Não sei, pergunte aos iranianos, diz vice de Trump sobre fim da guerra no Irã
Em entrevista coletiva, J. D. Vance diz que

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Em uma entrevista coletiva tensa nesta quinta-feira (3), o vice-presidente dos Estados Unidos , J. D. Vance, defendeu a guerra contra o Irã iniciada pelo seu chefe, Donald Trump . Vance disse, porém, que não chamaria o conflito de guerra , que os preços dos combustíveis estão se estabilizando e, quando questionado sobre o fim do conflito, respondeu "não sei" e "pergunte aos iranianos".

"Quando você pergunta 'quando isso vai acabar', você está me fazendo uma pergunta que é 'quando os iranianos vão parar de atirar em navios [no estreito de Hormuz ]?'. Acho que a realidade é que eu não sei a resposta, pergunte aos iranianos", afirmou Vance.
Quando deu início à guerra ao bombardear o Irã e matar suas lideranças políticas em conjunto com Israel , em fevereiro deste ano, Trump disse que o conflito duraria no máximo seis semanas. No último dia 28, a guerra completou seis meses sem que haja negociações em curso para novo cessar-fogo ou outro horizonte para o fim das hostilidades.
Vance também minimizou a crise no preço dos combustíveis causada pelo fechamento de Hormuz como consequência da guerra. "Se a pergunta for 'quando o fato de que os iranianos estão atirando em navios vai parar de ter um efeito nos mercados de energia?', a resposta é: isso acontece cada vez menos", afirmou Vance.

Na verdade, os preços do petróleo não dão sinais de arrefecimento. O valor do barril Brent, referência mundial, chegou a um pico de US$ 97 nesta quinta —antes da guerra, a média era de cerca de US$ 70.
Analistas afirmam que o choque só não foi maior graças ao esvaziamento das reservas estratégicas dos EUA e, principalmente, da China , que cortou cerca de 40% das suas importações de óleo bruto e restringiu exportações de combustível refinado .
Além disso, a quantidade de navios que passam por Hormuz continua irrisória. Na quarta (2), sites de monitoramento de tráfego marítimo registraram seis petroleiros cruzando a via, a maioria sob forte escolta americana. Antes da guerra, cerca de 140 embarcações do tipo utilizavam o estreito, vital para o escoamento da produção de petróleo e gás natural dos países do golfo Pérsico .

"Nós não vamos depender dos iranianos e esperar que eles se comportem de maneira responsável ou ajam de boa-fé", prosseguiu Vance, defendendo a estratégia da Casa Branca. "Vamos usar as ferramentas que temos à disposição a fim de garantir que o povo americano, primeiro, nunca tenha que lidar com a ameaça de um programa nuclear iraniano e, segundo, que o mercado global de energia esteja funcionando."
O vice de Trump também se recusou a chamar a guerra de guerra. "Não chamaria de guerra. Não há combates acontecendo agora. Houve ocorrências aqui e ali , mas as operações principais duraram seis semanas e, desde então, destruímos suas instalações nucleares", afirmou.
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O dano causado à base industrial nuclear do Irã não está claro, mas seu estoque de urânio enriquecido em 60% permanece intacto . Esse material físsil, porém, ainda não está no nível de pureza necessário para uma bomba atômica —mais de 90%—, embora já supere em mais de 50 pontos percentuais aquilo que seria preciso para uso estritamente civil.
Vance também ignorou o fato de que os EUA voltaram a atacar o Irã nesta terça (1º), mesmo dia em que Trump descartou negociações com Teerã, dizendo que qualquer acordo assinado com os iranianos "não vale o papel no qual é escrito".
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/nao-sei-pergunte-aos-iranianos-diz-vice-de-trump-sobre-fim-da-guerra-no-ira.shtml.

O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, conversa com a imprensa na Casa Branca, em Washington - Evelyn Hockstein/Reuters · Evelyn Hockstein/Reuters — Foto: UOL
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