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    Não houve frustração, mas eleitor exigiu mais de Lula, diz Jerônimo Rodrigues, reeleito na Bahia

    Reeleito para mais quatro anos à frente do Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues ( PT ), 61, tirou esta quinta-feira (8) para conversar com prefeitos aliados e definir uma estratégia para tentar virar votos para o presidente Lula (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro ( PL ). Antes da maratona de reuniões, o governador reeleito recebeu a Folha para uma entrevista. Leia mais (10/09/2026 - 12h30)

    Folha de S.Paulo
    9 de outubro de 2026 às 15:30
    Não houve frustração, mas eleitor exigiu mais de Lula, diz Jerônimo Rodrigues, reeleito na Bahia
    Homem de meia-idade com cabelo grisalho e expressão neutra, vestindo camisa branca, aparece parcialmente à direita da imagem. Fundo desfocado mostra planta verde. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Reeleito para mais quatro anos à frente do Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues ( PT ), 61, tirou esta quinta-feira (8) para conversar com prefeitos aliados e definir uma estratégia para tentar virar votos para o presidente Lula (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro ( PL ). Antes da maratona de reuniões, o governador reeleito recebeu a Folha para uma entrevista.

    O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), concede entrevista em seu escritório político em Salvador
    O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), concede entrevista em seu escritório político em Salvador — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O petista reconheceu que a imagem de Lula construída nos mandatos entre 2003 e 2010 já não produz o mesmo efeito sobre parte do eleitorado. Na avaliação dele, não houve exatamente uma frustração, mas o eleitor passou a exigir mais de Lula.

    Para o governador, a campanha no segundo turno precisa combinar temas como democracia e soberania com questões do cotidiano. Ele afirmou que sua meta é ampliar a votação de Lula na Bahia e ironizou seu adversário ACM Neto ( União Brasil ), derrotado na disputa pelo governo baiano, por agora apoiar Flávio Bolsonaro : "Ele perdeu e vai perder de novo".

    O PT chega ao segundo turno em cenário adverso, buscando uma virada inédita na eleição presidencial. Foi uma surpresa o resultado? Sabíamos que seria uma eleição dura, com um riscado no chão. Em um país democrático, a eleição deve ser um ambiente para discutir projetos. E os dois projetos que ficaram para o segundo turno são muito diferentes na forma de tratar as pessoas, no relacionamento com a democracia, na defesa da soberania nacional.

    Jerônimo Rodrigues (PT), governador da Bahia
    Jerônimo Rodrigues (PT), governador da Bahia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não acha que soberania e defesa da democracia são temas etéreos para o eleitor que está preocupado com o preço da comida? É etéreo para quem não compreende o percurso de uma democracia. Quem viveu a ditadura de 1964 sabe do que se trata. Temos esse bloco de temas, mas também o dia a dia das famílias, que é comida na mesa, uma roupa decente, uma casa adequada. A gente não tinha isso, e eu tiro por mim. Nunca imaginava que o governo pudesse dar uma casa a uma pessoa pobre, que pudesse ter asfalto numa zona rural. Então, uma coisa pode parecer etérea, mas ela determina as outras. A democracia e a soberania são temas que orientam a gente.

    Acha que havia na campanha um otimismo um pouco descolado da realidade? Parte da população está insatisfeita com a situação do país. Nós temos uma referência do Lula. O Brasil tem aquele Lula de 2003, que tirou o Brasil do mapa da fome . Agora, ele tirou pela segunda vez, mas já não foi a mesma coisa para a sociedade. Não era novidade. Talvez a expectativa tenha sido essa. Eu não digo que é uma frustração, mas é exigir do Lula algo mais. E isso é bom para a sociedade brasileira.

    O senhor falava em dar uma frente de até 5 milhões de votos na Bahia, mas essa frente foi de 3,2 milhões, inferior à de 2022. Houve um erro de avaliação? Nossa expectativa é reverter para fazer uma virada que nunca houve na história do Brasil.

    Caminhos da escolha de Jerônimo Rodrigues na Bahia
    Caminhos da escolha de Jerônimo Rodrigues na Bahia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O presidente tem focado na segurança pública com um lema: "Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão". Acha que esse é o caminho? Temos temas que são decisivos. A educação, por exemplo, é fundamental para a gente desenvolver esse país. Na segurança pública, da mesma forma. O Lula está com a dependência da PEC da Segurança. Ele não podia criar um ministério porque no desenho da lei estava dizendo: "Não se meta aí, é responsabilidade do estado". Foi a Constituinte que estabeleceu a autonomia e o poder do estado para tomar as decisões.

