Na Casa Branca, Xi pede a Trump cooperação em IA e comércio
Presidente chinês afirmou que disputa entre potências deve ser uma "corrida", e não uma "luta"

Presidente chinês afirmou que disputa entre potências deve ser uma “corrida”, e não uma “luta”
O presidente da China, Xi Jinping (PCCh), defendeu uma cooperação ampla em comércio, IA e no setor militar com Washington durante encontro com o presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) na Casa Branca, nesta 5ª feira (24.set.2026). O chinês realiza sua 2ª visita de Estado aos EUA.
A reunião entre os líderes se dá no período de intensa competição entre os 2 países nas áreas de inteligência artificial e comércio, com imposição mútua de tarifas. Xi propôs bases para um entendimento capaz de evitar conflitos entre as potências.

“Os interesses da China e dos Estados Unidos estão profundamente entrelaçados. Há amplo espaço para trabalharmos juntos. A cooperação sino-americana pode não resolver todos os problemas do mundo, mas, sem ela, seria difícil solucionar muitos dos desafios globais” , afirmou o presidente chinês.
Durante a declaração conjunta, Xi sinalizou que a China tem disposição a receber empresas norte-americanas e disse esperar reciprocidade dos EUA. Mais cedo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou que Washington e Pequim concordaram em prorrogar a trégua comercial por mais 2 meses.
O acordo, costurado em outubro do ano passado e que congelou as tarifas, venceria em novembro e agora foi prorrogado até 10 de janeiro.

“China mantém suas portas abertas e acolhe empresas americanas que desejam investir e fazer negócios no país. Esperamos que as empresas chinesas sejam tratadas de forma justa aqui, nos Estados Unidos”, disse Xi.
Além disso, o líder chinês mencionou que ambos os países lideram o desenvolvimento mundial da IA. O presidente destacou a necessidade de manter a tecnologia sob controle humano.
“Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerir a IA para o bem, garantindo que seu desenvolvimento permaneça sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas” , declarou.

Xi Jinping voltou a traçar um paralelo entre a tensão entre Pequim e Washington e o conceito da “armadilha de Tucídides” – fenômeno descrito pelo historiador grego ao se referir à Guerra do Peloponeso (431 a.C a 404 a.C). O conceito descreve as tensões geradas quando uma potência emergente desafia o domínio de uma potência estabelecida.
“Não precisamos evitar falar em competição, mas esta deve ser saudável e manter-se dentro de limites adequados; deve ser uma corrida para alcançar o outro, e não uma luta em que um lado necessariamente vence e o outro perde. As nossas forças armadas devem manter um diálogo regular e aprimorar os mecanismos de comunicação para situações de crise. É possível superar a Armadilha de Tucídides” , disse Xi.
O presidente chinês já havia invocado o conceito no encontro com Trump em Pequim, em maio, quando questionou o presidente americano sobre seus planos para evitá-la.
Entre as propostas para reduzir tensões, Xi incluiu o convite a 100.000 norte-americanos para visitar a China em intercâmbios estudantis e o estabelecimento de rotas aéreas diretas entre os países.
Trump recebeu Xi e sua mulher, Peng Liyuan, ressaltando que o líder chinês se tornava o primeiro de seu país a realizar uma 2ª visita de Estado aos Estados Unidos. A última visita de Estado do presidente da China foi em 2015, durante a administração Barack Obama (Partido Democrata).
“O presidente Xi e eu fizemos avanços tremendos nas questões que afetam nossos 2 países” , declarou Trump. “Nossas equipes têm trabalhado para incentivar uma relação comercial mais equilibrada, incluindo o novo acesso ao mercado para agricultores e pecuaristas americanos” , acrescentou.
Trump informou que a visita incluirá discussões sobre segurança, tecnologia e inteligência artificial.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-china/na-casa-branca-xi-pede-a-trump-cooperacao-em-ia-e-comercio/.

Xi Jinping comparou a relação China-EUA à "armadilha de Tucídides" — Foto: Poder360
Compartilhe
Espalhe essa notícia

