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    Não fale sobre política

    Faço algumas restrições a "Don't Talk About Politics", de Sarah Stein Lubrano, mas o livro é muito bom. É um banho de ciência cognitiva. Recorrendo a exemplos da literatura psicológica e da vida real, ela mostra que várias das nossas idealizações sobre política estão erradas. A esfera pública não é um "mercado de ideias" do qual sempre saem vencedores os melhores argumentos, e o cidadão não é um ator racional que se deixa persuadir por fatos e por lógica. Leia mais (09/19/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de setembro de 2026 às 18:00
    Não fale sobre política
    Seis pessoas em parque com gramado verde e céu azul, com cúpula do Capitólio ao fundo. Dois homens com aventais trocam pratos perto de churrasqueira. Duas crianças brincam com cachorro e bola. Duas mulheres observam e seguram copos. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman
    Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Faço algumas restrições a "Don't Talk About Politics", de Sarah Stein Lubrano, mas o livro é muito bom. É um banho de ciência cognitiva. Recorrendo a exemplos da literatura psicológica e da vida real, ela mostra que várias das nossas idealizações sobre política estão erradas. A esfera pública não é um "mercado de ideias" do qual sempre saem vencedores os melhores argumentos, e o cidadão não é um ator racional que se deixa persuadir por fatos e por lógica.

    Nossas crenças e preferências políticas têm origem em processos sociais que nem sempre receberam a devida atenção de teóricos do liberalismo. Não tenho como discordar do principal da argumentação da autora, mas penso que, no afã de decretar a morte do liberalismo –o livro tem essa pegada bem de esquerda—, ela acaba recorrendo à falácia do espantalho.

    Já faz décadas que cientistas políticos deixaram de considerar o eleitor como modelo de racionalidade sem que fosse necessário sacrificar princípios do liberalismo clássico como a liberdade de expressão e a própria noção de esfera pública de Habermas, que seguem funcionando, normativamente e como aproximações teóricas. Uma ideia de esquerda vencedora, como a de que é errado discriminar homossexuais, triunfou entre outras razões porque passou um tempo sendo testada no mercado de ideias.

    Em 2018, republicano Donald Trump bateu boca com democratas
    Em 2018, republicano Donald Trump bateu boca com democratas — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O que Lubrano defende então? Ela acha que o melhor modo de mudar mentalidades é criando ambientes em que as pessoas possam interagir de modo construtivo, o que lhes permite superar preconceitos e a polarização. Ela acerta em algo aí. Anos atrás li um artigo que me impressionou. Dizia que um dos motivos do aprofundamento da cisão entre congressistas democratas e republicanos nos EUA é que, com a maior facilidade de viagens aéreas, eles deixaram de levar suas famílias para morar em Washington.

    Regressavam a seus estados nos fins de semana. Com isso, seus filhos deixaram de ser colegas de escola e as famílias deixaram de frequentar os mesmos churrascos de sábado. Ficou fácil se demonizarem.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/nao-fale-sobre-politica.shtml.

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    Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: Folha de S.Paulo

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