No Brasil, ministro de Bukele diz que denúncias contra modelo de El Salvador são 'manipulação'
Gustavo Villatoro, ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador Reprodução Ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro apresentou o modelo adotado para combater o crime organizado no país caribenho em apresentação feita no Brasil nesta segunda-feira (31). Ele definiu como "manipulação" as denúncias de violação de direitos humanos ocorridas no governo de Nayib Bukele. "É muito claro como eles estão tentando nos manipular, como querem destruir nosso trabalho. Porque, infelizmente para eles, mesmo sendo um país pequeno e pobre, estamos dando o exemplo de co
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Gustavo Villatoro, ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador — Foto: Reprodução
Ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro apresentou o modelo adotado para combater o crime organizado no país caribenho em apresentação feita no Brasil nesta segunda-feira (31). Ele definiu como "manipulação" as denúncias de violação de direitos humanos ocorridas no governo de Nayib Bukele.
"É muito claro como eles estão tentando nos manipular, como querem destruir nosso trabalho. Porque, infelizmente para eles, mesmo sendo um país pequeno e pobre, estamos dando o exemplo de como enfrentar organizações criminosas", afirmou Villatoro, durante participação em evento sobre segurança pública feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, na capital paulista.

O modelo de El Salvador é controverso: prisões ocorreram sem mandados ou provas, com base em denúncias anônimas e após o presidente decretar Estado de Exceção -- que foi prorrogado por mais de 50 vezes. Além disso, entidades de direitos humanos do país denunciam a realização de julgamentos coletivos, perseguição de opositores do governo e impedimento da livre atividade da imprensa.
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Ao tratar das críticas de que El Salvador é uma ditadura, Villatoro afirmou que tudo o que foi feito teve como base a vontade do povo. Ele chamou defensores de direitos humanos de "hipócritas". O ministro foi aplaudido por três vezes pela plateia. Ao final da fala, foi aplaudido de pé.
Durante a palestra, Villatoro defendeu a implementação do Estado de Exceção para combater os grupos criminosos organizados e disse que "é sabido que um estado de emergência ou um estado de exceção não tem soluções prontas". "Um estado de exceção é simplesmente a ferramenta constitucional que usamos para declarar guerra a um estado criminoso paralelo", disse.
Villatoro defendeu que houve responsabilização individual de mais de 80 mil criminosos presos e condenados em El Salvador, apesar de existirem denúncias de que há julgamentos coletivos e prisões feitas sem provas.
O evento da Fiesp é transmitido no YouTube, mas teve o áudio parcialmente interrompido durante a palestra de Villatoro e durante a exibição de um vídeo institucional do governo de El Salvador -- as imagens deste vídeo não foram exibidas online. Um aviso informava que a interrupção de seu por "questões relacionadas aos direitos autorais".
O ministro chamou de "milagre" e "não só obra de um homem, mas de Deus" as ações no país. "Deus nos deu essa oportunidade e colocou o país nas mãos de um homem que ama El Salvador e vai fazer todo o necessário para que finalmente possamos sair dessa pobreza", disse.
O Congresso de Segurança Pública da Fiesp conta com a participação de candidatos nas eleições brasileiras em 2026, como à vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL); ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL); e ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite (PP).
No domingo (30), Flávio Bolsonaro se encontrou com Villatoro e defendeu prender mais pessoas no Brasil , que tem quase 1 milhão de presos. Ao ignorar as violações cometidas pelo governo Bukele, o candidato afirmou que a gestão foi responsável por "implementar um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania e devolver a segurança pública para o povo dele".
O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), se reúne na manhã deste domingo (30), em um hotel de São Paulo, com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro. — Foto: Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo
“Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Por isso que nós vamos criar mais de meio milhão de vagas em presídios para que ladrão de celular e comércio tenha no mínimo oito anos de cadeia e fique preso”, afirmou o senador.
Sem citar o regime de exceção permanente de El Salvador, em que garantias constitucionais da população foram suprimidas pelo governo Bukele, após aprovação de projeto de sua equipe no Congresso salvadorenho, Flávio Bolsonaro defendeu que o PL e seus aliados conquistem mais cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado para aprovar mudanças semelhantes na lei brasileira.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/08/31/ministro-seguranca-publica-justica-el-salvador.ghtml.

Agora no g1 — Foto: G1
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