Brasil

    Na disputa entre EUA e Canada, Brasil poderá ser o beneficiado

    Donald Trump continua levando problemas para os produtores agrícolas americanos. Após perder boa parte do mercado da China , o principal no mundo nesse setor, deve embaralhar as negociações com o Canadá , o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos , atrás apenas do México . Leia mais (09/09/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 02:00
    Na disputa entre EUA e Canada, Brasil poderá ser o beneficiado
    Ex-presidente dos Estados Unidos fala em púlpito com o selo presidencial. Atrás dele, cinco bandeiras americanas alinhadas verticalmente. — Foto: Folha de S.Paulo

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

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    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em discurso na Casa Branca, em Washington - Evelyn Hockstein - 2.set.26/Reuters · Evelyn Hockstein - 2.set.26/Reuters
    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em discurso na Casa Branca, em Washington - Evelyn Hockstein - 2.set.26/Reuters · Evelyn Hockstein - 2.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Donald Trump continua levando problemas para os produtores agrícolas americanos. Após perder boa parte do mercado da China , o principal no mundo nesse setor, deve embaralhar as negociações com o Canadá , o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos , atrás apenas do México .

    Em 2025, a corrente comercial agrícola, incluídos os demais produtos relacionados ao setor, como os florestais, somou US$ 64 bilhões (R$ 327 bilhões), praticamente equilibrada, com US$ 32 bilhões (R$ 163 bilhões) para cada. Já, se considerados apenas os produtos agrícolas, o volume financeiro da relação comercial entre os dois países fica em US$ 51 bilhões (R$ 260 bilhões), com ganho das exportações dos americanos, que somaram US$ 28,7 bilhões (R$ 146 bilhões).

    Nem todos os produtos agropecuários estão na relação dessa disputa tarifária, mas essa amarra nas negociações mina toda a estrutura produtiva, logística e comercial, construída pelos dois países ao longo das últimas décadas. Se durar, é um caminho para a busca de novos parceiros por parte de ambos. E o Brasil, assim como ocorreu na briga dos Estados Unidos com a China, tende a ganhar espaço.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na lista das compras dos dois países estão as carnes, onde o Brasil se destaca no cenário mundial. A corrente comercial entre eles atingiu US$ 4,9 bilhões (R$ 25 bilhões) no ano passado nesse setor, considerando as proteínas bovina, suína e de frango. Os Estados Unidos importaram o correspondente a US$ 1,6 bilhão (R$ 8,1 bilhões) de carne bovina do Canadá. Os americanos vêm com um déficit no setor e aumentam as compras externas ano a ano, principalmente do mercado brasileiro.

    De janeiro a agosto, os Estados Unidos compraram 269 mil toneladas de carne bovina no Brasil, no valor de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,2 bilhões), segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). Essa falta de produto no mercado interno americano e a elevação dos preços em período de eleições fizeram Trump anunciar que vai isentar o produto brasileiro por um período.

    O mercado de frutas e de legumes entre os dois países também é importante, mas o Brasil ainda não se desenvolveu suficientemente para fazer frente a outros competidores nesse setor. O mesmo ocorre com lácteos, cuja corrente comercial entre canadenses e americanos somou US$ 1,6 bilhão (R$ 8,1 bilhões) em 2025.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O comércio de etanol , produto que o Brasil está entre os líderes em produção, atingiu US$ 1,75 bilhão (R$ 8,9 bilhões) no ano passado entre os dois países, com domínio dos americanos. As exportações dos Estados Unidos para o Canadá somaram US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões) . Outro setor importante na relação comercial entre os dois é o de rações para cães e gatos. Os americanos exportaram US$ 1,2 bilhão (R$ 6,1 bilhões) e importaram US$ 125 milhões (R$ 638 milhões). Esse é um setor com bom desenvolvimento no Brasil.

    Na área de farelo de soja, óleo e grãos, o domínio das exportações é dos Estados Unidos, o mesmo ocorrendo com o de suco de frutas.

    As exportações brasileiras da agropecuária e de produtos relacionados ao agronegócio para Estados Unidos e Canadá tiveram rápida evolução nos últimos anos. Em 2020, os brasileiros exportavam US$ 6,5 bilhões (R$ 33 bilhões) para os americanos e US$ 578 milhões (R$ 2,9 bilhões) para os canadenses. No ano passado, os valores subiram para US$ 11 bilhões (R$ 56 bilhões) e US$ 1,3 bilhão (R$ 6,64 bilhões), respectivamente.

    Com relação às importações brasileiras, o Brasil gasta mais no Canadá do que nos Estados Unidos. Em 2025, devido ao peso dos fertilizantes, as importações brasileiras dos canadenses somaram US$ 1,7 bilhão (R$ 8,9 bilhões), um pouco acima do US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões) de compras dos americanos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/09/na-disputa-entre-eua-e-canada-brasil-podera-ser-o-beneficiado.shtml.

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    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em discurso na Casa Branca, em Washington - Evelyn Hockstein - 2.set.26/Reuters · Evelyn Hockstein - 2.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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