Brasil

    Nada se cria, tudo se repete

    Neste reinício da seleção após o fracasso no Mundial , pensei que veria algo novo, uma ideia diferente. Tudo continua na mesma. Nada se cria, tudo se repete. Leia mais (09/26/2026 - 16h02)

    Folha de S.Paulo
    26 de setembro de 2026 às 19:02
    Nada se cria, tudo se repete
    Foto: Folha de S.Paulo

    Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina

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    O australiano Aziz Behich (à dir.) domina a bola durante o amistoso internacional de futebol entre Austrália e Brasil no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville - Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP · Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP
    O australiano Aziz Behich (à dir.) domina a bola durante o amistoso internacional de futebol entre Austrália e Brasil no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville - Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP · Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Neste reinício da seleção após o fracasso no Mundial , pensei que veria algo novo, uma ideia diferente. Tudo continua na mesma. Nada se cria, tudo se repete.

    Além das carências individuais no meio-campo, o problema não é jogar com apenas dois no meio e quatro no ataque. É a falta de compactação, com enormes distâncias entre a defesa, o meio-campo e o ataque. Isso dificulta bastante a pressão para recuperar a bola, a troca de passes e a criação de jogadas ofensivas, além de facilitar demais para os adversários, mesmo com pouca qualidade, como a Austrália , trocarem passes de uma intermediária a outra.

    Assim como a corrupção no Brasil, as seguidas eliminações da seleção brasileira nos Mundiais para seleções médias ( Bélgica , Croácia e Noruega ) e outras atuações e resultados ruins contra seleções pequenas, como a Austrália, estão cada dia mais normalizadas. Receio que, em um futuro cada dia mais próximo, a glória e a magia do futebol brasileiro sejam apenas uma foto no celular, sem lamentações.

    Veja fotos da final da Copa do Mundo 2026
    Veja fotos da final da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Enfim, os treinadores de mais prestígio no futebol mundial estão dirigindo grandes seleções. Depois que Ancelotti se tornou treinador da seleção brasileira, o alemão Klopp assumiu a seleção alemã, Zidane , a francesa, Jorge Jesus , a portuguesa, Mancini , a italiana. Já Guardiola continua no seu descanso. O milionário salário que Ancelotti recebe da CBF deve ter sido a chama que mudou os parâmetros financeiros das federações dos outros países e que despertou o interesse dos treinadores mais famosos, pois havia um consenso de que os principais técnicos ganhavam nos clubes muito mais do que recebiam nas seleções.

    Por outro lado, a Espanha, campeã e que joga o melhor futebol do mundo, é dirigida por um treinador espanhol vindo da base, que nunca tinha comandado uma equipe principal, o discreto Luís De La Fuente .

    Xavi , um dos grandes jogadores da história do futebol e que está no início de carreira de treinador, comanda a seleção da Holanda. É uma contratação técnica e afetiva. Xavi era um dos craques do Barcelona, dirigido por Guardiola, que revolucionou o futebol mundial, influenciado pelo holandês Cruyff, eterno jogador, treinador e pensador.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para melhorar o futebol brasileiro e a seleção, é preciso ter ótimos gramados, um bom calendário, jogos menos tumultuados e clubes bem administrados, que não gastem mais do que podem e que paguem o que devem.

    Além de evoluir na formação de jogadores, é necessário unir a compactação, a pressão para recuperar rapidamente a bola, a intensidade, com a capacidade de alternar, no mesmo jogo, o domínio da bola, a troca curta de passes com a transição rápida da defesa para o ataque.

    Precisamos formar goleiros que joguem bem com as mãos e com os pés, zagueiros que defendam bem e que tenham bons passes, laterais que marquem e apoiem bem, pontas que driblem para fora e para dentro e que cruzem e finalizem bem, centroavantes que participem do jogo coletivo e que sejam bons finalizadores e meio-campistas que atuem de uma intermediária a outra, que marquem, construam e avancem.

    Além de tudo isso, é essencial ter uma consciência coletiva do jogo, sem abandonar a capacidade criativa e a ambição individual. É o desejo que move o mundo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2026/09/nada-se-cria-tudo-se-repete.shtml.

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    O australiano Aziz Behich (à dir.) domina a bola durante o amistoso internacional de futebol entre Austrália e Brasil no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville - Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP · Saeed Khan - 25 set. 2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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