Nasa lança telescópio Roman para investigar alguns dos maiores mistérios do Universo
Novo observatório espacial contribuirá para estudos sobre energia escura e busca de exoplanetas

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A Nasa lançou na manhã deste domingo (30) o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman . Cientistas pretendem utilizá-lo para investigar alguns dos maiores mistérios do Universo, incluindo a energia escura e a matéria escura, além de testar a gravidade em escalas imensas e buscar planetas fora do nosso Sistema Solar.

O lançamento ocorreu em um foguete Falcon 9, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy da Nasa, na Flórida, Estados Unidos .
O telescópio seguirá em direção ao ponto de Lagrange 2, a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra. O James Webb também se encontra nessa região orbital. O Hubble está em órbita baixa da Terra.
O Roman conta com recursos capazes de ampliar o conhecimento obtido por meio dos telescópios espaciais Hubble e James Webb, lançados respectivamente em 1990 e 2021 e ambos ainda em operação.

A visão panorâmica do espaço proporcionada pelo novo telescópio e sua alta velocidade de mapeamento oferecem aos cientistas a oportunidade de estudar o Cosmos como nunca antes, por meio de levantamentos de campo amplo que examinarão sua estrutura, composição e evolução.
"O vasto alcance do Roman nos permitirá encontrar o estranho, o raro e o incomum", disse Julie McEnery, cientista sênior do projeto Roman no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, em Maryland.
"O principal instrumento do Roman combina desempenho e sensibilidade excepcionais com a capacidade de mapear grandes regiões do céu de forma rápida e eficiente", afirmou ela.

O principal levantamento do telescópio levará mais de um ano, segundo McEnery.
"O levantamento abrangerá mais de 2 bilhões de galáxias e nos permitirá estudar como as estruturas do nosso Universo —as estrelas, as galáxias, os aglomerados de galáxias— cresceram e evoluíram", continuou ela. "Também mediremos como o nosso Universo se expandiu ao longo do tempo. E essas são as chaves que nos permitirão desvendar a natureza fundamental da matéria escura e da energia escura, bem como a própria estrutura do Universo."
O evento do Big Bang, ocorrido há cerca de 13,8 bilhões de anos, deu origem ao Universo, que vem se expandindo desde então . Em 1998, cientistas revelaram que essa expansão estava se acelerando, tendo como causa hipotética uma força invisível chamada energia escura.

O conteúdo do Universo inclui matéria comum —estrelas, planetas, gás, poeira e tudo aquilo que nos é familiar na Terra—, além de matéria escura e energia escura , cuja natureza física permanece desconhecida. A matéria comum representa talvez 5% do conteúdo do Universo. A matéria escura, conhecida por seus efeitos gravitacionais sobre galáxias e estrelas, pode representar 27%. E a energia escura responderia pelo restante.
"As principais perguntas são: a energia escura é simplesmente uma propriedade do espaço vazio que permanece constante ao longo do tempo ou evolui com o tempo?", disse Mustapha Ishak, cosmólogo da Universidade do Texas em Dallas e membro da colaboração científica do Roman.
"Os resultados recentes da colaboração Desi trazem indícios instigantes de uma evolução temporal da energia escura. Será que a aceleração observada poderia, em vez disso, indicar que nossa teoria da gravidade precisa ser modificada nas maiores escalas? Responder a essas perguntas é um dos objetivos mais importantes da cosmologia moderna", afirmou Ishak.

Em 1915, o físico Albert Einstein apresentou sua teoria da relatividade geral, que explica a gravidade e continua sendo um dos pilares da física.
O Roman mapeará como as galáxias se agrupam e como a matéria curva a luz por meio de um fenômeno chamado lente gravitacional.
"Essas medições nos permitem testar se a teoria de Einstein continua válida ao longo de bilhões de anos-luz ou se são necessárias modificações na teoria da gravidade", afirmou Ishak. "Isso é importante porque aborda uma das questões mais fundamentais da física: que lei rege o Universo em suas maiores escalas?"

O Roman realizará uma das buscas mais abrangentes já feitas por exoplanetas. A expectativa é que descubra milhares de novos mundos e forneça o primeiro levantamento estatístico de sistemas planetários semelhantes ao nosso. Também demonstrará uma nova tecnologia para obter imagens diretas de alguns exoplanetas relativamente próximos.
Até o momento, mais de 6.350 exoplanetas —planetas fora do nosso Sistema Solar— foram descobertos.
A missão do Roman está prevista para durar cinco anos —a Nasa diz que o telescópio poderá ter combustível suficiente para mais cinco anos.
O governo Donald Trump tentou, tanto no primeiro quanto no segundo mandato do republicano, reduzir ou eliminar o financiamento do Roman, mas o Congresso preservou os recursos destinados ao projeto.
O telescópio recebeu seu nome em homenagem a Nancy Grace Roman, a primeira astrônoma-chefe da Nasa. Ela morreu em 2018, aos 93 anos.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/nasa-lanca-telescopio-roman-para-investigar-alguns-dos-maiores-misterios-do-universo.shtml.

O foguete Falcon 9, da SpaceX, parte neste domingo (30) do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, carregando o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman - Joe Skipper/Reuters · Joe Skipper/Reuters — Foto: UOL
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