Economia

    Na era da IA, conhecimento técnico deixa de ser o principal diferencial profissional

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    15 de agosto de 2026 às 12:00
    Na era da IA, conhecimento técnico deixa de ser o principal diferencial profissional
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    Durante décadas, o acesso ao conhecimento foi um dos principais diferenciais profissionais. Hoje, com a inteligência artificial capaz de escrever relatórios, resumir pesquisas, gerar códigos e apoiar análises em diferentes áreas, esse cenário começa a mudar.

    A tecnologia não elimina a importância do conhecimento técnico, mas reduz parte da sua escassez. Em um contexto em que a informação está cada vez mais disponível — e pode ser organizada, sintetizada e produzida por sistemas de IA em poucos segundos —, ganha importância aquilo que depende menos do acesso à informação e mais da capacidade de interpretá-la: compreender contextos, fazer boas perguntas, exercer o pensamento crítico e tomar decisões .

    É a partir dessa transformação que a Expert XP 2026 promoveu um encontro inédito com representantes das principais universidades brasileiras e do mercado financeiro para discutir como aproximar a academia do setor produtivo e preparar os profissionais para as novas demandas do mercado.

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    O evento colocou no centro da discussão a necessidade de reaproximar o ensino superior dos desafios reais do mundo do trabalho e revelou um consenso: a vantagem competitiva não está mais apenas em saber mais, mas, cada vez mais, em saber o que fazer com o que se sabe.

    A inteligência artificial acelera transformações que já estavam em curso.

    A digitalização da economia, o surgimento de novas ocupações e a velocidade com que competências se tornam obsoletas já exigiam atualização constante de trabalhadores e empresas. Com a IA, esse processo ganha ainda mais intensidade.

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    Segundo o Future of Jobs Report 2025 , do Fórum Econômico Mundial, cerca de 39% das competências exigidas pelos empregadores devem mudar até 2030, enquanto 59% da força de trabalho precisará passar por algum processo de requalificação.

    O estudo mostra que o mercado valoriza cada vez mais uma combinação de competências técnicas e humanas .

    Pensamento analítico lidera a lista das habilidades mais importantes, seguido por resiliência, flexibilidade, liderança, influência social, pensamento criativo, alfabetização tecnológica e aprendizagem contínua. Ao mesmo tempo, IA, big data e segurança cibernética aparecem entre as competências técnicas com maior crescimento esperado.

    Na prática, isso significa que dominar novas ferramentas já não basta. O diferencial está na capacidade de interpretar informações, avaliar diferentes cenários e tomar decisões em ambientes cada vez mais complexos.

    Essa mudança também reposiciona o ensino superior.

    Durante décadas, as universidades foram a principal porta de entrada para o conhecimento especializado. Hoje, grande parte desse conteúdo está disponível em plataformas digitais ou pode ser produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial.

    Na avaliação dos especialistas, isso não reduz a importância da universidade, mas redefine onde está seu valor.

    “O acesso à tecnologia está cada vez mais democratizado. O que passa a diferenciar um profissional não é apenas saber utilizar uma ferramenta, mas interpretar informações, fazer boas perguntas, tomar decisões e resolver problemas complexos”, afirmou Mariana Zinetti Furlan, sócia e head comercial da XP.

    Segundo ela, quanto mais a tecnologia entrega respostas prontas, maior é a necessidade de profissionais capazes de questioná-las, compreender contextos e assumir decisões.

    “O conhecimento técnico pode ser atualizado ao longo da carreira. Já a capacidade de análise crítica, argumentação e tomada de decisão continua sendo construída em experiências mais profundas de formação.”

    Nesse cenário, habilidades como pensamento crítico, argumentação, resolução de problemas complexos e colaboração interdisciplinar passam a ocupar um espaço ainda mais relevante na formação profissional.

    As mudanças tecnológicas acontecem ao mesmo tempo em que o próprio setor de educação atravessa uma transformação estrutural.

    Dados apresentados durante o evento mostram que o envelhecimento da população brasileira deve elevar a participação de pessoas com mais de 66 anos de 6% em 2000 para cerca de 22% em 2050.

    Ao mesmo tempo, mudanças no perfil dos estudantes e o comprometimento da renda das famílias pressionam as instituições a rever seus modelos de atuação.

    A composição das receitas do setor ilustra essa mudança. Em 2017, aproximadamente 98% do faturamento das instituições vinha da graduação tradicional. Em 2024, esse percentual caiu para cerca de 60%, impulsionado pelo crescimento de cursos livres, educação executiva, especializações e programas de atualização profissional .

    Os indicadores de empregabilidade também mostram um mercado mais dinâmico. O percentual de profissionais empregados após a graduação passou de 79% em 2022 para 90% em 2024. Ao mesmo tempo, metade dos profissionais atua em áreas diferentes daquelas em que se formou, refletindo trajetórias menos lineares e uma demanda crescente por competências transferíveis entre diferentes setores.

    Outro desafio continua sendo a permanência dos estudantes. Enquanto a evasão nos cursos presenciais varia entre 37% e 40%, no ensino a distância os índices chegam a ficar entre 63% e 71%, indicando que ampliar o acesso não garante, por si só, a conclusão da formação.

    Outro ponto de convergência do debate foi a necessidade de aproximar universidades e empresas. Em vez de enxergar educação formal e educação corporativa como modelos concorrentes, os especialistas defendem que ambas exercem funções complementares .

    À universidade cabe aprofundar fundamentos acadêmicos, desenvolver pensamento crítico e formar profissionais capazes de aprender continuamente. Ao mercado, aproximar estudantes de desafios reais, novas tecnologias e competências que evoluem em ritmo acelerado.

    “A universidade não precisa abrir mão da sua autonomia para dialogar com as empresas. Pelo contrário: quando o mercado compartilha problemas reais e a academia contribui com conhecimento e pesquisa, ambos fortalecem a formação dos profissionais”, afirmou Diogo França, CEO da XP Educação.

    Se a inteligência artificial torna o conhecimento mais acessível, ela também muda o que o mercado passa a valorizar.

    Em vez de premiar apenas quem acumula informação, cresce a demanda por profissionais capazes de interpretar evidências, conectar diferentes áreas do conhecimento, avaliar consequências e tomar decisões em ambientes marcados por incerteza.

    Nesse cenário, universidades e empresas compartilham um mesmo desafio: formar profissionais que saibam trabalhar ao lado da inteligência artificial sem abrir mão daquilo que continua sendo essencialmente humano: o pensamento critico .

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/carreira/ia-conhecimento-profissional-do-futuro/.

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