    Seu adversário ACM Neto anunciou apoio à candidatura do Flávio Bolsonaro. Como o senhor vê esse movimento? Eles pregaram o voto Lula-Neto, eu quero saber se está valendo. Ele queria colar no Lula e já descolou tão rápido? Que fluidez, que interesse. Ele lançou o [candidato a presidente Ronaldo] Caiado, mas trabalhava com Flávio. Mas é bom que o povo saiba quem é ACM Neto.

    Acha que é um movimento arriscado? Ele foi derrotado comigo, vai perder outra eleição com o Lula e vai se enterrar. Se eu perdesse, iria ligar para o meu opositor, desejar boa sorte, parabenizar de forma civilizada e criar uma transição adequada. Em duas eleições , ele não teve sensibilidade de ligar para parabenizar. Um cara desse quer democracia?

    O Voto do Nordeste
    O Voto do Nordeste — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O senhor teve uma votação mais equilibrada entre as cidades nesta eleição. Na passada, houve uma diferença grande entre cidades grandes e pequenas . O que mudou? É o reconhecimento do trabalho, do grupo unido e da articulação com prefeitos, ex-prefeitos e movimentos sociais. A sociedade enxerga isso, por mais que a corda esteja esticada. Duas vezes eu derrotei o herdeiro.

    Vai trabalhar para eleger um prefeito em Salvador? Esse resultado já é o pé na porta para dizer assim: 'nós queremos e vamos cuidar de Salvador'. Eu espero que Salvador enxergue isso. A herança que nós temos do grupo de ACM Neto e [do prefeito de Salvador] Bruno Reis são eles se metendo até o pescoço com coisa lambuzada, de corrupção. No dia que sentar na minha mesa alguém com essa conversa, não fica.

    O senhor manteve um secretário investigado pela Polícia Federal. O Eduardo [Sodré, secretário de Meio Ambiente e enteado de Jaques Wagner ] sabe que tem que prestar contas. Já meu adversário queria governar escondendo informações. Se teve denúncia, ele teria que abrir as contas. Ele nunca abriu.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Flávio Bolsonaro falou nos últimos dias em mudanças na Constituição. O senhor vê essas declarações com preocupação? Como uma pessoa, em uma eleição presidencial, diz que vai mexer na Constituição e não explica o que é isso? Todo mundo conhece o modelo golpista por trás deles, são golpistas. É um risco muito grande.

    Teme que os projetos prioritários sejam afetados? Tenho certeza que, com a mesquinhez que eles têm, vão criar entraves. Mas a gente vai ganhar as eleições e continuar os projetos da Bahia.

    Em caso de vitória ou derrota, como a esquerda deve se organizar para o pós-Lula? Precisamos rever os métodos para dialogar com a população. Lula tem uma inquietude e acha que nós temos que criar um movimento em que a política dialogue melhor com as redes sociais. Nós temos que vir na frente. A política se move a partir da demanda do povo.

    mapa da apuração 2024 - brasil - normal
    mapa da apuração 2024 - brasil - normal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O que o senhor projeta para a Bahia nos próximos quatro anos? Tem alguma área que o senhor acha que falhou e pretende priorizar neste segundo mandato? Eu paguei uma conta com Bolsonaro. Se [o ex-governador] Rui Costa tivesse Dilma, Lula ou Haddad, teria iniciado esse pacote de obras lá atrás. O desafio nosso é fechar esse ciclo: universalizar a educação em tempo integral nos municípios, otimizar a oferta da saúde pública e a segurança pública. A expectativa do próximo mandato é com Lula.

    E se Flávio vencer? Ele vai perder as eleições.

    Jerônimo Rodrigues, 61 Natural de Aiquara (BA), é agrônomo e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana. Foi secretário estadual de Desenvolvimento Agrário e de Educação na gestão Rui Costa (PT). É governador da Bahia eleito em 2022 e reeleito em 2026.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/nao-houve-frustracao-mas-eleitor-exigiu-mais-de-lula-diz-jeronimo-rodrigues-reeleito-na-bahia.shtml.

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    O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), concede entrevista em seu escritório político em Salvador — Foto: Folha de S.Paulo

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