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    Não há resposta climática sem justiça social

    Uma enchente pode destruir uma casa, acabar com a renda, tirar uma criança da escola e deixar uma família sem acesso a serviços básicos. Uma onda de calor pode significar risco à saúde para quem trabalha na rua ou vive em uma moradia inadequada. Leia mais (10/09/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de outubro de 2026 às 13:00
    Não há resposta climática sem justiça social
    Pessoa de costas caminha descalça por rua coberta por lama espessa em área residencial. Casas e carro parcialmente visíveis ao fundo, com grupo de pessoas observando à distância. — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Moradores retiram seus pertences e com a ajuda de voluntários e a defesa civil municipal fazem a retirada de animais de estimação, devido a forte chuva que caiu em Juiz de Fora (MG) - Eduardo Anizelli - 26.fev.2026/Folhapress · Eduardo Aniz
    Moradores retiram seus pertences e com a ajuda de voluntários e a defesa civil municipal fazem a retirada de animais de estimação, devido a forte chuva que caiu em Juiz de Fora (MG) - Eduardo Anizelli - 26.fev.2026/Folhapress · Eduardo Aniz — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma enchente pode destruir uma casa, acabar com a renda, tirar uma criança da escola e deixar uma família sem acesso a serviços básicos. Uma onda de calor pode significar risco à saúde para quem trabalha na rua ou vive em uma moradia inadequada.

    É na ponta que a emergência climática deixa de ser um gráfico ou uma meta de redução de carbono e passa a ter nome, endereço e consequências.

    Quem já vive em situação de vulnerabilidade tem menos recursos para se proteger, se adaptar e reconstruir a vida depois de um evento extremo. A crise climática chega a uma sociedade desigual e tende a aprofundar o que já existe.

    Moradores de Eldorado (SP) contam prejuízos após enchente
    Moradores de Eldorado (SP) contam prejuízos após enchente — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostra que os impactos climáticos atingem de maneira desproporcional populações que já enfrentam pobreza e desigualdade. O Banco Mundial estima que os choques climáticos podem levar entre 800 mil e 3 milhões de brasileiros adicionais à pobreza extrema até 2030.

    Em agosto, o hub de impacto socioambiental Civi-co sediou encontros da São Paulo Climate Week , reunindo diferentes setores. As conversas reforçaram uma questão fundamental: quem está participando da construção das respostas?

    Existe conhecimento sendo produzido nas universidades, estratégias nas empresas e governos e mobilizações na sociedade civil. Mas existe também um conhecimento que nem sempre chega às mesas de decisão: o de quem vive nos territórios mais vulneráveis.

    Conheça negócios liderados por mulheres negras
    Conheça negócios liderados por mulheres negras — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma liderança comunitária que convive há anos com enchentes conhece o comportamento daquele território, sabe quais ruas ficam intransitáveis, quem precisa de ajuda e quais soluções já foram tentadas. Quem vive em regiões de seca desenvolve maneiras de administrar água e produção.

    Não estou dizendo que o conhecimento empírico substitui a ciência . Ao contrário. Precisamos aproximá-los. O próprio IPCC reconhece a importância de combinar conhecimento científico e local nos processos de adaptação, valorizando também os saberes de territórios indígenas , quilombolas , periferias e favelas .

    É nesse ponto que vejo um papel importante para a tecnologia social: primeiro incluir e, depois, colaborar em torno de soluções coletivas. Precisamos sair do modelo em que alguém desenvolve uma solução e a leva para uma comunidade e passar a construir metodologias que reconheçam diferentes conhecimentos e transformem essa diversidade em soluções aplicáveis e escaláveis.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Porque já temos especialistas, lideranças, empresas, governos, universidades, empreendedores, investidores e, sobretudo, territórios que sabem muito sobre como sobreviver às adversidades. O que falta é uma forma mais estruturada de trabalharmos juntos.

    Precisamos de um pacto, uma aliança multissetorial que reconheça e fortaleça as inúmeras iniciativas que já trabalham para conectar diferentes atores. Não se trata de criar mais uma rede, mas de aproximar as que já existem, compartilhar aprendizados, potencializar recursos e evitar que boas soluções permaneçam isoladas.

    Essa aliança pode aproximar quem tem conhecimento de quem tem recursos, quem desenvolve soluções de quem precisa delas e quem toma decisões de quem conhece os problemas no território.

    Ao longo dos anos, no Civi-co, aprendi que encontros improváveis podem abrir caminhos que nenhum dos envolvidos enxergaria sozinho.

    Uma empresa que encontra, em uma organização social, um conhecimento capaz de transformar sua estratégia; um investidor que conhece um empreendedor cuja solução nasceu de uma dor estrutural ; um pesquisador que testa seu conhecimento junto a quem conhece o território; um gestor público que encontra uma solução que já está funcionando.

    Não precisamos começar do zero. Precisamos conectar melhor o que já existe. O desafio climático é ambiental, mas suas consequências são sociais. Por isso, a resposta também precisa ser construída socialmente.

    A crise climática nunca foi apenas sobre o meio ambiente, sempre foi sobre a vida, principalmente a de populações que ainda não têm acesso à água, moradia segura e à comida. Na equação da sustentabilidade , não podemos ignorar os aspectos sociais ou estaremos, mais uma vez, criando soluções para os mesmos grupos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/10/nao-ha-resposta-climatica-sem-justica-social.shtml.

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    Moradores retiram seus pertences e com a ajuda de voluntários e a defesa civil municipal fazem a retirada de animais de estimação, devido a forte chuva que caiu em Juiz de Fora (MG) - Eduardo Anizelli - 26.fev.2026/Folhapress · Eduardo Aniz — Foto: Folha de S.Paulo

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