Nos cem anos do nascimento de Fidel, o El Presidente
A maior Cuba libre de que se tem notícia foi preparada em Havana , em 2018. Foram 540 litros do famoso coquetel, num copo de quase dois andares de altura. Embaixo, duas torneiras apenas faziam o contraste. Leia mais (08/19/2026 - 13h38)

Coluna é assinada pelo jornalista e tradutor Daniel de Mesquita Benevides
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A maior Cuba libre de que se tem notícia foi preparada em Havana , em 2018. Foram 540 litros do famoso coquetel, num copo de quase dois andares de altura. Embaixo, duas torneiras apenas faziam o contraste.
Cerca de 20 bartenders se dedicaram à tarefa. Vieram de várias partes das Américas para um encontro internacional de coquetelaria. Da escadaria do hotel Habana Libre despejaram no copão mais de cem garrafas de rum e 200 litros de Coca-Cola , além de quilos de gelo e limão.
Nunca saberemos se, no entusiasmo da ação descomunal, caíram na mistura abotoaduras, pares de óculos, chicletes mascados, cigarros acesos e cartões-chave de quartos.

O último dia 13 marcou o centenário de Fidel Castro . Brindes mundo afora certamente foram feitos para o histórico líder cubano. Muitos terão bradado "Viva la revolución!", alguns com nostalgia, outros com fervor. (Veteranos da esquerda talvez tenham brindado com o copo vintage da ilha, que traz imagens de Fidel, Che, Cienfuegos e o menos conhecido Manuel Urrutia).
O fervor tomara conta do hotel Habana Libre —então Hilton— na derrubada da ditadura de Fulgencio Batista, em 1959. Há uma foto impressionante com os guerrilheiros armados da Sierra Maestra ocupando o lobby do hotel, totem do capitalismo. Oito dias antes, o Ano-Novo havia sido comemorado ali, com empresários, políticos corruptos e mafiosos festejando os lucros que, mal sabiam, cessariam em breve.
Por cerca de três meses, a franquia Hilton serviu de quartel-general da revolução. Prático e simbolicamente perfeito. Fidel ficava na suíte La Castellana, de onde fazia reuniões e pronunciamentos, dava entrevistas e se encontrava com políticos estrangeiros. Por um período, o hotel também abrigou a embaixada da União Soviética , que apoiava política e economicamente o novo regime.

O que o carismático líder barbudo bebia? Gostava do óbvio Cuba libre, de uísque e também, ao que parece, de uma versão do mojito que leva refrigerante de limão no lugar da água com gás. Era o mojito del Che. (No fim da vida, Fidel alertou para os malefícios do álcool .)
Em 1959, ele bebia com a jovem Marita Lorenz, de 19 anos. Filha de um capitão de navio alemão e uma francesa que foi da Resistência, era sua amante e também secretária. Num episódio meio nebuloso, ela tentou matar o comandante na suíte do Habana Libre. Cooptada pela CIA nos EUA , voltou para Cuba com duas cápsulas de veneno, que derreteram, escondidas num pote de creme. Ela confessou o malogro a Fidel, que, surpreendentemente, a perdoou.
Existe um coquetel chamado Fidel Castro. Junta rum escuro, limão e ginger ale. A receita pede o Havana Club, tradicional marca criada em 1934, nos tempos em que a capital cubana era uma "Las Vegas tropical". A marca foi nacionalizada pelo governo comunista, logo depois da revolução.
A primeira menção ao El Presidente surgiu no "Manual del Cantinero" , na Cuba de 1915. O presidente da época era um capitalista conservador e o país vivia à sombra dos EUA. A licença poética/revolucionária da inversão Hilton-Habana Libre permite que o coquetel sirva de homenagem ao centenário de Fidel.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/daniel-de-mesquita-benevides/2026/08/nos-cem-anos-do-nascimento-de-fidel-o-el-presidente.shtml.

O antigo líder cubano Fidel Castro, em foto de 1989 - Rafael Perez - 8.jan.89/AFP · Rafael Perez - 8.jan.89/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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