Brasil

    Nem Lula, nem a direita: as urnas mostraram a fúria do eleitor

    Fúria do eleitor nas urnas foi recado à classe política e jurídica, não uma guinada do país à direita ou adesão ao bolsonarismo.

    Metrópoles
    5 de outubro de 2026 às 14:44
    Nem Lula, nem a direita: as urnas mostraram a fúria do eleitor
    Foto: Metrópoles

    Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro. O resultado do primeiro turno das eleições mostrou que o eleitor cansou. Está de saco cheio, exausto de escândalos, dos desmandos no Judiciário, sem perspectiva, sem dinheiro, endividado e sem segurança.

    É como se dissesse: já tenho tão pouco, não venha tirar o pouco que me resta. É um “não aguento mais nenhum de vocês” que estava entalado na garganta e ontem eclodiu nas urnas.

    Erra quem lê o resultado das urnas como sinal de que o Brasil “endireitou”. O eleitor não escolheu Flávio Bolsonaro, o bolsonarismo ou a direita. Mas viu em Flávio um mal necessário até conseguir se livrar dos dois.

    Arte/Metrópoles
    Arte/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Basta prestar atenção. Não havia ruas tomadas por bandeiras, nem eleitores de camiseta vermelha ou verde e amarela nas seções eleitorais. Não teve nem briga em grupo de família. A apatia mostrou que o eleitor resolveu tomar as rédeas e mandar um recado a toda a classe política e jurídica do país, e não escolher um lado.

    Não à toa, assim que saiu o resultado, Flávio disse que quer apenas quatro anos e que não tentará a reeleição. “Só preciso de uma oportunidade para pôr o Brasil no centro do governo”, afirmou.

    Traduzindo: eu sei que muitos de vocês não me querem, mas vamos fazer essa transição juntos e, depois, eu saio para entrar outra pessoa. “Lula está preocupado com o poder. Disputou sete eleições. Eu estou preocupado com o país” , arrematou. Para atender aos anseios do eleitor, Flávio terá que fazer um governo impopular.

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Os marqueteiros de Lula não entenderam nada. Colocaram um presidente sem voz no alto de um palanque (Flávio falou do chão), rodeado por candidatos derrotados, pedindo folga na segunda-feira e prometendo distribuir caneta emagrecedora no SUS, se o eleitor fizer ginástica e comer direito!!!

    A fúria do eleitor já se manifestou em outros momentos da história. Esteve na crise política e econômica que antecedeu a queda de Jango, quando o país também enfrentava a carestia; no desgaste do regime durante o governo Figueiredo; e nas multidões que tomaram as ruas pelas Diretas Já. Foi essa mesma revolta com a política e a economia que também ajudou a corroer o governo Sarney.

    Não era uma onda de direita ou de esquerda. Definitivamente, era um basta do eleitor.

    Nem Lula, nem a direita: as urnas mostraram a fúria do eleitor
    Nem Lula, nem a direita: as urnas mostraram a fúria do eleitor — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/nem-lula-nem-a-direita-as-urnas-mostraram-a-furia-do-eleitor.

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