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    Negociadores precisam fazer concessões para encerrar guerra na Ucrânia, diz papa Leão 14

    Pontífice falou a líderes em Metz, na França, e chamou conflito de massacre sem sentido

    UOL
    28 de setembro de 2026 às 12:00
    Negociadores precisam fazer concessões para encerrar guerra na Ucrânia, diz papa Leão 14
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    O papa Leão 14 afirmou nesta segunda-feira (28) que os negociadores que buscam pôr fim à guerra na Europa precisam estar dispostos a abrir mão de algumas posições para alcançar a paz, enquanto continuam fracassando os esforços para encerrar o conflito na Ucrânia .

    O papa Leão 14 cumprimenta o presidente da Conferência dos Bispos da França, o cardeal Jean-Marce Aveline, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, em Metz - Benoit Tessier/AFP · Benoit Tessier/AFP
    O papa Leão 14 cumprimenta o presidente da Conferência dos Bispos da França, o cardeal Jean-Marce Aveline, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, em Metz - Benoit Tessier/AFP · Benoit Tessier/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Falando a líderes europeus em Metz, cidade de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia , Leão 14 lamentou que "a guerra tenha voltado, até mesmo à Europa: um novo massacre sem sentido, que ceifa inúmeras vidas civis todos os dias".

    Ao apresentar sua visão política mais clara até agora para o continente, o pontífice também elogiou a integração e o multiculturalismo em um momento em que a extrema direita ganha força na região.

    Falando em francês, ele pediu aos europeus que recordassem os valores fundadores da UE, entre eles o Estado de Direito e a igualdade entre as pessoas, sem distinção de raça, cor, classe ou profissão. Seu discurso foi aplaudido de pé.

    A visita do papa Leão 14 à França
    A visita do papa Leão 14 à França — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Leão havia iniciado sua visita de quatro dias na sexta-feira (25) com um alerta de que as Nações Unidas e outros organismos multilaterais estavam em crise e de que o diálogo internacional corria o risco de se transformar no que chamou de farsa. Nesta segunda termina a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    Nesta segunda-feira, ele voltou sua atenção para a guerra na Ucrânia, embora sem mencioná-la diretamente.

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    "Precisamos demonstrar coragem nas negociações e estar dispostos a abrir mão de algumas posições em nome do bem maior da paz", exortou, evocando um apelo semelhante feito em 1917 pelo papa Bento 15, em meio à violência da Primeira Guerra Mundial.

    Leão também reiterou sua oposição ao aumento dos gastos militares europeus, que no ano passado registraram o maior crescimento desde o fim da Guerra Fria, em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , e à postura belicista da Rússia .

    "Também devemos nos precaver contra a ilusão de que o rearmamento seja a resposta", afirmou. "Hoje, devemos nos perguntar se estamos de fato fazendo esforços criativos para promover a paz mundial ou se estamos simplesmente tentando ‘conter a maré da guerra’ e nos preparar melhor para guerras que presumimos que ainda virão."

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski , reuniu-se na semana passada com Trump em Nova York para discutir maneiras de encerrar a guerra, iniciada pela Rússia em 2022 com uma invasão em grande escala que tomou um quinto do território ucraniano. Nenhum dos lados demonstrou disposição para ceder territórios.

    Ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, Leão 14 pediu aos líderes europeus que integrem os migrantes que chegam ao continente e lhes ofereçam oportunidades como se fossem membros da família.

    O papa, que frequentemente exorta líderes a tratarem os migrantes de forma mais humana, reiterou seu apelo por "vias legais e seguras" para a imigração e pela cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas.

    "Acolher uma pessoa significa integrá-la como se fizesse parte da própria família, oferecendo-lhe a oportunidade de desenvolver seus dons, capacidades e sensibilidades", afirmou.

    Três migrantes, entre eles uma criança, morreram nesta segunda-feira, horas antes do discurso do papa, ao tentar atravessar o Canal da Mancha da França para o Reino Unido.

    Leão também criticou as políticas anti-imigração de Trump nos EUA. Ele exortou a Europa a preservar o Estado de Direito e a acolher o multiculturalismo.

    "A Europa floresceu e progrediu quando soube aproveitar os melhores aspectos de seu passado e reinventá-los de maneiras novas e criativas por meio do encontro com os outros", afirmou, ressaltando também as raízes cristãs do continente.

    "Hoje, as relações entre indivíduos e Estados estão se tornando cada vez menos civilizadas. O valor de cumprir a palavra é desprezado; em vez disso, as pessoas se vangloriam de mentiras e enganos. A Europa pode ajudar a romper esse ciclo por meio do respeito pelos outros que aprendeu a cultivar e preservar."

    Em suas próprias declarações, Macron afirmou que os fundamentos greco-romanos e judaico-cristãos da Europa ajudaram a consolidar a "primazia da pessoa" e o "indivíduo livre e racional", e elogiou a União Europeia como um projeto único, fundado na paz e na igualdade.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/negociadores-precisam-fazer-concessoes-para-encerrar-guerra-na-ucrania-diz-papa-leao-14.shtml.

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    O papa Leão 14 cumprimenta o presidente da Conferência dos Bispos da França, o cardeal Jean-Marce Aveline, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, em Metz - Benoit Tessier/AFP · Benoit Tessier/AFP — Foto: UOL

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