Namorado de estudante morta teria limpado e tentado vender imóvel no CE
João Munhoz Neto foi preso nesta terça-feira (22); polícia aponta postura "não colaborativa" e possível obstrução da investigação por parte dele

A Polícia Civil do Ceará aponta que João Munhoz Neto, de 34 anos, preso pela morte da namorada Isabelle Caracristi nesta terça-feira (22), teria limpado e colocado à venda o apartamento no condomínio onde a estudante foi encontrada morta, no bairro nobre Aldeota, em Fortaleza, no último dia 13.
A informação foi divulgada durante uma coletiva conjunta da Polícia Civil e da Perícia Forense sobre a investigação da morte da jovem, nesta quarta-feira (23).
A conclusão da perícia aponta que a jovem de 22 anos se lançou do rooftop do prédio. No entanto, o namorado permanece preso preventivamente e é investigado por possível violência psicológica, indução ou instigação ao suicídio e eventual obstrução da investigação.

João apresentou comportamentos apontados como possíveis tentativas de obstrução, como contratar uma pessoa para limpar o apartamento, colocar o imóvel à venda, tentar recuperar o celular de Isabelle e proibir a entrada de familiares no condomínio.
Além disso, a polícia considerou a postura do homem como "não colaborativa" , já que, após a morte da namorada, colocou seus pertences em malas, desativou redes sociais e não forneceu pontos de contato aos investigadores.
Antes da prisão, a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, já havia relatado que era contrária ao relacionamento da filha.

Segundo ela, o namoro começou em julho, quando Isabelle passou a estagiar no escritório onde João trabalhava. A mãe afirmou que percebeu mudanças no comportamento da filha e classificou o relacionamento como controlador e obsessivo .
Isorlanda também relatou que a filha passou a se afastar da família e que João teria pedido o cartão de crédito de Isabelle para realizar uma cirurgia.
A mãe afirmou ainda que não foi avisada sobre a morte da filha na noite da ocorrência . Ela só descobriu o que havia acontecido no dia seguinte, quando foi ao condomínio procurar informações depois de não conseguir contato com Isabelle.

Um áudio atribuído à Isabelle, que teria sido enviado a familiares horas antes de sua morte, traz um relato sobre o comportamento do namorado. Na gravação, Isabelle afirma: “ Esse cara é um louco ” . Ouça:
No áudio, Isabelle se refere ao namorado e afirma, em diferentes momentos, que ele seria “um louco”. Ela diz que não podia sequer ir à farmácia sem que o namorado demonstrasse ciúmes. Segundo o relato feito no áudio, quando alguém olhava para ela, João “olhava feio” e, em algumas situações, “dava murro na mesa”.
A mensagem foi enviada ao primo da estudante e a outras pessoas da família no dia 13 de setembro, data em que ela morreu.

A cronologia apresentada pela polícia mostra que Isabelle entrou sozinha no elevador às 19h12 e seguiu para o rooftop, no 23º andar. A estimativa é de que a morte tenha ocorrido às 20h40 , ou seja, a estudante permaneceu aproximadamente uma hora e 28 minutos no local antes da queda.
Segundo a Polícia Civil, registros indicam que Isabelle permaneceu conectada ao celular e trocou mensagens durante esse intervalo. O conteúdo das conversas agora é analisado pelos investigadores.
A família afirma que Isabelle havia enviado uma mensagem para a mãe pouco antes de subir ao rooftop. Às 19h, aproximadamente, a jovem escreveu “mãe, te amo”.

Segundo os peritos, a análise dos vestígios indica uma “precipitação voluntária” , termo técnico utilizado para descrever uma queda provocada pela própria vítima. Por isso, a hipótese de que Isabelle tenha sido arremessada ou empurrada por outra pessoa foi descartada.
De acordo com a Pefoce, os cálculos realizados pelos peritos indicam que Isabelle percorreu uma trajetória de queda predominantemente vertical, com duração aproximada de três segundos até o impacto contra o solo.
A análise do apartamento onde ela morava com João não identificou sinais de arrombamento , desordem ou luta corporal. Também não foram encontradas, no corpo da estudante, lesões de defesa, sinais de esganadura ou marcas de agressões físicas anteriores à queda.
Na cortina de vidro do apartamento, foram encontradas impressões digitais atribuídas exclusivamente a João.
A perícia também analisou quase 700 arquivos de vídeo produzidos pelas câmeras de segurança do condomínio. Segundo os investigadores, o material foi considerado íntegro e não apresentou sinais de adulteração.
O rooftop, porém, não tinha câmera de segurança. Por isso, não existe uma imagem do momento exato da queda.
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/nordeste/ce/namorado-de-estudante-morta-teria-limpado-e-tentado-vender-imovel-no-ce/.

A Polícia Civil do Ceará informou neste domingo (20) que investiga a morte da estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, que foi encontrada morta em Aldeota, Fortaleza, no último dia 13. • Reprodução/Redes Sociais · • Reprodução/ — Foto: CNN Brasil
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