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    Nenhum risco é maior que risco-Bolsonaro

    A atenção da liga internacional da extrema direita se concentra hoje no Brasil. A liga tem sido laboratório de produção e exportação de técnicas para esvaziar regimes democráticos dos resquícios de autogoverno coletivo, eleições livres , proteção das liberdades. Essa época histórica não se esgotará em dois ou três ciclos eleitorais. Leia mais (08/26/2026 - 18h11)

    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 21:11
    Nenhum risco é maior que risco-Bolsonaro
    Homem sentado na mesa presidencial do Salão Oval, com três homens em pé atrás dele. Ao fundo, janelas com cortinas douradas, várias bandeiras americanas e estátuas decorativas. — Foto: Folha de S.Paulo

    Professor de direito constitucional da USP, é doutor em direito e ciência política e membro do Observatório Pesquisa, Ciência e Liberdade - SBPC

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    Flávio Bolsonaro, o influenciador Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro com Donald Trump em encontro na Casa Branca, em maio - Divulgação · Divulgação
    Flávio Bolsonaro, o influenciador Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro com Donald Trump em encontro na Casa Branca, em maio - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A atenção da liga internacional da extrema direita se concentra hoje no Brasil. A liga tem sido laboratório de produção e exportação de técnicas para esvaziar regimes democráticos dos resquícios de autogoverno coletivo, eleições livres , proteção das liberdades. Essa época histórica não se esgotará em dois ou três ciclos eleitorais.

    Quem tenta se posicionar eleitoralmente nos moldes da antiga normalidade, entre esquerda e direita, entre mais ou menos Estado, mais ou menos política social, precisa se dar conta da enormidade de nosso tempo.

    O Brasil tem um sócio master na liga internacional: os Bolsonaros. Nenhuma outra candidatura, por maiores que sejam seus riscos econômicos e sociais, tem a dimensão vital e existencial como o risco-Bolsonaro.

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As provas são documentadas. Foram vividas por cidadãos nos últimos anos. Estão na memória do corpo e das emoções de quem conseguiu manter consciência humanista e autonomia do juízo no período.

    Resumo as dez lições do risco-Bolsonaro.

    A primeira está no curriculum vitae do pai e dos filhos. Note a onipresença de milicianos, 'rachadinhas', de dinheiro vivo, do interesse nacional subordinado a interesse familiar. O filho-candidato foi um dos dois votos contra a CPI das milícias. O outro foi do mandante do assassinato de Marielle Franco . Flávio nunca explicou seu conceito de "legalização das milícias".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A segunda foi o uso da incivilidade performática não como grosseria e quebra de etiqueta pública, mas como autorização da violência numa sociedade de grupos tão vulneráveis como os de meninas forçadas à prostituição.

    A terceira toca soberania nacional. Membro da família abandonou o cargo eletivo e vive nos EUA para trabalhar contra a economia nacional. Vivemos inédito regime de sanção econômica e na fila por nova intervenção de Trump. A família recusa a não-subalternidade global.

    A quarta é a Amazônia . A família optou por ausência do Estado, estímulo ao desmatamento e liberou crime organizado . Abdica da soberania territorial e renuncia à nossa maior riqueza para o século 21. E turbina a mudança climática. Empobrecimento coletivo com enriquecimento privado de economias ilícitas.

    A quinta foi o ataque a minorias sociais e a vozes dissidentes de professores, cientistas e jornalistas. A sala de aula gelou. A sexta é a ruína da capacidade estatal: o negacionismo, a desprofissionalização da burocracia e a volta ao Mapa da Fome são exemplos traduzidos em mortes. Eclipse institucional é obra familiar.

    A sétima foi o repertório de ilegalismos autoritários. Buscou desinstitucionalizar o que pôde, vencer instituições de controle pela ameaça e pela fadiga. Estimulou desrespeito a lei e assegurou leniência fiscalizatória.

    A oitava foi a instrumentalização da fé. Converte disputa política numa guerra entre o bem e o mal, promove pânico moral e viola liberdade religiosa. Mas oferece contratos públicos, renúncia fiscal e perdão de dívidas a corporações eclesiásticas.

    A nona é o desempenho econômico. As lições anteriores já impactam por si o potencial do PIB e do PIBB (Produto Interno da Brutalidade Brasileira), índices de correlação inversa. Procure saber.

    A décima é a lição democrática. Se você duvida do golpe porque desconfia das provas do STF, leia as memórias do ex-comandante que disse não.

    Um futuro melhor, hoje, começa pelo voto de redução de danos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/conrado-hubner-mendes/2026/08/nenhum-risco-e-maior-que-risco-bolsonaro.shtml.

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    Flávio Bolsonaro, o influenciador Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro com Donald Trump em encontro na Casa Branca, em maio - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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