Tecnologia

    Nossa defesa contra asteroides pode ser… uma bomba nuclear

    Simulações indicam que uma explosão nuclear poderia fragmentar ou desviar um asteroide de 160 metros em uma situação de emergência O post Nossa defesa contra asteroides pode ser… uma bomba nuclear apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    25 de agosto de 2026 às 08:10
    Nossa defesa contra asteroides pode ser… uma bomba nuclear
    Foto: Olhar Digital

    Um asteroide com cerca de 160 metros de diâmetro poderia representar uma ameaça grave caso se aproximasse da Terra. Rochas espaciais desse tamanho são capazes de causar destruição em uma cidade.

    Mas alguns asteroides também são difíceis de detectar por apresentarem superfícies muito escuras. Diante desse cenário, pesquisadores estudaram uma estratégia que parece saída da ficção científica: utilizar uma bomba nuclear para destruir ou desviar o objeto, segundo informações do portal Science Alert .

    Um estudo liderado pelo astrofísico Isaiah Santistevan, do Lawrence Livermore National Laboratory, realizou uma série de simulações para testar a possibilidade. O estudo analisou uma ogiva nuclear de um megaton contra um asteroide de 160 metros e indicou que a estratégia pode funcionar em determinadas condições.

    Representação artística de um asteroide gigante passando perto da Terra – Imagem: Elenarts/Shutterstock
    Representação artística de um asteroide gigante passando perto da Terra – Imagem: Elenarts/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A ideia não consiste necessariamente em colocar a bomba sobre a superfície do asteroide. Como esses objetos podem girar e apresentar superfícies difíceis para um pouso, uma missão desse tipo seria extremamente complexa. As simulações indicaram que a explosão poderia ocorrer a alguns metros da superfície e ainda provocar danos significativos.

    O principal mecanismo também não seria uma onda de choque atravessando o espaço. Em vez disso, os pesquisadores apontam para os raios X liberados pela explosão nuclear. Entre 70% e 80% da energia de uma explosão desse tipo pode surgir na forma dessa radiação, que atingiria diretamente a superfície do asteroide.

    Ao atingir a superfície, os raios X depositariam energia em uma camada fina da rocha. O material seria aquecido, vaporizado e lançado para o espaço. A saída desse material poderia alterar a velocidade do asteroide, funcionando como uma espécie de impulso capaz de modificar sua trajetória.

    Uma bomba nuclear poderia ser usada como último recurso contra um asteroide em rota de colisão – Imagem: Jack W. Aeby/Domínio público
    Uma bomba nuclear poderia ser usada como último recurso contra um asteroide em rota de colisão – Imagem: Jack W. Aeby/Domínio público — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A explosão também produziria uma onda de choque dentro da própria rocha. Esse efeito poderia gerar rachaduras e fraturas profundas, aumentando a possibilidade de fragmentação do objeto. Os pesquisadores consideram esse mecanismo especialmente importante para asteroides grandes ou identificados tarde demais para uma simples mudança de trajetória.

    Para avaliar o comportamento do objeto, a equipe criou três simulações tridimensionais baseadas no formato e na estrutura porosa do asteroide Bennu. Os pesquisadores também utilizaram modelos de fratura inspirados nos meteoritos de Chelyabinsk e Aba Panu, que apresentavam características úteis para reproduzir o comportamento de rochas espaciais.

    No cenário em que a explosão ocorreu a dez metros da superfície, 98,2% do material do asteroide foi completamente danificado e aproximadamente 97% passou a se mover acima da velocidade de escape do objeto. Grandes partes também se deslocaram em direções opostas, indicando que o asteroide poderia começar a se separar.

    Asteroide
    Asteroide — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Quando a distância aumentou para 25 metros, uma quantidade menor de energia atingiu diretamente o asteroide. Mesmo assim, os raios X atingiram área maior da superfície. Após 68 milissegundos, 92,6% do material estava completamente danificado, contra 78,1% no cenário equivalente com a explosão a dez metros.

    Apesar dos resultados, os pesquisadores ainda não sabem qual seria o destino final dos fragmentos. A simulação mais longa acompanhou apenas 145 milissegundos do processo e levou 59 dias para ser executada, usando 1.680 processadores. Por isso, os fragmentos poderiam se dispersar, continuar oferecendo risco ou até voltar a se juntar pela própria gravidade.

    Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.

    bomba nuclear
    bomba nuclear — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Matheus Labourdette
    Matheus Labourdette — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Representação artística de um asteroide gigante passando perto da Terra – Imagem: Elenarts/Shutterstock
    Representação artística de um asteroide gigante passando perto da Terra – Imagem: Elenarts/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Uma bomba nuclear poderia ser usada como último recurso contra um asteroide em rota de colisão – Imagem: Jack W. Aeby/Domínio público
    Uma bomba nuclear poderia ser usada como último recurso contra um asteroide em rota de colisão – Imagem: Jack W. Aeby/Domínio público — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/25/ciencia-e-espaco/nossa-defesa-contra-asteroides-pode-ser-uma-bomba-nuclear/.

    Imagem 1
    1 / 8

    Representação artística de um asteroide gigante passando perto da Terra – Imagem: Elenarts/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)