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    Nepal intensifica buscas por centenas de trabalhadores presos em túneis após enchente no Himalaia

    Equipes de resgate do Nepal intensificaram nesta segunda-feira (31) as buscas para alcançar centenas de trabalhadores presos em túneis de projetos hidrelétricos atingidos pela enchente no Himalaia na semana passada. Socorristas da China e da Índia foram mobilizados para ajudar na operação. Leia mais (08/31/2026 - 02h56)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 05:56
    Nepal intensifica buscas por centenas de trabalhadores presos em túneis após enchente no Himalaia
    Cinco homens em uniforme camuflado e coletes laranja com a palavra 'RANGER' carregam uma maca com uma pessoa ferida, que recebe soro intravenoso, em área verde com árvores ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Equipes de resgate do Nepal intensificaram nesta segunda-feira (31) as buscas para alcançar centenas de trabalhadores presos em túneis de projetos hidrelétricos atingidos pela enchente no Himalaia na semana passada. Socorristas da China e da Índia foram mobilizados para ajudar na operação.

    Soldados do exército carregam uma mulher após ela ter sido retirada de helicóptero de uma área atingida por enchentes e deslizamento de terra, no quartel Maithili, um centro de treinamento militar, em Trishuli, distrito de Nuwakot, Nepal, n
    Soldados do exército carregam uma mulher após ela ter sido retirada de helicóptero de uma área atingida por enchentes e deslizamento de terra, no quartel Maithili, um centro de treinamento militar, em Trishuli, distrito de Nuwakot, Nepal, n — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo as autoridades, ao menos 933 trabalhadores estão presos nos túneis. Ainda não há informações sobre quantos deles estariam vivo.

    O desastre matou ao menos 919 pessoas e deixou 4.793 desaparecidos, segundo balanço mais recente. Do total de mortos, 903 foram registrados no Nepal, segundo balanço da polícia, e 16 do lado chinês, de acordo com a imprensa estatal. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas foram afetadas pelo desastre.

    O foco dos trabalhos concentra-se nos distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot, os mais atingidos, onde 11 projetos hidrelétricos foram bloqueados.

    Inundação e deslizamento matam centenas entre Nepal e China
    Inundação e deslizamento matam centenas entre Nepal e China — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fotos e vídeos compartilhados pelas equipes de resgate mostram máquinas de terraplenagem escavando e retirando lama e pedras durante a noite, sob iluminação. Em uma grande escavação aberta para tentar encontrar um espaço que permitisse a entrada em um dos túneis, militares e resgatistas usam lanternas para vasculhar os destroços.

    O Exército nepalês informou que as equipes de busca utilizavam explosões controladas e escavadeiras e para retirar água e lama e chegar às pessoas presas. Três corpos foram recuperados depois que as equipes entraram em dois túneis. Outras áreas continuavam soterradas pela lama e eram vasculhadas.

    "Uma grande quantidade de detritos foi depositada, e isso está representando um grande desafio para abrirmos os túneis", disse à Reuters o porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet. "Nosso principal foco é abrir os túneis."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em meio às buscas, o calor úmido nas planícies acelera a decomposição dos corpos arrastados pela correnteza, forçando o sepultamento de centenas de vítimas ainda não identificadas em valas rasas.

    O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, classificou o episódio como um "desastre natural sem precedentes e devastador" e ressaltou a dificuldade de mensurar o impacto total dos danos.

    De acordo com a mídia estatal chinesa , a enchente foi "causada pela instabilidade das geleiras sob os efeitos de longo prazo do aquecimento global", acrescentando que se tratava de uma " nova e relevante característica dos desastres da criosfera" no planalto tibetano.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo a CCTV, cientistas chineses constataram que o deslizamento de lama vindo do lado nepalês levou de seis a sete minutos para chegar ao posto de fronteira de Gyirong.

    Inicialmente, chegou-se a cogitar que o fenômeno tivesse sido provocado por um terremoto de magnitude 4,4. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, porém, o tremor foi resultado da energia sísmica gerada pelo desmoronamento.

    Cientistas alertaram que não se deve descrever a mudança climática como a única causa imediata do colapso da geleira, mas disseram que o aumento das temperaturas e o derretimento do gelo provavelmente contribuíram para o desastre.

    "As mudanças climáticas estão criando condições capazes de desestabilizar rochas e gelo em regiões de alta montanha", disse Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea, do Earth Sciences New Zealand.

    O aquecimento pode reduzir a sustentação fornecida pelo gelo, aumentar a quantidade de água de degelo e alterar os padrões de congelamento, descongelamento e chuva, tornando grandes desabamentos mais prováveis em alguns locais, afirmou Cox.

    "O súbito colapso glacial e a enxurrada são um lembrete devastador de como esses ambientes montanhosos podem ser frágeis ", afirmou em comunicado o chefe da ONU para o clima , Simon Stiell. "O aquecimento global provocado pela queima em massa de carvão, petróleo e gás torna tragédias como esta, e tantas outras em todo o mundo, muito mais prováveis, frequentes e graves."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/mortes-no-nepal-e-china-sobem-para-919-4793-estao-desaparecidos.shtml.

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    Soldados do exército carregam uma mulher após ela ter sido retirada de helicóptero de uma área atingida por enchentes e deslizamento de terra, no quartel Maithili, um centro de treinamento militar, em Trishuli, distrito de Nuwakot, Nepal, n — Foto: Folha de S.Paulo

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