Musical de 'Percy Jackson', em São Paulo, preserva o livro ante a fúria dos fãs
Eu nunca quis ser um meio-sangue, entoa um Percy Jackson cantor no começo do musical "O Ladrão de Raios", em cartaz em São Paulo. A frase dita por ele é a mesma que abre o primeiro livro de "Percy Jackson e os Olimpianos" , uma das sagas mais populares entre as crianças da década passada. Leia mais (10/10/2026 - 10h00)

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Eu nunca quis ser um meio-sangue, entoa um Percy Jackson cantor no começo do musical "O Ladrão de Raios", em cartaz em São Paulo. A frase dita por ele é a mesma que abre o primeiro livro de "Percy Jackson e os Olimpianos" , uma das sagas mais populares entre as crianças da década passada.

O espetáculo chega neste sábado ao teatro Liberdade, no centro de São Paulo. A história levada aos palcos reproduz a do livro. Um garoto descobre ser filho do deus grego Poseidon, soberano dos mares, e recebe a tarefa de recuperar o raio de Zeus para impedir uma guerra entre as divindades.
A diferença é que no teatro há músicas. São 21 no total. Na abertura, o protagonista se apresenta e fala dos problemas que enfrenta na escola, como no livro, mas cantando. Por ser metade deus, metade humano, Percy acha difícil se concentrar em coisas mundanas como a lição de matemática. O negócio dele é salvar o mundo.
"Percy Jackson: O Musical" nasceu há 12 anos em Nova York, mas só agora chega ao país que reúne uma das maiores comunidades de fãs da obra fora dos Estados Unidos.

É o que afirma a Disney, hoje detentora dos direitos de adaptação audiovisual dos livros escritos por Rick Riordan. Segundo a empresa, o Brasil é o segundo maior consumidor da série de TV "Percy Jackson", lançada há dois anos, com uma nova temporada programada para o mês que vem. O próprio escritor dos livros diz que ouve os brasileiros antes de tomar decisões sobre a obra.
Por isso, há um certo receio quanto à recepção do musical que fica em cartaz até o dia 29 de novembro. O texto foi traduzido pelo paulista Victor Mühlethaler, que antes trabalhou na adaptação de "Wicked" e "Meninas Malvadas" . Ele vive em Los Angeles.
O mais difícil, diz o tradutor, foi adequar ao ritmo das músicas originais os nomes e expressões consagrados pelos livros em português. Na nossa língua, segundo ele, a maioria desses termos eram maiores que no inglês, o que tornou complicado traduzi-los ao pé da letra sem deixar nada para trás.

Numa das canções, por exemplo, Mühlethaler não conseguia encaixar "Acampamento Meio-Sangue", nome do lugar onde boa parte da história se passa. Em inglês, o espaço é chamado de "Camp Half-Blood", uma expressão de palavras mais curtas.
A solução foi desapegar do substantivo "acampamento" e trocar por um verbo: "Que inferno ter que lidar com meio-sangue vindo acampar", cantam os personagens. "Eu não quis fugir do léxico que está no imaginário dos fãs do livro", diz Mühlethaler.
Falar de adaptações de "Percy Jackson" é assunto delicado para os leitores da saga. A história foi primeiro ao cinema, em dois filmes, lançados em 2010 e 2013, que sofreram críticas por se afastarem muito da obra original. As produções desagradaram inclusive o autor da obra, e nunca ganharam continuações. "Percy Jackson e os Olimpianos" se desenrola por cinco livros.

Levou uma década até outra equipe se arriscar a levar a trama às telas. A Disney escolheu fazer uma série de TV para dar conta de todos os detalhes que ficaram de fora no cinema, e contratou o autor Rick Riordan como roteirista. Mesmo assim, as duas temporadas no Disney+ desagradaram parte do público.
Mühlethaler, o tradutor, foi contratado sem ter lido a saga nem visto as adaptações. Quando topou o trabalho, ele correu para assistir à primeira temporada da série. Ele diz que hoje se preocupa mais com a recepção do público se trabalha com uma obra conhecida.
A peça dá um jeito de levar aos palcos as cenas e personagens mais memoráveis do primeiro livro. Percy Jackson é interpretado pelo ator João Lucas, mais conhecido por ser marido de Sasha Meneghel, a filha da Xuxa.

Já a semideusa Annabeth Chase e o sátiro Grover Underwood são vividos por Marianna Alexandre e Thales Cesar. Ele veste pernas peludas com cascos nos pés para emular a metade bode do personagem.
Embora com menos recursos que os filmes e a série de TV, a peça se esforça para recriar a fantasia dos livros. No palco, Percy luta com um monstro alado, mostrado ao público em projeção num telão, e depois com o Minotauro, feito por uma marionete de corpo. Já Quíron, o centauro, é interpretado por um ator que carrega uma estrutura que imita o traseiro de um cavalo.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/musical-de-percy-jackson-em-sao-paulo-preserva-o-livro-ante-a-furia-dos-fas.shtml.

Os atores Marianna Alexandre, João Lucas e Thales Cesar protagonizam 'Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical', em cartaz em São Paulo - Marcos Mesquita/Divulgação · Marcos Mesquita/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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