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    “Não há anomalia global nos terremotos”, explica professora da UnB

    Terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia ocorre após uma sequência de grandes tremores no mundo. Especialista diz que não estão conectados

    Metrópoles
    10 de agosto de 2026 às 19:54
    “Não há anomalia global nos terremotos”, explica professora da UnB
    Foto: Metrópoles

    O forte terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10/8) se soma a uma sequência de grandes tremores registrados em diferentes partes do planeta nos últimos meses . Apesar da concentração chamar a atenção, não há evidências de que o mundo esteja passando por um aumento anormal da atividade sísmica.

    Segundo Susanne Maciel, professora da pós-graduação em Geociências da Universidade de Brasília (UnB) apoiada pelo Instituto Serrapilheira, cerca de nove terremotos de magnitude igual ou superior a 7 foram registrados entre março e agosto.

    “Não temos dados suficientes para dizer que estamos experimentando uma anomalia. Não há evidências para falar que está tendo um crescimento na atividade tectônica”, afirma. Leia também Mundo Terremoto de magnitude 7,4 deixa ao menos 111 mortos na Colômbia Mundo Torre de catedral desaba após terremoto de 7,4 na Colômbia Mundo Presidente da Colômbia declara situação de desastre após terremoto Mundo Lula manifesta solidariedade após terremoto na Colômbia Por que tantos terremotos em pouco tempo? Terremotos não acontecem em intervalos regulares. Em determinados períodos, vários eventos fortes podem ocorrer próximos sem que exista uma ligação entre eles.

    Alexis Munera/Anadolu via Getty Images
    Alexis Munera/Anadolu via Getty Images — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Susanne explica que os grandes tremores registrados neste ano tiveram mecanismos e contextos tectônicos distintos. Por isso, é muito pouco provável que estejam relacionados ou tenham uma única causa global.

    A explicação é reforçada por uma análise publicada em 2011 pelo pesquisador Andrew Michael, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) . Ele analisou registros de terremotos de magnitude igual ou superior a 7 desde 1900 e concluiu que a concentração de grandes tremores em determinados períodos pode ser explicada pela variação aleatória natural da atividade sísmica.

    “Esses agrupamentos de terremotos de grande magnitude não têm uma explicação física, mas têm uma explicação do processo estatístico. Eles acontecem por aleatoriedade, e esses agrupamentos são esperados”, explica Susanne. Por que o terremoto da Colômbia foi tão forte? O terremoto desta segunda-feira teve magnitude 7,4 e atingiu o oeste da Colômbia. Ele aconteceu a uma profundidade estimada em cerca de 110 quilômetros, o que ajuda a explicar o alcance do tremor.

    Terremoto na Colômbia
    Terremoto na Colômbia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Terremotos mais rasos da mesma magnitude costumam provocar impactos mais intensos perto da ruptura. Em maior profundidade, parte das ondas de alta frequência perde força antes de chegar à superfície, mas o tremor pode ser percebido em uma área mais ampla.

    Segundo Susanne, o evento está relacionado à zona de subducção da placa de Nazca, que mergulha sob a placa Sul-Americana. A região já é conhecida pela atividade sísmica. “ São terremotos que a gente espera que aconteçam nesta região. Mas, dessa magnitude, são relativamente raros ”, afirma.

    De acordo com a professora, desde 1950 ocorreram apenas dois terremotos de magnitude superior a 7 em um raio de 250 quilômetros do local do tremor desta segunda.

    Como o terremoto é recente, informações sobre magnitude, mecanismo da ruptura e sequência sísmica ainda podem ser atualizadas nos próximos dias. Também podem ocorrer réplicas, chamadas de aftershocks. São tremores posteriores associados ao reajuste da região afetada pelo terremoto principal.

    Após um evento de grande magnitude, a possibilidade de novos tremores aumenta temporariamente naquela área . A situação, porém, não significa que o risco de terremotos tenha aumentado globalmente.

    Atualmente, a ciência consegue identificar regiões onde grandes terremotos são mais prováveis , principalmente áreas próximas aos limites das placas tectônicas. A costa oeste da América do Sul está entre elas devido à interação entre as placas de Nazca e Sul-Americana.

    O que ainda não é possível é determinar antecipadamente quando um terremoto acontecerá, sua magnitude exata e o ponto preciso da ocorrência.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/ciencia/nao-ha-anomalia-global-terremotos.

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