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    Netanyahu teria sido avisado antes de ataque de 7 de outubro, diz jornal

    Reportagem publicada pelo jornal Hareetz provocou revolta em Israel; primeiro-ministro nega que tenha ignorado alerta dos Emirados Árabes Unidos: "Mentira absoluta"

    CNN Brasil
    8 de setembro de 2026 às 22:03
    Netanyahu teria sido avisado antes de ataque de 7 de outubro, diz jornal
    Foto: CNN Brasil

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrentou uma forte reação política nesta terça-feira (8) devido a uma reportagem segundo a qual o presidente dos Emirados Árabes Unidos o havia alertado de uma grande operação do Hamas dias antes do ataque de 7 de outubro de 2023.

    O Gabinete do Primeiro-Ministro classificou a reportagem como uma “mentira absoluta”. No entanto, com as eleições israelenses de outubro a menos de dois meses de distância, os rivais de Netanyahu aproveitaram a notícia como mais uma evidência do que descrevem como uma lista crescente de alertas ignorados por ele.

    Os líderes dos quatro partidos de oposição — Gadi Eisenkot, Naftali Bennett, Avigdor Lieberman e Yair Golan — divulgaram uma rara declaração conjunta exigindo “uma investigação imediata e minuciosa” sobre as “falhas e o mau funcionamento” de Netanyahu.

    Benjamin Netanyahu visita local de ataque de míssil em Arad • Reuters · • Reuters
    Benjamin Netanyahu visita local de ataque de míssil em Arad • Reuters · • Reuters — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “O público israelense tem o direito de saber: o que Netanyahu sabia, quando soube, por que não informou o aparato de segurança e por que não agiu para proteger os civis israelenses?”, dizia a declaração.

    O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett afirmou que a reportagem é “verdadeira”, escrevendo na rede social X que o suposto descaso do primeiro-ministro com os alertas equivale a “negligência criminosa”.

    O aliado político de Bennett, o ex-primeiro-ministro Yair Lapid, disse que também havia alertado publicamente sobre um ataque antes de ele ocorrer, assim como fizeram altos funcionários de segurança de Israel e autoridades egípcias. “Se Netanyahu tivesse cumprido seu papel, o massacre teria sido evitado”, disse Lapid em um comunicado.

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    A reportagem, publicada no jornal Haaretz, baseou-se em informações de um livro a ser lançado pelos jornalistas israelenses Shlomi Eldar e Ruti Yuval.

    O texto relatava que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeique Mohammed bin Zayed, ligou para Netanyahu cerca de 10 dias antes de 7 de outubro e, durante uma conversa de 45 minutos, alertou-o de que o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, estava planejando uma grande ação contra Israel que poderia causar derramamento de sangue e desestabilizar a região.

    A reportagem citou uma mensagem que Sinwar transmitiu aos Emirados Árabes Unidos e a Israel por meio de um mediador palestino, em meados de setembro de 2023, alertando sobre um iminente “terremoto”.

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    O Haaretz informou que Netanyahu reagiu “relativamente com calma” às informações e garantiu a Bin Zayed que Israel estava preparado para qualquer cenário.

    O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos emitiu um comunicado na noite desta terça-feira afirmando que “não comenta notícias da mídia ou especulações sobre conversas entre líderes governamentais”, mas não negou a realização da ligação. “Quando necessário, todas as informações de inteligência relevantes foram e continuam sendo comunicadas entre as entidades competentes”, dizia a nota.

    Uma fonte israelense a par do assunto afirmou que o gabinete de Netanyahu tentou fazer com que os Emirados Árabes Unidos negassem a reportagem do jornal Haaretz, mas o país concordou apenas em divulgar um comunicado sobre o compartilhamento de informações de inteligência.

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    O Gabinete do Primeiro-Ministro negou veementemente a reportagem, afirmando que Netanyahu “não falou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos durante o período em questão e não recebeu nenhum aviso dele”.

    A reportagem surge num momento em que os rivais de Netanyahu trabalham para transformar a responsabilização pelos eventos de 7 de outubro — o ataque mais letal da história de Israel, durante o qual mais de 1.200 pessoas foram assassinadas e mais de 250 sequestradas para Gaza — em um tema central da campanha .

    Netanyahu permanece no cargo há mais tempo do que quase todos os membros da cúpula de segurança de Israel daquela época. Desde o ataque, o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e os diretores da Inteligência Militar, do Mossad e do Shin Bet renunciaram, foram afastados ou encerraram seus mandatos.

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    Gadi Eisenkot, apontado pelas pesquisas como o principal adversário de Netanyahu, disse que a reportagem mostra que o atual primeiro-ministro “conduziu Israel às cegas” em direção às falhas de 7 de outubro e reiterou sua promessa de criar uma comissão de inquérito estatal caso seja eleito.

    Quase três anos após o ataque, Netanyahu tem resistido às exigências de famílias enlutadas e sobreviventes de 7 de outubro para a criação de uma comissão independente que investigue as falhas de segurança e inteligência que permitiram ao Hamas realizar a operação.

    Em vez disso, ele e seus aliados têm promovido uma narrativa que culpa os chefes de segurança por não o terem acordado na noite anterior ao ataque, apesar de haver indícios de inteligência de que uma ofensiva do Hamas era iminente.

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    Tragédia no Nepal: drones mostram destruição após deslizamento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    No mês passado, sua esposa, Sara Netanyahu, sugeriu que Yair Golan — major-general da reserva e líder do partido de esquerda Democratas, que se dirigiu por conta própria à fronteira com Gaza em 7 de outubro para resgatar sobreviventes — tinha conhecimento prévio do ataque. Em entrevista ao Canal 14, emissora alinhada ao governo, ela questionou como Golan já estava “vestido e pronto” na madrugada daquele dia para seguir para o sul, “enquanto outros não sabiam de nada, inclusive o primeiro-ministro”.

    Golan exigiu um pedido de desculpas pelo que classificou como uma “teoria da conspiração vil” e afirmou que moveria uma ação judicial por difamação, descrevendo a alegação como parte da tentativa de Netanyahu de “reescrever” os acontecimentos de 7 de outubro e se eximir de responsabilidade.

    Após a reportagem do Haaretz, Golan escreveu no X que a narrativa do primeiro-ministro de que “não o acordaram” chegou ao fim. “Ele sabia, ele foi avisado.” Ele classificou o episódio não como um erro de julgamento, mas como um “abandono consciente e criminoso”.

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    EUA e Israel divergem sobre permanência na guerra, avalia especialista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Horas mais tarde, o partido Democratas intensificou sua campanha eleitoral contra Netanyahu, instalando um outdoor gigante sobre a principal rodovia de Tel Aviv com a seguinte frase: “O dossiê dos 1.200 assassinados – Causar a morte por negligência”.

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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/netanyahu-teria-sido-avisado-antes-de-ataque-de-7-de-outubro-diz-jornal/.

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