Nada se cria, tudo se repete
Neste reinício da seleção após o fracasso no Mundial , pensei que veria algo novo, uma ideia diferente. Tudo continua na mesma. Nada se cria, tudo se repete. Leia mais (09/26/2026 - 16h02)

Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina
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Neste reinício da seleção após o fracasso no Mundial , pensei que veria algo novo, uma ideia diferente. Tudo continua na mesma. Nada se cria, tudo se repete.
Além das carências individuais no meio-campo, o problema não é jogar com apenas dois no meio e quatro no ataque. É a falta de compactação, com enormes distâncias entre a defesa, o meio-campo e o ataque. Isso dificulta bastante a pressão para recuperar a bola, a troca de passes e a criação de jogadas ofensivas, além de facilitar demais para os adversários, mesmo com pouca qualidade, como a Austrália , trocarem passes de uma intermediária a outra.
Assim como a corrupção no Brasil, as seguidas eliminações da seleção brasileira nos Mundiais para seleções médias ( Bélgica , Croácia e Noruega ) e outras atuações e resultados ruins contra seleções pequenas, como a Austrália, estão cada dia mais normalizadas. Receio que, em um futuro cada dia mais próximo, a glória e a magia do futebol brasileiro sejam apenas uma foto no celular, sem lamentações.

Enfim, os treinadores de mais prestígio no futebol mundial estão dirigindo grandes seleções. Depois que Ancelotti se tornou treinador da seleção brasileira, o alemão Klopp assumiu a seleção alemã, Zidane , a francesa, Jorge Jesus , a portuguesa, Mancini , a italiana. Já Guardiola continua no seu descanso. O milionário salário que Ancelotti recebe da CBF deve ter sido a chama que mudou os parâmetros financeiros das federações dos outros países e que despertou o interesse dos treinadores mais famosos, pois havia um consenso de que os principais técnicos ganhavam nos clubes muito mais do que recebiam nas seleções.
Por outro lado, a Espanha, campeã e que joga o melhor futebol do mundo, é dirigida por um treinador espanhol vindo da base, que nunca tinha comandado uma equipe principal, o discreto Luís De La Fuente .
Xavi , um dos grandes jogadores da história do futebol e que está no início de carreira de treinador, comanda a seleção da Holanda. É uma contratação técnica e afetiva. Xavi era um dos craques do Barcelona, dirigido por Guardiola, que revolucionou o futebol mundial, influenciado pelo holandês Cruyff, eterno jogador, treinador e pensador.

Para melhorar o futebol brasileiro e a seleção, é preciso ter ótimos gramados, um bom calendário, jogos menos tumultuados e clubes bem administrados, que não gastem mais do que podem e que paguem o que devem.
Além de evoluir na formação de jogadores, é necessário unir a compactação, a pressão para recuperar rapidamente a bola, a intensidade, com a capacidade de alternar, no mesmo jogo, o domínio da bola, a troca curta de passes com a transição rápida da defesa para o ataque.
Precisamos formar goleiros que joguem bem com as mãos e com os pés, zagueiros que defendam bem e que tenham bons passes, laterais que marquem e apoiem bem, pontas que driblem para fora e para dentro e que cruzem e finalizem bem, centroavantes que participem do jogo coletivo e que sejam bons finalizadores e meio-campistas que atuem de uma intermediária a outra, que marquem, construam e avancem.
Além de tudo isso, é essencial ter uma consciência coletiva do jogo, sem abandonar a capacidade criativa e a ambição individual. É o desejo que move o mundo.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2026/09/nada-se-cria-tudo-se-repete.shtml.

O australiano Aziz Behich (à dir.) domina a bola durante o amistoso internacional de futebol entre Austrália e Brasil no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville - Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP · Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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