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    Nobel põe fim à angústia de físico belga nos meses de outubro

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    UOL
    6 de outubro de 2026 às 21:00
    Nobel põe fim à angústia de físico belga nos meses de outubro
    Homem idoso de cabelos grisalhos e óculos redondos está de braços cruzados, vestindo camisa azul com listras brancas, em fundo cinza neutro. — Foto: UOL

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    O físico belga Francis Halzen, 82, acumula uma lista extensa de distinções acadêmicas. Mas, em outubro, ele geralmente sentia-se arrasado por não ter uma: o Prêmio Nobel . A espera dele chegou ao fim nesta terça-feira (6) ao ganhar a láurea, sozinho, por suas contribuições na detecção de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.

    O físico belga Francis Halzen, 82, na cidade de Madison, Wisconsin (EUA) - Althea Dotzour/UW-Madison/via Reuters · Althea Dotzour/UW-Madison/via Reuters
    O físico belga Francis Halzen, 82, na cidade de Madison, Wisconsin (EUA) - Althea Dotzour/UW-Madison/via Reuters · Althea Dotzour/UW-Madison/via Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "É um grande alívio, porque isso não foi totalmente inesperado", afirmou ele durante uma entrevista coletiva nesta terça-feira na Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos , onde leciona. O físico falou por meio de vídeo, diretamente de um quarto de hotel na Itália, onde comparecia a um encontro científico.

    "Nesta época do ano, eu sempre me sentia péssimo por não ganhar o prêmio e pensava que era terrível para meus colaboradores, que tanto o mereciam, e que eu decepcionava toda a equipe do IceCube a cada outubro", disse o belga. "Então, esse problema finalmente está resolvido. Sou muito grato por isso."

    O cientista é o cérebro por trás do observatório de neutrinos IceCube, um telescópio instalado em um quilômetro cúbico de gelo antártico que detecta neutrinos —partículas quase sem massa que raramente interagem com outras formas de matéria.

    Veja os ganhadores do Nobel de Física nos últimos anos
    Veja os ganhadores do Nobel de Física nos últimos anos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A cada segundo, cerca de 65 bilhões de neutrinos vindos do Sol atravessam a unha do seu dedo mindinho. Os que vêm de regiões mais distantes do espaço carregam pistas sobre mistérios cósmicos, como os buracos negros supermassivos no centro das galáxias.

    Halzen, que cresceu na Bélgica , prestou uma calorosa homenagem às cerca de 450 pessoas de mais de uma dúzia de países que ajudaram a transformar em realidade uma ideia concebida por ele no fim da década de 1980.

    "A UW [Universidade de Wisconsin] assumiu riscos enormes nesse projeto", disse o docente. "Tínhamos vários marcos a cumprir e, em cada etapa, esse projeto poderia ter fracassado."

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    Ele também agradeceu à Fundação Nacional de Ciência (NSF) por ter apostado no projeto. "Não tenho certeza de que isso seria possível hoje, mas aconteceu, e tivemos muita sorte."

    O governo do presidente Donald Trump propôs cortes profundos na NSF, a agência dos Estados Unidos que financia pesquisas fundamentais, e determinou que ela se concentre nas prioridades tecnológicas do governo.

    Antes de Halzen, físicos já haviam sugerido que a água poderia capturar neutrinos vindos do espaço: quando um neutrino atinge um núcleo atômico, produz uma partícula carregada que se desloca na mesma direção e emite luz azul, a qual pode ser detectada porque a água é transparente.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O grande salto de Halzen foi usar gelo em vez de água —diferentemente da água em estado líquido, o gelo não é perturbado por seres vivos, e sua escuridão permanece constante em grandes profundidades.

    Fazer com que isso funcionasse foi uma luta, mas as primeiras imagens de neutrinos, captadas por um protótipo de pesquisa e desenvolvimento do IceCube, representaram "a maior emoção que já senti com este projeto", afirmou o físico. "Foi simplesmente incrível constatar que conseguíamos fazer isso funcionar."

    O IceCube está em pleno funcionamento desde 2011 e detectou neutrinos de alta energia provenientes de uma galáxia distante na direção da constelação de Órion, assim como da nossa própria Via Láctea.

    Quanto ao futuro, Halzen observou que, sempre que a humanidade abriu uma nova "janela para o Universo", as previsões sobre o que viria a seguir se mostraram equivocadas. "É impossível prever o que isso trará, mas, no passado, os resultados sempre foram extraordinários, e não há razão para não acreditar que será assim novamente."

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/10/nobel-poe-fim-a-angustia-de-fisico-belga-nos-meses-de-outubro.shtml.

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    O físico belga Francis Halzen, 82, na cidade de Madison, Wisconsin (EUA) - Althea Dotzour/UW-Madison/via Reuters · Althea Dotzour/UW-Madison/via Reuters — Foto: UOL

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