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    No Canadá, a maioria apoia a suspensão da negociação comercial com os Estados Unidos

    Premiê Mark Carney surpreende Washington e associa disputa comercial à defesa da cultura e soberania canadenses

    UOL
    27 de agosto de 2026 às 03:00
    No Canadá, a maioria apoia a suspensão da negociação comercial com os Estados Unidos
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    É jornalista e vive em Nova York desde 1985. Foi correspondente da TV Globo, da TV Cultura e do canal GNT, além de colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo

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    O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante entrevista coletiva após suspender negociações comerciais com o governo de Donald Trump - Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters · Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters
    O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante entrevista coletiva após suspender negociações comerciais com o governo de Donald Trump - Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters · Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Imagine comprar uma televisão em São Paulo e descobrir que o manual de instalação é em inglês. Felizmente, a lei brasileira impede que isso aconteça. Mas se dependesse do time de negociadores americanos reunidos com os canadenses em Washington, na semana passada, os mais de 9 milhões de habitantes da província francófona de Quebec não teriam mais a garantia de poder instalar eletrodomésticos seguindo instruções no seu idioma nativo.

    A Constituição do Canadá determina que o inglês e o francês são os idiomas oficiais do país. Essa proteção é também uma defesa contra o movimento separatista da província cujo apoio, no momento, é o mais baixo das últimas décadas.

    Mas o que é um impertinente aspecto de soberania nacional para assessores de um presidente que se diverte publicando mapas com o Canadá identificado como o 51º estado dos EUA ? O ataque à proteção do francês em meios que incluem plataformas de streaming é só um detalhe do menu de exigências feito na reta final, embora, dias antes, Donald Trump anunciasse um "ACORDO!" iminente na rede social.

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    O colapso das negociações , decidido pelo primeiro-ministro Mark Carney pouco antes do prazo de meia-noite na sexta-feira (21), pegou Washington de surpresa. Testemunhos confirmam que as negociações para evitar um novo tarifaço entre os dois países descarrilaram de vez com a intervenção do abrasivo secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, que endureceu exigências especiais sobre aço e alumínio, sob pressão de lobistas de seu país.

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    Mas o sangue-frio de Mark Carney pode ter surpreendido ainda mais. O discreto ex-presidente do Banco Central britânico deslocou as manchetes das seções de economia e negócios para o noticiário político, usando uma linguagem firme e direta que lembra seu importante discurso de janeiro em Davos.

    O premiê revelou que os negociadores americanos se recusaram a dar garantias de que um acordo comercial assinado agora seria honrado se o chefe acordasse indisposto mais adiante –alô, Brasília.

    Exigiram mais: se os EUA decidissem impor tarifas mais altas contra um terceiro país, digamos, na importação de aço, o Canadá seria obrigado a impor a mesma tarifa contra o dito país –ALÔ, BRASÍLIA.

    Mark Carney foi eleito principalmente por causa do primeiro tarifaço trumpista, quando seu rival conservador era, até então, o favorito. A primeira pesquisa nacional feita após o colapso das negociações comerciais revelou que 76% dos canadenses apoiam a decisão do primeiro-ministro.

    Carney sabe que sua popularidade tende a cair quando o tarifaço começar a doer num país que já enfrenta 15 anos de baixo crescimento e pode estar flertando com uma recessão. Um economista estimou que 90 mil empregos podem ser perdidos se a guerra comercial persistir.

    Mas o tecnocrata está dando uma aula de astúcia política ao comunicar aos eleitores que estão em jogo não só preços e empregos, mas a soberania e a cultura nacionais. Ele não quer alienar o público dos EUA, que, por folgada maioria, é contra as tarifas. Quer taxar produtos relevantes para as economias locais do eleitorado trumpista, a dois meses das eleições americanas.

    É uma estratégia arriscada, com o objetivo de restabelecer estabilidade a longo prazo e não mais aceitar esparadrapos temporários para apaziguar um volúvel imperador.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2026/08/no-canada-a-maioria-apoia-a-suspensao-da-negociacao-comercial-com-os-estados-unidos.shtml.

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    O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante entrevista coletiva após suspender negociações comerciais com o governo de Donald Trump - Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters · Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters — Foto: UOL

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