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    Na Argentina, deputada trotskista desponta como possível concorrente de Milei à Presidência

    Myriam Bregman, do PTS, é política mais bem-avaliada do país de acordo com pesquisa da Universidade de Buenos Aires

    UOL
    28 de agosto de 2026 às 10:00
    Na Argentina, deputada trotskista desponta como possível concorrente de Milei à Presidência
    Mulher loira de cabelos médios usa blusa preta e olha para o lado em biblioteca com estantes cheias de livros desfocados ao fundo. — Foto: UOL

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    A pouco mais de um ano das eleições presidenciais, uma opositora radical do ultradireitista Javier Milei tem se destacado em pesquisas de aprovação popular. Myriam Bregman, deputada trotskista e dirigente do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas), apelidada entre os correligionários de "Russa" e por críticos de "Zurda", uma alcunha pejorativa para "esquerdista", tem ganhado centralidade no cenário político.

    A deputada argentina Myriam Bregman, provável candidata à presidência em 2027, lança seu livro 'Moderada Nunca' em São Paulo - Rafaela Araújo -11.ago.26/Folhapress · Rafaela Araújo -11.ago.26/Folhapress
    A deputada argentina Myriam Bregman, provável candidata à presidência em 2027, lança seu livro 'Moderada Nunca' em São Paulo - Rafaela Araújo -11.ago.26/Folhapress · Rafaela Araújo -11.ago.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No último dia 12, uma pesquisa divulgada pelo Observatório de Psicologia Aplicada da Universidade de Buenos Aires apontou que 44% dos argentinos têm uma imagem positiva de Bregman –o maior índice entre todos os políticos avaliados. Milei, por exemplo, é visto com bons olhos por 38% da população. Já a ex-presidente Cristina Kirchner, expoente da esquerda tradicional, por 40%.

    A UBA entrevistou 2.895 pessoas, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A socialista Bregman, que defende em seu livro "Moderada Nunca" (ed. Iskra), recém-lançado no Brasil, a tomada dos meios de produção pelas classes trabalhadoras, também enfrenta grande rejeição, é claro. São 43% os que dizem ter dela uma imagem negativa.

    Ainda assim, porém, o saldo é positivo —por 1%, mas positivo. É mais do que podem dizer Milei e Kirchner, que possuem rejeição de 61% e 58%, respectivamente. O principal desafio para uma possível candidatura competitiva em 2027 —ela terminou com 2,7% em 2023— é também sua maior força: sua posição aparentemente irredutível contra alianças.

    Quem é quem no peronismo?
    Quem é quem no peronismo? — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Bregman é uma dura crítica tanto do presidente quanto de seus antecessores da esquerda tradicional. "Sem a cumplicidade de setores do peronismo e do radicalismo de partidos tradicionais, Milei não teria conseguido aprovar nenhuma das medidas que aprovou", diz ela à Folha em entrevista em São Paulo.

    "O peronismo, que dirige as centrais sindicais, decidiu não enfrentar seriamente Milei, talvez especulando que ele faça o 'trabalho sujo' do ajuste para eles voltarem depois como o 'mal menor'", afirma. Ela atribui a eleição de Milei a um cansaço com a esquerda reformista e com o "neoliberalismo tradicional", representado por figuras como Mauricio Macri, presidente entre 2015 e 2019.

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    Torcidas organizadas apoiam aposentados em protesto contra Milei
    Torcidas organizadas apoiam aposentados em protesto contra Milei — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Depois da onda de governos progressistas dos anos 2000, veio uma ofensiva da direita porque terminou o auge econômico das matérias-primas. Muitos governos entraram em crise interna, como na Bolívia ou na Argentina ", analisa a deputada. "Esses governos não fizeram reformas estruturais para minar o poder econômico concentrado, e a direita aproveitou a oportunidade. No entanto, nem uns nem outros conseguem se estabilizar devido ao descontentamento das massas populares que não param de perder."

    Aí, veio a ultradireita. "Milei aproveitou um sentimento anticasta para se eleger, mas rapidamente aliou-se aos políticos da direita tradicional para conseguir sustentar seu governo. Seu gabinete hoje é composto majoritariamente por personagens que estiveram nos governos de [Carlos] Menem, de Macri e inclusive do peronismo, como Daniel Scioli [vice-presidente de 2003 a 2007, durante o governo Néstor Kirchner]", diz a deputada.

    Essa sensação de continuidade é o que angaria simpatia por seu mandato —e possível candidatura—, avalia. Advogada, Bregman participou do julgamento de militares acusados de crimes na ditadura, é militante feminista e pelo direito ao aborto. Em seu livro, propõe medidas como a redução da jornada de trabalho e até a tomada de fábricas para auto-organização da produção como alternativas para o fim da eterna crise econômica argentina e do desemprego.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A presença de uma força de esquerda radical no Congresso e nas eleições já soa surpreendente vista do Brasil. O equivalente oficial do PTS de Bregman por aqui é o MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), grupo trotskista sem representação política institucional.

    Já o PSTU, também de orientação trotskista, poderia ser visto como um equivalente partidário ao PTS, embora venham de correntes ideológicas distintas. Não possui nenhum deputado ou senador no Congresso e sua candidata à presidência, Vera Lúcia, teve 0,02% dos votos.

    Na Argentina, a Frente de Esquerda, composta pelo PTS e pelo Partido Operário, tem cinco representantes: além de Bregman e seu companheiro, Nicolás del Caño, há mais dois deputados do PTS e uma parlamentar do PO.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "As alianças com o peronismo já fracassaram na Argentina", diz Bregman, questionada sobre como seria possível eleger-se sem montar uma coalizão com essas forças políticas que, apesar de desgastadas, seguem relevantes. "Todos os que ingressaram com essa esperança de que iam mudar o peronismo por dentro estão completamente em crise ou já se dissolveram."

    O que Bregman propõe é que a campanha seja feita através de uma base social. "Nós acreditamos que se essa discussão [sobre apoio] for feita durante a eleição, você já perdeu", afirma. "Nós vemos que há muita simpatia por nós na Argentina, e nossa proposta é que essa simpatia seja organizada desde agora", explica.

    "Que todos aqueles que veem com simpatia nossas ideias se organizem em comitês para conhecer nossas ideias", afirma a deputada. A ideia, diz, seria a de organizar um amplo partido de trabalhadores, que incluiria a esquerda radical, para disputar as eleições com essa organização de base —sem necessidade de se aliar a outros partidos.

    "A chave da direita é a nossa fragmentação, é o individualismo, é dizer que você vai avançar apenas se pisar na cabeça do sujeito ao lado", afirma a Russa.

    Bregman ainda não confirma que concorrerá em 2027, embora as análises políticas apontem para isso. A própria visita da parlamentar ao Brasil, para o lançamento do livro em que expõe suas ideias para a construção de uma alternativa radical à esquerda reformista, busca consolidá-la como figura pública na América Latina , não apenas na Argentina.

    Se a estratégia e a aparente simpatia do público darão resultados nas urnas, apenas o próximo ano dirá.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/na-argentina-deputada-trotskista-desponta-como-possivel-concorrente-de-milei-a-presidencia.shtml.

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    A deputada argentina Myriam Bregman, provável candidata à presidência em 2027, lança seu livro 'Moderada Nunca' em São Paulo - Rafaela Araújo -11.ago.26/Folhapress · Rafaela Araújo -11.ago.26/Folhapress — Foto: UOL

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