Narco Vela: STF nega soltura de coordenador do tráfico transoceânico do PCC
Klaus de Castro Rios Motta e Silva é acusado de coordenar as embarcações e rotas do tráfico internacional de cocaína para o PCC

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal ( STF ) negou o habeas corpus impetrado pela defesa de Klaus de Castro Rios Motta e Silva , apontado como coordenador do tráfico transoceânico de cocaína para o Primeiro Comando da Capital ( PCC ). A decisão, de segunda-feira (24/8), foi publicada nesta quarta (26/8).
Klaus está preso preventivamente. Ele foi detido no âmbito na Operação Narco Vela , deflagrada pela Polícia Federal ( PF ) em abril do ano passado. A ação buscou desarticular um esquema criminoso voltado ao envio de drogas à Europa e à África por meio de embarcações .
O acusado é apontado como coordenador por ser responsável pela preparação e manutenção de veleiros, além de organizar as travessias . Segundo a PF, por ter essas atribuições, ele ocupava uma posição técnica qualificada na organização, e garantia a viabilidade técnica do envio da cocaína.

A decisão do STF mostra que Klaus foi vinculado a três eventos específicos: a apreensão de 2.400 kg de cocaína na embarcação Eros; a apreensão de 560 kg de cocaína Ilha do Mosqueiro, em Belém, no Pará, em maio de 2024; e a preparação do veleiro Obelix, também utilizado no tráfico transoceânico de drogas para a facção. Ele era diretamente ligado ao empresário Marco Aurélio de Souza, o Lelinho, apontado como um dos principais exportadores de cocaína do país .
A organização buscou utilizar novas rotas marítimas para escapar do radar das autoridades. “Sob a coordenação de Klaus, foi constituído um subgrupo operacional com atuação voltada à região Norte do país, possivelmente como estratégia para se esquivar da crescente fiscalização nas imediações do Porto de Santos. Esse núcleo secundário passou a operar intensamente nos Estados do Maranhão e do Pará”, diz a PF no documento que deu origem à operação.
O Metrópoles procurou a defesa de Klaus, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

A investigação que resultou na Operação Narco Vela começou a partir da apreensão em fevereiro de 2023, de um veleiro brasileiro que transportava três toneladas de cocaína entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias. A captura foi feita pela Marinha dos Estados Unidos.
Essa operação de abril do ano passado levou a uma série de outras ações da PF que resultaram, por fim, na prisão de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP.
Com o avanço das apurações, o foco passou a ser o fluxo financeiro do grupo. Em outubro de 2025, a PF deflagrou a Operação Narco Bet , voltada ao rastreamento e à lavagem dos recursos ilícitos.

Parte deles teria sido canalizada para empresas do setor de apostas eletrônicas, as chamadas “bets”, com o objetivo de mascarar os ganhos provenientes do tráfico e inserir o dinheiro no sistema financeiro com aparência de legalidade.
Com mais de 15 milhões de seguidores, o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, foi preso na época .
Com base nos elementos reunidos nas operações Narco Vela e Narco Bet, a PF deflagrou, em abril deste ano, a Operação Narco Fluxo , também voltada à lavagem de dinheiro. A ação mirou, desta vez, na estrutura que utilizava a indústria fonográfica e o entretenimento digital para movimentar vultuosas quantias financeiras.
Foram presos temporariamente: MC Ryan SP; Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze; Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei; o influenciador Chrys Dias e a esposa dele, Débora Paixão. Todos os alvos, incluindo Buzeira, foram soltos entre maio e agosto deste ano.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/stf-coordenador-trafico-barco-pcc.

Divulgação/ PF — Foto: Metrópoles
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