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    Na TV alemã, líder de extrema direita vencedor da eleição é interrompido em quase todas as respostas

    Ulrich Siegmund, da AfD, ganha horário nobre, mas é pressionado a esclarecer plano futuro após vitória em pleito

    UOL
    6 de setembro de 2026 às 23:00
    Na TV alemã, líder de extrema direita vencedor da eleição é interrompido em quase todas as respostas
    Homem de cabelos grisalhos curtos e barba aparada sorri levemente, vestindo paletó escuro e camisa branca, com fundo desfocado e iluminação artificial. — Foto: UOL

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    Com a barba curta desenhada, gel no cabelo e sem gravata, Ulrich Siegmund sorri de forma impaciente cada vez que é interrompido por Marietta Slomka, principal apresentadora da ZDF, uma das emissoras públicas da Alemanha, as principais do país. O político da AfD é o grande vencedor da eleição em Saxônia-Anhalt e está ao vivo no telejornal da noite.

    Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD nas eleições em Saxônia-Anhalt, dá entrevista em Magdeburgo neste domingo (6) - Ronny Hartmann/AFP · Ronny Hartmann/AFP
    Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD nas eleições em Saxônia-Anhalt, dá entrevista em Magdeburgo neste domingo (6) - Ronny Hartmann/AFP · Ronny Hartmann/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "O que eu sempre disse é que não queremos nos comprometer, que não queremos abrir mão de nossos próprios princípios e valores por jogadas de poder, como muitos partidos vêm fazendo há anos", diz o parlamentar antes de ser interrompido.

    "Vamos tentar esclarecer um pouco isso", afirma Slomka, claramente buscando deter a verborragia do candidato, próximo de formar o primeiro governo de extrema direita da Alemanha no pós-guerra , ou desde o Partido Nazista de Adolf Hitler.

    "O senhor queria uma maioria absoluta e, acima de tudo, um governo estável. Como seria, então, isso? Com quem? De que maneira?"

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    "Preciso me repetir…", diz Siegmund. E ele repete: não quer ser como os outros partidos, como a CDU, do primeiro-ministro Friedrich Merz, "que, logo após cada eleição, faz exatamente o contrário do que prometeu antes da votação".

    Quem prometeu antes da eleição não fazer coalizões, governar apenas com uma "maioria segura", foi o próprio Siegmund, dono de uma campanha baseada no TikTok e na mobilização de eleitores antissistema, saudosos de uma Alemanha Oriental que era tudo, menos uma ditadura comunista, como foi na prática.

    "Sempre dissemos que, como democratas, é preciso estender a mão caso haja outra força democrática, sejam elas, aliás, partidos ou deputados individuais."

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ainda mais quando as projeções não dão outra alternativa à AfD. Uma coalizão com a ambígua BSW, que parece ter superado a cláusula de barreira, eventuais defecções vindas da CDU, tudo isso deve consumir semanas de negociações.

    "Com quem o senhor pretende implementar isso, sr. Siegmund?", pergunta a âncora.

    "Bem, preciso me repetir: queremos deixar bem claro que, após a eleição, o eleitor recebe aquilo que escolheu. Uma parcela muito, muito significativa, mais de 44%, votou pela mudança política, por uma política voltada novamente para o nosso próprio país, para o nosso próprio povo, não para salvar o mundo."

    Siegmund e a AfD defendem uma reaproximação com a Rússia, que pode voltar a fornecer gás natural e baixar os preços da energia para a população. A guerra, afinal, é da Ucrânia, não da Alemanha.

    Logo após votar, pela manhã, cercado por jornalistas estrangeiros, afirmou que pretende conversar com Donald Trump, com Vladimir Putin, "trazer a Rússia de volta à mesa", como se fosse da alçada de um governador estadual tratar de relações exteriores.

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    "Mas ainda não chegamos ao nível federal. Primeiro estamos em Magdeburgo", lembra a apresentadora, quando Siegmund começa a ampliar também no telejornal seu resultado para além das fronteiras do estado.

    "Bem, se a AfD mantiver seus números até 2029 , então essa reflexão terá que ser feita", responde o "homem mais perigoso da Alemanha", epíteto que ganhou da revista Der Spiegel e que acabou transformando em ativo de campanha.

    "Amanhã, depois de amanhã, saberemos mais. De qualquer forma, já fizemos história. O povo da Saxônia-Anhalt mostrou que as coisas não podem continuar assim e que não vão continuar assim."

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/na-tv-alema-lider-de-extrema-direita-vencedor-da-eleicao-e-interrompido-em-quase-todas-as-respostas.shtml.

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    Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD nas eleições em Saxônia-Anhalt, dá entrevista em Magdeburgo neste domingo (6) - Ronny Hartmann/AFP · Ronny Hartmann/AFP — Foto: UOL

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