"Nenhum estudo diz que tríplice viral pode causar morte", afirma SBIm
Presidente norte-americano Trump usou informações falsas para alegar que vacina tríplice viral pode causar morte e deve ser fracionada

No início desta semana, o presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva para diminuir a quantidade de vacinas administradas para bebês. Uma das novas normas desobriga o uso da tríplice viral ( sarampo , rubéola e caxumba) — segundo Trump, o imunizante que combina três vacinas é perigoso e deve ser fracionado.
A tríplice viral foi criada nos anos 1970 e é usada no Brasil desde a década de 1990. “Todos os países desenvolvidos aplicam a vacina combinada. Que eu saiba, não existe estudo que aponte um aumento no risco de morte entre os pacientes . O óbito não é um efeito adverso esperado “, afirma o infectologista Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
O infectologista Klinger Faíco, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que circula desde o começo do ano um suposto estudo que alega “milhares de vezes mais mortes” causadas pela tríplice viral do que pelo próprio sarampo.

“Esse número é falso e nasce de um erro de método bem conhecido: ele usa os dados do VAERS, o sistema americano em que qualquer pessoa pode registrar eventos de saúde ocorridos depois de uma vacina. Esses registros não são verificados, não comprovam que a vacina causou o problema e não têm base populacional para cálculo. Comparar esses relatos brutos com mortes confirmadas por sarampo é como comparar boatos com laudos”, afirma o médico. O estudo mais robusto aceito é uma revisão de Cochrane feita em 2020 reunindo 138 estudos e dados de mais de 23 mil crianças . Os cientistas não encontraram ligação entre vacina e autismo, asma, diabetes ou outros danos graves à saúde.
A vacina usa vírus atenuados para criar uma imunidade contra três patógenos no organismo. Os efeitos adversos são febre, mal estar no corpo e, eventualmente, pequenas manchas que aparecem na pele e duram de três a cinco dias.
“A maioria dessas reações é autolimitada, sem complicações ou sequelas. Reações graves são extremamente raras “, afirma o site do Ministério da Saúde. A maioria dos casos complicados acontece em pessoas com imunodeficiência grave que não tinham diagnóstico.

Cunha explica que a tríplice viral é uma vacina considerada barata e, por isso, usada na maioria dos países.
“Eliminamos o sarampo por causa dessa vacina em 2016 e 2024, não temos mais casos de rubéola congênita e materna e percebemos uma diminuição muito importante dos casos de caxumba por causa dela. É um imunizante seguro e eficaz”, afirma o diretor da SBIm. Público-alvo da tríplice viral Primeira dose é recomendada aos 12 meses de idade e a segunda deve ser administrada três meses depois. A segunda dose inclui ainda a vacina contra a varicela (catapora). Crianças com mais de cinco anos e adultos com até 29 anos devem receber duas doses da vacina com 30 dias de intervalo, caso não tenham sido vacinados na primeira infância. Adultos de 30 a 59 anos na mesma situação devem tomar apenas uma dose. Gestantes, pessoas imunosuprimidas, indivíduos com histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina e crianças menores de 6 meses não devem receber a injeção. Sugestão norte-americana não é bem aceita A comunidade científica não acredita que dividir a vacina tríplice viral em três vacinas diferentes é uma sugestão válida . Além da falta de estudos que apontem risco no imunizante, não há comprovação de mudança na eficácia.
Outro problema é que dividir a vacina obrigará os pais a levar os filhos para tomar a injeção três vezes separadas, o que pode diminuir a adesão.

Em 1993, o Japão fez um experimento semelhante, dividindo a vacina em três e desobrigando a de rubéola. O resultado foi o esperado: a população abandonou o imunizante da rubéola, e um surto da doença logo se espalhou pelo país . As vacinas de sarampo e caxumba também tiveram queda na procura, e os casos subiram.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/nenhum-estudo-diz-que-triplice-viral-pode-causar-morte-afirma-sbim.

Elen Sher/Unsplash — Foto: Metrópoles
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