No dia 1 de campanha, PT faz culto à personalidade de Lula e PL projeta Flávio com antipetismo
De um lado, um presidente em seu terceiro mandato resgatando o passado de sindicalista, numa tentativa de reconexão com a militância ("Um igual a vocês é capaz de fazer mais"). Do outro, um senador buscando forjar personalidade própria, já que seu atributo mais conhecido é ser "filho da esperança", como foi anunciado ao chegar a Copacabana. Leia mais (08/16/2026 - 20h01)

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De um lado, um presidente em seu terceiro mandato resgatando o passado de sindicalista, numa tentativa de reconexão com a militância ("Um igual a vocês é capaz de fazer mais"). Do outro, um senador buscando forjar personalidade própria, já que seu atributo mais conhecido é ser "filho da esperança", como foi anunciado ao chegar a Copacabana.

No primeiro dia da campanha eleitoral, neste domingo (16), Luiz Inacio Lula da Silva (PT) lotou o estádio da Vila Euclides , em São Bernardo do Campo , em um evento com recursos de megashow: telão que exibia clipes dos melhores momentos da vida do candidato, hino nacional com Fafá de Belém, discurso em um palco que invadia o gramado, gerando imagens perfeitas para a campanha na TV.
Quase no mesmo horário, pela manhã, Flávio Bolsonaro (PL) não reuniu gente suficiente na orla mais famosa do Rio de Janeiro se a comparação for com os atos promovidos pelo pai no mesmo lugar. No alto do trio elétrico, praticamente apenas políticos locais . O pastor Silas Malafaia tinha outra agenda, enviou um áudio. "A maior manifestação neste ano será nas urnas, não nas ruas", escreveu um bolsonarista que assistia à transmissão pelo YouTube.
Em São Bernardo, o petista gastou boa parte dos 35 minutos do discurso de olho no retrovisor, lembrando os companheiros de luta sindical, os intelectuais que ajudaram a moldar o partido, a sua infância pobre, filho de mãe analfabeta. Citou as suas prisões, inclusive a mais recente, o que não costuma fazer.

Lula está convencido de que a juventude não conhece a sua trajetória e precisa mostrar que, apesar dos 17 anos do PT no poder, não é um candidato do sistema. "Vocês colocaram na Presidência um peão, quase um analfabeto. Mas eu conheço o coração e a mente de vocês. E tenho certeza que os outros que passaram por esse país não conheceram."
Se dona Lindu foi lembrada algumas vezes em São Bernardo, Jair Bolsonaro estava onipresente em Copacabana . Sua voz, falando de como pediu a Deus uma segunda chance no hospital depois de ter sido esfaqueado, foi reproduzida no meio do discurso do filho. "É difícil comparar o Pelé com o filho do Pelé, mas estou aqui com toda humildade", disse Flávio.
O candidato do PL garantiu que o ex-presidente nunca foi uma ameaça à democracia e pediu gritos de "volta, Bolsonaro". Terminou sua fala com "eu te amo, pai" e o bordão "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Quando voltou o olhar para a frente, Lula não economizou nas promessas. Citou o que considera grandes marcos de seu governo, como o Luz para Todos e a transposição do rio São Francisco, para emendar que pretende criar o Ministério da Segurança Pública, expandir a escola integral, investir na indústria e explorar terras raras.
Flávio prometeu tirar o Brasil do vermelho, acabar com a corrupção, incentivar o setor produtivo e mais empregos para os jovens. Não poupou críticas ao atual governo, que "briga com países que estão em outro continente, mas não briga com o ladrão vizinho, com traficante, com estuprador, assaltante e assassino." "Lula é o caloteiro da esperança", decretou.
Apesar dos quatro mandatos como deputado estadual e de estar no Senado, Flávio também quer a pecha de "antissistema". "O povo olha para Brasília com nojo", afirmou. Disse ainda que o pai não estava ali por ser "odiado por uma parcela dos poderosos".

Lula e Flávio não esqueceram de acenar às mulheres. A primeira-dama Janja discursou, fez uma rara homenagem a Marisa , com quem Lula foi casado por mais de 40 anos, e cantou. A dentista Fernanda Bolsonaro escreveu o slogan da campanha ("O Brasil vai vencer"), com um batom, na camiseta amarela que o marido usava por cima do colete à prova de balas. Ganhou um elogio: "Você é a minha espinha dorsal".
Deus estava nas falas dos dois candidatos . Em São Bernardo, o pastor evangélico Kleber Lucas subiu ao palco, e Lula citou Deus pelo menos 11 vezes. "Ele sempre foi muito generoso comigo." Flávio repetiu ter a convicção de que "há um propósito de Deus para o nosso país".
Lula e Flávio lideram as pesquisas eleitorais. No Datafolha mais recente, divulgada em julho, o presidente tem 40% das intenções de voto ante 32% do senador, no primeiro turno.

No dia 1 da campanha oficial à Presidência, o PT apostou na hagiografia do seu candidato, enquanto o PL buscou forjar o anti-Lula. A disputa está apenas começando.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/no-dia-1-de-campanha-pt-faz-culto-a-personalidade-de-lula-e-pl-projeta-flavio-como-o-anti-pt.shtml.

Presidente Lula lança sua campanha à reeleição no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo - Adriano Machado/Reuters · Adriano Machado/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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