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    Negacionistas do clima deveriam passar agosto na cada vez mais quente Phoenix

    "Uísque é para beber, água é para matar." Leia mais (08/19/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 02:00
    Negacionistas do clima deveriam passar agosto na cada vez mais quente Phoenix
    Centro urbano com prédios altos e variados sob céu claro, visto através de uma janela com bordas escuras. Montanhas aparecem ao fundo sob horizonte nítido. — Foto: Folha de S.Paulo

    É jornalista e vive em Nova York desde 1985. Foi correspondente da TV Globo, da TV Cultura e do canal GNT, além de colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo

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    A cidade de Phoenix, nos EUA, vista da janela de um avião - Carlos Barria - 24.out.24/Reuters · Carlos Barria - 24.out.24/Reuters
    A cidade de Phoenix, nos EUA, vista da janela de um avião - Carlos Barria - 24.out.24/Reuters · Carlos Barria - 24.out.24/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Uísque é para beber, água é para matar."

    O ditado é familiar a moradores de Phoenix, no Arizona, uma região metropolitana com mais de 5 milhões de pessoas onde a temperatura ultrapassa os 40ºC diariamente em agosto.

    O ditado indica o caráter autodestrutivo da política na cidade que figura entre as que crescem mais rapidamente nos Estados Unidos e onde a polarização política não poupa ninguém do óbvio: não há água para todos os recém-chegados , para o agronegócio vizinho nem para os mais de 140 sedentos data centers cuja proliferação o desgoverno local permitiu.

    Imagens de mansões de famosos em ruínas após incêndios em Los Angeles
    Imagens de mansões de famosos em ruínas após incêndios em Los Angeles — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No final de 2026, quem vai demonstrar surpresa quando anunciarem que este ano superou 2025 como o mais quente da história? Mas Phoenix, ao contrário de Nova York ou Los Angeles , que atraem maior atenção nacional durante desastres climáticos, vive seu inferno com estranha resignação. Talvez isso se deva a outro fato óbvio —a conta dos desastres recai desigualmente sobre os pobres.

    Todas as noites, fora os abrigados de forma temporária, mais de 3.000 pessoas dormem nas ruas de Phoenix, onde o contato com cimento aquecido causa queimaduras.

    Por isso, quando os bombeiros correm para uma emergência, frequentemente os equipamentos exigidos não são mangueiras ou escadas, mas sacos de cadáveres e grande quantidade de gelo. Ao encontrar alguém desacordado pelo calor, os bombeiros imergem a pessoa no saco, coberta de gelo. Minutos contam e nem sempre o salvamento chega a tempo, como se vê em um curta-metragem gravado no verão passado .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os dramáticos incêndios que transformaram bairros da cada vez mais seca Los Angeles num amontoado de cinzas, em janeiro de 2025, comoveram um público mundial .

    Moradores de Nova York e da região nordeste do país amargaram níveis perigosos de poluição do ar em julho, causada pela fumaça dos incêndios florestais no Canadá , que, neste ano, já destruíram uma região maior do que a Bélgica .

    Mas a maioria não percebe que o oeste rural americano está pegando fogo. Centenas de incêndios nos estados de Oregon, Washington, Idaho e Califórnia têm sido parcialmente causados por tempestades com raios.

    Como ocorreu no Canadá, o combate aos incêndios que destroem fazendas no oeste enfrenta o desafio da falta de estradas em áreas isoladas. Esse argumento —desmentido por cientistas ambientais— foi usado pelo governo federal americano nesta semana para reverter uma proteção florestal garantida há 25 anos por Bill Clinton .

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    A secretaria de Agricultura anunciou que quer liberar a construção de estradas em 180 mil quilômetros quadrados de florestas virgens que absorvem milhões de toneladas de carbono por ano e são habitats para espécies ameaçadas de animais.

    É difícil encontrar um argumento sério sobre essa decisão que inclua "apagar incêndios". O objetivo é liberar a extração madeireira, uma causa defendida energicamente por Donald Trump . Só os estados de Idaho e Colorado aprovaram leis locais para se blindar do retrocesso.

    Uma pesquisa recente apurou que 38% dos americanos disseram ter enfrentado perdas provocadas por um evento climático extremo no último ano.

    Falar de ambiente não rende audiência ou vídeos virais para o extremo do espectro ideológico preocupado em combater vacinas e minorias sexuais. Se todas as conferências e reuniões de políticos fossem marcadas para agosto, em Phoenix, quem sabe, o namoro com a catástrofe poderia esfriar.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2026/08/negacionistas-do-clima-deveriam-passar-agosto-na-cada-vez-mais-quente-phoenix.shtml.

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    A cidade de Phoenix, nos EUA, vista da janela de um avião - Carlos Barria - 24.out.24/Reuters · Carlos Barria - 24.out.24/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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