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    Não se pode enterrar dinheiro do contribuinte nos Correios

    Os Correios encerraram o primeiro semestre deste 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões , 30% acima do já desastroso resultado do período correspondente do ano passado. A estatal federal caminha para o pior ano de sua história, superando o rombo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025. Leia mais (08/31/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    1 de setembro de 2026 às 01:00
    Não se pode enterrar dinheiro do contribuinte nos Correios
    Homem de camiseta preta e calça jeans entra pela porta de vidro de agência dos Correios com fachada amarela e logo visível. Reflexos de prédios e palmeiras aparecem no vidro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Fachada de agência dos Correios, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress
    Fachada de agência dos Correios, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os Correios encerraram o primeiro semestre deste 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões , 30% acima do já desastroso resultado do período correspondente do ano passado. A estatal federal caminha para o pior ano de sua história, superando o rombo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025.

    Preso à ideologia e ao corporativismo, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) insiste em prolongar o problema, o que implicará torrar mais dinheiro do contribuinte —incluiu-se na proposta orçamentária de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões para a empresa.

    A capitalização é uma exigência contratual do consórcio de bancos ( Banco do Brasil , Caixa Econômica Federal , Bradesco, Itaú e Santander) que concedeu empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios no final de 2025.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além de garantir o crédito, a União se comprometeu a fazer a injeção de recursos até o fim de 2027, sob pena de vencimento antecipado da dívida. Há negociações, ademais, para outro empréstimo, de R$ 7 bilhões.

    O Executivo se defende com o argumento de que houve progressos no plano de reestruturação da empresa. É muito pouco: no segundo trimestre, o prejuízo recuou 5,5% ante abril-junho de 2025, para R$ 2,39 bilhões, e 24% em relação ao primeiro trimestre (R$ 3,16 bilhões); o rombo semestral, porém, superou os R$ 4,26 bilhões anteriores.

    No período, a receita líquida caiu. Despesas com pessoal recuaram modestamente, cerca de 4%, e os custos de serviços ficaram R$ 1,3 bilhão abaixo do orçado. O primeiro programa de demissões voluntárias de 2026 teve pouco mais de 3.000 adesões —cerca de um terço da meta de 10 mil. Parte das medidas administrativas, como o corte de lojas, patina sob pressão sindical.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Qualquer melhora ocorre em ritmo lento, insuficiente para estancar prejuízos sucessivos e recompor a geração de caixa.

    A garantia da União e o aporte previsto ampliam o passivo fiscal. Cada empréstimo afiançado e cada capitalização transferem o ônus para o Tesouro e pressionam o resultado primário (não financeiro) de 2027. Recursos que poderiam reforçar o superávit ou financiar despesas essenciais serão consumidos para sustentar uma estatal que não para em pé.

    Em entrevista à TV Globo, Lula reconheceu que os Correios "ficaram na mesmice" diante da evolução do setor e do surgimento de plataformas privadas de entrega.

    Incapaz de se adaptar às transformações tecnológicas e à concorrência, a empresa deteriorou-se à vista de todos. Nada era mais previsível, mas o petista se recusa a enxergar o óbvio —que a chance de salvar os Correios passa por sua privatização ou mesmo, se não houver interessados, por seu fechamento; nunca por novos recursos do contribuinte.

    Em 2020, fez-se um plano bem estruturado de desestatização, com manutenção da natureza pública dos serviços postais essenciais, infelizmente interditado por Lula e seu partido.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/nao-se-pode-enterrar-dinheiro-do-contribuinte-nos-correios.shtml.

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    Fachada de agência dos Correios, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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