicaram o contexto da notícia falsa a outras mensagens que questionam a credibilidade do desmentido de Flávio, segundo a Palver, "associando-o a outros escândalos (caso Vorcaro , INSS )". O restante das mensagens, cerca de 32%, compôs narrativas menores e difusas.

    Para a empresa, Flávio Bolsonaro aparece prejudicado com o episódio porque, mesmo após o desmentido da informação e a retratação da GloboNews, enfrenta uma onda de desconfiança no campo católico, com risco de erosão do apoio no segmento.

    Já o campo governista teria capitalizado com o episódio, com perfis de esquerda dominando a distribuição nas redes sociais.

    De acordo com a Palver, o assunto pode continuar a repercutir nos próximos dias e ser utilizado em campanha. "O boato já ultrapassou as bolhas partidárias e atingiu grupos religiosos de base, terreno onde a correção factual é mais lenta e o impacto emocional é mais duradouro", avalia a empresa.

    Levantamento do Democracia em Xeque apontou que a esquerda produziu 2 em cada 3 posts sobre o tema, com o campo progressista respondendo por 66% das 345 publicações e por 70% das interações avaliadas pelo instituto.

    Também na pesquisa, a mobilização católica contra Flávio Bolsonaro é o maior eixo, com a leitura de que uma vitória do presidenciável reabriria a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora. O levantamento também identificou ataque da direita à Rede Globo, com 20% das publicações nesse eixo.

    A metodologia do Democracia em Xeque considera uma lista de atores ligados ao debate político, entre influenciadores e mídia partidária. Segundo o instituto, a coleta de conteúdo é feita a partir de perfis no Facebook, Instagram, X, TikTok e canais do YouTube, com mais de 19 mil perfis no total e dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/noticia-falsa-sobre-nossa-senhora-aparecida-viraliza-nas-redes-com-criticas-a-flavio-bolsonaro.shtml.

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