Não se pode enterrar dinheiro do contribuinte nos Correios
Os Correios encerraram o primeiro semestre deste 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões , 30% acima do já desastroso resultado do período correspondente do ano passado. A estatal federal caminha para o pior ano de sua história, superando o rombo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025. Leia mais (08/31/2026 - 22h00)

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Os Correios encerraram o primeiro semestre deste 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões , 30% acima do já desastroso resultado do período correspondente do ano passado. A estatal federal caminha para o pior ano de sua história, superando o rombo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025.
Preso à ideologia e ao corporativismo, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) insiste em prolongar o problema, o que implicará torrar mais dinheiro do contribuinte —incluiu-se na proposta orçamentária de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões para a empresa.
A capitalização é uma exigência contratual do consórcio de bancos ( Banco do Brasil , Caixa Econômica Federal , Bradesco, Itaú e Santander) que concedeu empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios no final de 2025.

Além de garantir o crédito, a União se comprometeu a fazer a injeção de recursos até o fim de 2027, sob pena de vencimento antecipado da dívida. Há negociações, ademais, para outro empréstimo, de R$ 7 bilhões.
O Executivo se defende com o argumento de que houve progressos no plano de reestruturação da empresa. É muito pouco: no segundo trimestre, o prejuízo recuou 5,5% ante abril-junho de 2025, para R$ 2,39 bilhões, e 24% em relação ao primeiro trimestre (R$ 3,16 bilhões); o rombo semestral, porém, superou os R$ 4,26 bilhões anteriores.
No período, a receita líquida caiu. Despesas com pessoal recuaram modestamente, cerca de 4%, e os custos de serviços ficaram R$ 1,3 bilhão abaixo do orçado. O primeiro programa de demissões voluntárias de 2026 teve pouco mais de 3.000 adesões —cerca de um terço da meta de 10 mil. Parte das medidas administrativas, como o corte de lojas, patina sob pressão sindical.

Qualquer melhora ocorre em ritmo lento, insuficiente para estancar prejuízos sucessivos e recompor a geração de caixa.
A garantia da União e o aporte previsto ampliam o passivo fiscal. Cada empréstimo afiançado e cada capitalização transferem o ônus para o Tesouro e pressionam o resultado primário (não financeiro) de 2027. Recursos que poderiam reforçar o superávit ou financiar despesas essenciais serão consumidos para sustentar uma estatal que não para em pé.
Em entrevista à TV Globo, Lula reconheceu que os Correios "ficaram na mesmice" diante da evolução do setor e do surgimento de plataformas privadas de entrega.
Incapaz de se adaptar às transformações tecnológicas e à concorrência, a empresa deteriorou-se à vista de todos. Nada era mais previsível, mas o petista se recusa a enxergar o óbvio —que a chance de salvar os Correios passa por sua privatização ou mesmo, se não houver interessados, por seu fechamento; nunca por novos recursos do contribuinte.
Em 2020, fez-se um plano bem estruturado de desestatização, com manutenção da natureza pública dos serviços postais essenciais, infelizmente interditado por Lula e seu partido.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/nao-se-pode-enterrar-dinheiro-do-contribuinte-nos-correios.shtml.

Fachada de agência dos Correios, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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