Nordeste, baixa renda e rua: as apostas de Lula para a última semana
Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva launches his re-election campaign at Primeiro de Maio Stadium in Sao Bernardo do Campo, Brazil, August 16, 2026. The stadium, formerly known as Vila Euclides, was the site of the mass metalworkers’ assemblies led by Lula during the landmark 1979 and 1980 strikes. REUTERS/Adriano Machado " data-image-caption=" (Foto: Adriano Machado / Reuters) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/eleicoes-2026-lula-pt-campanha-sao-bernardo-05.jpg?fit=1100%2C700&quality=70&strip=all" />Campanha quer recuperar margem em redutos hi

Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva launches his re-election campaign at Primeiro de Maio Stadium in Sao Bernardo do Campo, Brazil, August 16, 2026. The stadium, formerly known as Vila Euclides, was the site of the mass metalworkers’ assemblies led by Lula during the landmark 1979 and 1980 strikes. REUTERS/Adriano Machado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na última semana antes do primeiro turno com uma estratégia de contenção e mobilização. A campanha quer recuperar votos no Nordeste, limitar o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) no Sudeste e garantir que sua base compareça às urnas.
A agenda combina viagens, atos de rua e maior exposição do presidente, com foco em temas como Bolsa Família, bets, salário mínimo e jornada de trabalho.

A disputa se apertou. Na Quaest divulgada na segunda-feira (21), Lula aparece com 37% das intenções de voto, contra 33% de Flávio . No eventual segundo turno, o senador registra 42% e o presidente, 41%, dentro da margem de erro.
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Lula ainda lidera com folga no Nordeste, mas a campanha acompanha a redução da distância em algumas pesquisas. Nos próximos dias, o presidente deve passar por Alagoas, Pernambuco, Bahia e Ceará antes de concentrar esforços no Sudeste.

A meta é preservar a liderança e recuperar votos que migraram para candidaturas menores. Levantamento BTG/Nexus mostrou que, entre eleitores que votaram em Lula em 2022, 5% agora preferem Augusto Cury (Avante) e outros 5%, Ronaldo Caiado (PSD). Entre eleitores historicamente alinhados à esquerda, a intenção de voto no presidente caiu de 85% para 79%.
A campanha aposta na força de governadores, prefeitos e lideranças locais. Em Pernambuco, Lula deve participar de ato com o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em Alagoas, a agenda prevê encontro com Renan Filho (MDB).
O Nordeste continua sendo o principal colchão eleitoral do presidente. No Datafolha de 21 de setembro, Lula tinha 56% na região, contra 26% de Flávio. O risco, portanto, não é perder a liderança, mas chegar ao segundo turno com uma vantagem menor que a de eleições anteriores.

Depois do Nordeste, Lula deve concentrar a campanha em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os três estados formam os maiores colégios eleitorais do país, e Minas é considerado decisivo pelo equilíbrio histórico nas disputas presidenciais.
Em São Paulo, estão previstos atos nas zonas Leste e Sul da capital, áreas populosas e com forte presença de eleitores de menor renda — justamente o perfil em que Lula mantém vantagem.
No Datafolha, o presidente marcou 46% entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, contra 29% de Flávio. Entre pessoas com ensino fundamental, o placar foi de 47% a 30%. Lula também lidera entre eleitores com 60 anos ou mais e católicos.

Flávio, por sua vez, aparece à frente nas faixas de renda mais altas. A campanha petista quer impedir que essa vantagem se amplie nas regiões metropolitanas e elevar o comparecimento entre os grupos em que Lula é mais forte.
A mobilização de rua ganhou peso porque a base de Lula é também a mais exposta à abstenção. A campanha do petista avalia que o presidente precisa intensificar o contato direto com eleitores de baixa renda. O diagnóstico é de que em uma disputa apertada, garantir a presença nas urnas pode ser tão importante quanto conquistar novos votos.
No Datafolha, Lula tem 53% entre eleitores que recebem Bolsa Família ou vivem com algum beneficiário do programa, contra 28% de Flávio. Fora desse grupo, os dois aparecem praticamente empatados: 36% a 37% para o senador.

Transformar essa vantagem social em comparecimento será uma das principais tarefas da última semana.
O governo também tenta tirar a campanha do terreno das crises institucionais e levá-la para o cotidiano das famílias.
O r eajuste de 15,04% do Bolsa Família foi o primeiro movimento. Agora, o Planalto prepara novas medidas sobre renda, consumo e endividamento. A ofensiva contra as bets já aparece na propaganda de Lula e foi levada pelo presidente à Assembleia-Geral da ONU.

Analistas apontam que a campanha tenta interromper uma sequência de notícias negativas e temas como Bolsa Família e bets traduzem melhor a disputa em questões de renda, consumo e endividamento do que assuntos como soberania e inteligência artificial.
A campanha também mira segmentos em que Lula ainda lidera, mas enfrenta maior dispersão. Mulheres, eleitores de baixa renda, católicos, pessoas com menor escolaridade e beneficiários de programas sociais formam o núcleo mais favorável ao presidente. Entre as mulheres, porém, há mais indecisão: no Datafolha, 26% não citavam espontaneamente um candidato, contra 14% dos homens.
O discurso contra as bets tenta alcançar esse público ao enfatizar perda de renda e endividamento familiar. A campanha também reforça propostas sobre salário, proteção social e jornada de trabalho.

Entre os jovens, o desafio é recuperar eleitores que se aproximaram de Augusto Cury. No início de setembro, o candidato do Avante tinha 14% entre pessoas de 25 a 34 anos, segundo o Datafolha.
A aproximação de Flávio deve levar Lula a adotar um tom mais direto. Durante boa parte da campanha, o presidente evitou tratá-lo como principal adversário e preferiu associá-lo ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a viagem à ONU, aliados concluíram que a campanha demorou a responder ao crescimento do senador e apostou demais em agenda positiva e soberania nacional.
Lula agora avalia participar do debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. A decisão ainda não foi tomada, mas a possibilidade foi reservada na agenda.

Quanto menor a distância entre os dois, maior o custo de deixar Flávio falar sozinho.
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Foto: InfoMoney
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